O processo de gentrificação e “turistificação” de Lisboa não é novo, mas tem-se intensificado nos últimos anos, acentuando desigualdades sociais na capital. A valorização imobiliária empurrou famílias e instituições para fora da cidade, substituídas por quem dispõe de maior poder financeiro, num movimento que tem vindo a alterar a paisagem urbana e o tecido social lisboeta. Foi neste contexto, ainda marcado pela pandemia, que nasceu, há cinco anos, o jornal digital A Mensagem de Lisboa, que organizou no passado fim de semana o Festival de Histórias Verdadeiras, no Centro Cultural de Belém (CCB).
Segundo o Público, trata-se de um projeto que surgiu como uma resposta a um clima de desalento crescente, propondo uma narrativa alternativa sobre a cidade – sem negar os problemas, mas evidenciando a vitalidade das comunidades, as iniciativas de bairro e as histórias de quem continua a investir numa Lisboa diversa e vivida à escala humana.
Citada pela publicação, Catarina Carvalho, diretora e cofundadora do jornal digital A Mensagem de Lisboa, disse que há um “desencanto maior com a cidade”. “Percebe-se que, apesar de haver muita vida social e iniciativas comunitárias relevantes, com muitas pessoas a fazer coisas interessantes, algumas estão zangadas porque não conseguem mais morar aqui”, lamenta.
Apesar dos sinais de fragmentação social e da deslocação de população para a periferia, Catarina Carvalho insiste numa visão construtiva: a de uma comunidade de cidadãos que valorizam a cidade e procuram soluções de base local para os desafios urbanos.
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