Lisboa aprova demolição do antigo Cinema Paris para construir 19 casas

Cinema Paris está devoluto há mais de 40 anos e em estado avançado de degradação. Imóvel não terá habitação de renda acessível.
Demolição de antigo cinema
Antigo Cinema Paris, em Lisboa Google Maps
Lusa
Lusa

A Câmara de Lisboa aprovou esta quarta-feira, dia 17 de junho, a demolição do antigo Cinema Paris, na freguesia da Estrela, que se encontra “em avançado estado de degradação”, para construir um novo edifício, com 19 fogos de habitação.

Em reunião privada do executivo municipal, a proposta do vereador do Urbanismo, Vasco Moreira Rato (independente indicado pelo PSD), foi aprovada com os votos contra de PS, Livre, BE e PCP, e os votos favoráveis do Chega e da governação PSD/CDS-PP/IL, indicou à Lusa fonte oficial da autarquia.

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“A operação urbanística incide sobre um prédio urbano com uma área de 952,94 m2 [metros quadrados], atualmente ocupado com a edificação do antigo Cinema Paris”, lê-se na proposta.

Inaugurado em 1931 na Rua Domingos Sequeira, na freguesia da Estrela, o antigo Cinema Paris encerrou definitivamente em 1985, encontrando-se devoluto há mais de quatro décadas.

O projeto urbanístico prevê a demolição do edifício do antigo Cinema Paris, que está “em avançado estado de degradação”, de acordo com o vereador do Urbanismo, que refere que essa decisão é fundamentada nos pareceres emitidos pelas entidades competentes, destacando-se a Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC), que em 2019 emitiu parecer favorável à desafetação do uso de equipamento.

A proprietária do imóvel, a empresa Sociedade Geral de Cinemas, apresentou em 2017 um pedido de informação prévia sobre a viabilidade da obra, pretendendo construir um novo edifício, “com uma área de implantação de 668,92 m2 e uma área de construção de 5.723,32 m2”, que se desenvolve em sete pisos acima da cota de soleira e três pisos abaixo.

Como vai ser o novo edifício residencial?

Segundo o documento, o edifício proposto tem uma superfície de pavimento de 3.318,76 m2 e destina-se a 19 fogos de habitação e uma fração de comércio, prevendo-se que os pisos em cave, além de arrecadações, se destinem “maioritariamente a estacionamento”, com 37 lugares.

O logradouro do edifício terá 421,72 m2, respeitando o regime da superfície vegetal ponderada, “incluindo uma área de 274,12 m2 de solo orgânico sem construção acima e abaixo do solo”.

Prevê-se a “dispensa integral de áreas de cedências para espaços verdes e de utilização coletiva e para equipamentos de utilização coletiva”, adianta o vereador do Urbanismo, acrescentando que, por isso, o promotor da obra fica sujeito ao pagamento de compensações urbanísticas.

“Quanto à não cedência de áreas destinadas a construção de habitação pública, de custos controlados ou para arrendamento acessível, a sua previsão é indissociável dos compromissos inerentes à programação a que as operações urbanísticas se encontram sujeitas”, indica Vasco Moreira Rato, referindo que, atendendo à data do início do processo - 2017 - e ao respetivo grau de estabilização, a integração de áreas de cedências revela-se “incompatível”.

Neste âmbito, o executivo municipal de Lisboa, liderado por PSD/CDS-PP/IL, que governa com maioria absoluta (após integrar uma eleita do Chega que se desfiliou do partido de extrema-direita), vai emitir “informação prévia favorável” quanto à viabilidade da obra, que é condicionada ao cumprimento de pareceres, incluindo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) “relativamente ao tratamento da empena cega a sul e em matéria de acompanhamento arqueológico”.

Em comunicado, a vereação do BE manifestou “profunda preocupação” com a demolição do antigo Cinema Paris, “um edifício que integra a memória coletiva da cidade e testemunha uma época em que os equipamentos culturais de proximidade desempenhavam um papel central na vida urbana”, considerando que a sua eliminação representa “mais um passo na descaracterização de Lisboa, marcada pela perda contínua de património arquitetónico e cultural, frequentemente substituído por soluções indiferenciadas e orientadas para a valorização imobiliária”.

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