Comprar ou arrendar casa para morar sozinho é uma das decisões mais importantes que podes tomar. No entanto, apesar das coisas boas, como a liberdade e privacidade, também há aspetos menos positivos com os quais tens de saber lidar.
Falamos especificamente das despesas mensais (e também anuais) de manter uma casa. Por esse motivo, antes de dares esse importante passo, convém saberes exatamente com o que podes esperar, para não seres apanhado/a de surpresa.
Com este nosso guia vais conseguir ter uma melhor noção dos gastos que terás daqui para a frente.
Apura o rendimento disponível
O primeiro passo é saberes com quanto dinheiro poderás contar mensalmente para fazer face aos gastos. No caso de teres apenas uma fonte de rendimento, por exemplo, o teu trabalho, é mais fácil. Se tiveres mais do que uma fonte, como por exemplo, receberes rendas de uma outra tua casa que esteja arrendada, ou de um alojamento local, retornos de investimentos, juros de depósitos a prazo ou apoios sociais, então terás de somar esses rendimentos, subtraindo os respetivos impostos, e assim chegarás ao valor total que terás disponível mensalmente.
Apurares o teu rendimento disponível é essencial para que comeces a ter uma noção daquilo que podes e não podes gastar e, assim, não entrar em elevado esforço financeiro, gastando mais do que aquilo que ganhas. O equilíbrio é fundamental para manteres um saldo positivo.
Despesas de uma casa
Para manter uma casa, seja ela comprada ou arrendada, há que fazer face a vários custos mensais. Alguns deles são fixos, com os quais terás de contar todos os meses, outros igualmente fixos mas que são pagos de ano a ano, e ainda outros custos de valores variáveis.
Despesas fixas
- Prestação de crédito habitação ou renda: esta será, muito provavelmente, a tua maior despesa mensal. Seja uma prestação a pagar ao banco ou uma renda ao senhorio, a habitação leva-nos uma grande percentagem dos nossos rendimentos.
- IMI: esta despesa, que pode ser paga uma vez por ano ou em prestações, corresponde apenas a quem tem casa própria, não aos arrendatários. O valor a pagar deste imposto depende do Valor Patrimonial Tributário (VPT) e da taxa definida pelo município onde se encontra o imóvel.
- Condomínio: este é também um encargo apenas para os proprietários, não para os arrendatários (a menos que fique estipulado no contrato), e apenas para quem mora em prédio ou condomínio fechado. O valor varia conforme as características do edifício e destina-se à manutenção das zonas comuns.
- Seguros obrigatórios: em caso de crédito habitação, é obrigatório teres seguro de vida e seguro multirriscos habitação. Estes podem ser pagos todos os meses, ou trimestralmente, semestralmente ou, até, anualmente.
Despesas variáveis
- Energia, água e telecomunicações: estas despesas variam todos os meses consoante o consumo. Por norma, a conta das telecomunicações até costuma ser fixa, mas pode haver algumas oscilações em caso de consumos extra.
- Pequenas reparações e manutenção de exteriores: de vez em quando, lá surge alguma coisa em casa que precisa ser reparada, como uma parede que necessita de nova pintura, um cano entupido, um eletrodoméstico que se avariou, etc. Além disso, quem tem espaços exteriores como jardim tem também de contar com os custos de corte de relva, limpeza da piscina, entre outros cuidados.
- Obras de conservação: apesar de não ser algo tão recorrente, deves também sempre contar com o facto de, um dia, precisares de investir em obras de conservação e renovação. Por esse motivo, deves sempre ter algum dinheiro de parte para essas ocasiões.
Dicas de poupança nas despesas essenciais
Agora que sabes os gastos com que terás de contar, vamos dar-te algumas dicas para conseguires poupar naquilo que é possível.
Poupar na energia (eletricidade e gás)
- Verifica a potência de eletricidade contratada e, se possível, reduz;
- Compara as tarifas dos diferentes comercializadores;
- Evita deixar aparelhos em ‘standby’;
- Baixa a temperatura do termoacumulador;
- Usa programas ECO nas máquinas de lavar e coloca a lavar apenas com carga completa;
- Opta por luzes LED e, sempre que possível, pela luz natural;
- Investe em eletrodomésticos eficientes;
Poupar no consumo de água
- Reduz o tempo dos banhos;
- Usa redutores de caudal no chuveiro e torneiras;
- Repara fugas de imediato;
- Rega as plantas de manhã cedo ou só à noite;
- Verifica se há consumos estranhos no contador.
Poupar nas telecomunicações
- Faz comparações de preços regularmente;
- Negoceia sempre antes de terminar a fidelização;
- Evita pagar por serviços que não utilizas;
- Se compensar, coloca tudo no mesmo pacote;
- Se possível, opta por um serviço de internet com velocidade mais reduzida;
- Sempre que estiveres em casa usa o Wi-Fi para poupares dados móveis;
- Revê os teus ‘plafonds’ de minutos e dados;
- Aproveita campanhas para novos clientes.
Outras recomendações fundamentais
Além dos truques de poupança, há outros conselhos que não podemos deixar de te dar, sobretudo se és novo/a nesta aventura de ter casa e morar sozinho/a:
- Guarda sempre as faturas e os recibos de qualquer trabalho de manutenção. Isso pode ajudar-te nas deduções fiscais (nos casos em que são aplicáveis);
- Marca as datas dos pagamentos de tudo que não seja por débito direto (como impostos, por exemplo), para não deixares passar os prazos e evitares coimas;
- Aprende o básico de manutenção doméstica para não contratares serviços desnecessários;
- Verifica regularmente a validade de seguros e outros documentos;
- Não ignores sinais de humidade, fugas e outros problemas;
- Confirma sempre as leituras da energia e água;
- Confirma regularmente os valores cobrados por débito direto.
Cria uma reserva de emergência
Por último, mas indispensável, sugerimos-te que tenhas sempre uma reserva de emergência para gastos imprevistos, como obras de grande dimensão (em casa ou do condomínio), avarias de eletrodomésticos ou equipamentos tecnológicos, entre outras coisas.
Todos os meses coloca algum valor de parte para essa reserva. Por muito pouco que seja, ao fim de alguns meses ou anos fará uma grande diferença e terás aí uma “almofada” financeira para te ajudar nessas ocasiões inesperadas.
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