O Montepio Geral, maior associação mutualista do país, fechou 2025 com cerca de 210 milhões de euros aplicados em imóveis destinados à habitação e antecipa que este montante aumente nos próximos anos, à medida que forem avançando os projetos já em curso. Em termos consolidados, o grupo detém cerca de 400 milhões de euros em propriedades de investimento para uso de terceiros, o que corresponde a menos de 2% de um ativo total próximo dos 24 mil milhões de euros.
Segundo o Público, a valorização global da carteira imobiliária, que subiu de 361 para 401 milhões de euros entre 2024 e 2025, resulta sobretudo de reavaliações feitas por peritos independentes, embora tenha havido também vendas com mais‑valias de 32 milhões e novos investimentos.
Entre estes destaca‑se o empreendimento da Quinta do Pinheiro, na Baixa do Porto, um projeto de cinco edifícios com 117 apartamentos (maioritariamente para arrendamento), onde o grupo já investiu cerca de 24 milhões de euros em dois anos. A associação sublinha que “a evolução das propriedades de investimento tem sido positiva e em linha com a estratégia do Grupo Montepio”.
O valor de 209,6 milhões de euros em imóveis habitacionais é, contudo, uma “fotografia” do final de 2025, não o reflexo dos 50 milhões de euros por ano que Virgílio Lima prometeu investir no segmento da habitação para associados, recorda o jornal. Esse compromisso — que inclui construção ou compra de casas para membros, bem como a aquisição de imóveis a reformados para posterior arrendamento aos antigos proprietários – depende do novo regulamento de benefícios, já em vigor, mas cujas novas modalidades mutualistas de habitação (e saúde) só deverão estar totalmente disponíveis em 2026.
O presidente da associação admite que o processo demorou, apontando as interações com a tutela desde 2021, mas rejeita que haja atraso face ao plano.
A oposição interna, liderada por Tiago Mota Saraiva na assembleia de representantes, tem pressionado por uma atuação mais forte na habitação, defendendo que o Montepio deve produzir casas a preços controlados e sem fins especulativos, e não limitar‑se ao crédito bancário ou a investimentos via fundos imobiliários, que não têm missão mutualista.
A mesma fonte lembra ainda que o grupo, com 612 mil associados, registou em 2025 o quinto ano consecutivo de lucros (135 milhões de euros, menos 12% que em 2024) e reforçou capitais próprios para 670 milhões, mas continua sob escrutínio: a auditora PwC questiona a valorização de alguns ativos por via de impostos diferidos e o Governo estuda um novo modelo de supervisão para a associação, hoje fiscalizada pela Segurança Social.
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