Projeto para Companhia Aurifícia no Porto (com habitação) aprovado

O projeto em questão vai criar 122 novos fogos de habitação, comércio e serviços.
Porto
Foto de Natalia Smiech no Unsplash
Lusa
Lusa

O projeto para reconversão da antiga Companhia Aurifícia, no centro do Porto, já tem aprovados dois projetos de arquitetura do licenciamento relativo às obras de edificação deste antigo complexo, faltando ainda o de urbanização, disse à Lusa a Câmara do Porto.

O projeto em questão vai criar 122 novos fogos de habitação, comércio e serviços e ainda uma nova via que vai ligar a Rua dos Bragas à Rua de Álvares Cabral, em Cedofeita, dividindo a área em duas parcelas cujas obras de edificação foram licenciadas separadamente e que, de acordo com uma resposta por escrito da autarquia enviada à Lusa, já têm os projetos de arquitetura aprovados.

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“Há ainda um terceiro processo, relativo ao licenciamento das obras de urbanização, que se encontra em análise pelos serviços camarários, sem qualquer decisão”, acrescentou o município sobre o projeto para o antigo complexo, que está inserido num terreno com uma área de mais de 19 mil metros quadrados.

A Lusa constatou, no local, que foi já removido um dos portões da fachada, e está agora instalada uma estrutura de vidro destinada a um ‘stand’ de vendas.

Segundo o município, o Banco de Materiais fez já uma visita e apreciação para “acautelar a proteção dos acervos necessários”, nomeadamente a necessidade de proteger elementos arquitetónicos ou artísticos relevantes, mas nenhum material foi preservado, porque o próprio promotor da empreitada, explicam, garantiu “a sua recuperação e reposição no final da obra”.

Em abril, um grupo de portuenses assinou uma carta aberta ao presidente da câmara, Pedro Duarte, divulgada no jornal Público, apelando à reformulação do projeto para a Aurifícia.

“Destruir solo e vegetação que já escasseiam no centro da cidade para produzir habitação que só uma franja mínima pode pagar não é política de habitação”, pode ler-se na missiva.

De acordo com uma memória descritiva datada de dezembro, anexada ao Pedido de Informação Prévia (PIP) e consultada pela Lusa, na primeira parcela vão ser reabilitados seis edifícios pré-existentes e que estão classificados como Conjunto de Interesse Público.

Dos seis, há dois edifícios que vão ser destinados a habitação, outro a “serviços”, um será adaptado a escritórios, e um edifício que correspondia à casa do proprietário da Companhia, dada a sua “espacialidade única”, vai ser reconvertido num restaurante.

Um sexto edifício, também destinado a escritórios ou comércio, vai resultar da junção de dois edifícios existentes virados para a rua de Álvares Cabral e que até agora funcionavam como armazém e garagens. As fachadas vão ser mantidas, mas o interior vai ser todo reconstruído.

O projeto foi entregue ao gabinete de arquitetura portuense Ventura + Partners e o dono da obra é a Companhia Aurifícia - Sic Imobiliária Fechada, S.A., uma sociedade detida por Vasco Pacheco Couto, que até 2018 pertencia à administração da empresa Telhabel, e pelo investidor suíço Daniel Klein.

A nova rua que será criada vai fazer coexistir circulação viária, ciclável e pedonal, mas o trânsito automóvel vai ser condicionado, estando apenas prevista a passagem de veículos de forças de segurança e proteção civil.

Para além da criação desta nova via, 400 metros quadrados da área a ser cedida ao domínio público estão destinados a áreas verdes, com estacionamento privado, para 252 lugares, em “caves enterradas”.

Em dezembro de 2012, o Governo classificou como Conjunto de Interesse Público a Companhia Aurifícia, referindo tratar-se de um “património excecional” e “o exemplo mais bem preservado e coerente de uma instalação industrial dos séculos XIX-XX na área metropolitana do Porto”.

Segundo uma nota do IGESPAR datada de 2007, a Companhia Aurifícia, na Rua dos Bragas, foi fundada em setembro de 1869, tendo feito parte da industrialização da cidade e produzido ourivesaria e trabalhado no ramo da metalurgia, serralharia ou arte sacra, tendo deixado de laborar em 2006.

O complexo de edifícios, dispostos em ‘L’ em torno de um jardim, é, citando um texto num ‘site’ da Direção-Geral do Património Cultural, “um precioso exemplar da arquitetura industrial portuense oitocentista, conservando fachadas, estruturas, maquinarias e elementos decorativos que fazem dela um dos exemplares da vida industrial”.

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