Investimento comercial no primeiro semestre atinge os 1.420 milhões

Com um crescimento de 11%, Portugal mantém-se entre os 10 países europeus preferidos para investimento imobiliário em 2026.
Investimentos
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Nos primeiros seis meses deste ano, o mercado imobiliário comercial português registou um volume de investimento de 1.420 milhões de euros, representando um crescimento homólogo de 11%, colocando o país entre os dez destinos europeus preferidos para investimento imobiliário em 2026, segundo um inquérito da INREV (European Association for Investors in Non-Listed Real Estate Vehicles).

Neste período, de acordo com o relatório Market Dynamics da JLL, o capital estrangeiro representou 65% das transações e o retalho e a hotelaria concentraram em conjunto cerca de dois terços do montante transacionado, com as vendas a retalho a crescerem 5% até maio e a hotelaria a ter um aumento dos proveitos em 5,7% e um aumento do número de hóspedes em 2,4%.

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No segmento de escritórios, a absorção em Lisboa foi de 66.900 metros quadrados (m2) e no Porto de 15.850 m2, enquanto os espaços industriais e logísticos registaram, em todo o país, uma absorção de 199.100 m2. Para o segundo semestre perspetiva-se uma recuperação gradual. Já no que respeita a rendas, tanto o segmento de escritórios como o de industrial e logística mantiveram trajetórias positivas. O segmento residencial também cresceu nos preços, 14%, apesar de ter registado uma redução nas vendas, de 7%.

Os resultados do primeiro semestre reforçam a capacidade do mercado imobiliário português para continuar a atrair capital num contexto internacional marcado por maior incerteza. Portugal mantém fundamentos sólidos, uma economia estável e uma proposta de valor competitiva à escala europeia, fatores que continuam a sustentar a confiança dos investidores nacionais e internacionais”, afirma, em comunicado, Carlos Cardoso, CEO da JLL Portugal.

A liderança da hotelaria e do retalho demonstra que os investidores continuam a privilegiar setores suportados por tendências estruturais robustas, como o turismo, o consumo e a atratividade internacional do país. Paralelamente, estamos a observar uma recuperação gradual do interesse por outros segmentos, o que permite encarar a segunda metade do ano com confiança”, acrescenta o responsável.

Investimento no primeiro trimestre compensa valores do segundo

Os valores investidos no primeiro e no segundo trimestres têm uma grande diferença entre si. Nos primeiros três meses foram investidos 930 milhões de euros, enquanto no trimestre seguinte o valor investido foi de apenas 490 milhões, com a hotelaria a captar 34% do total, o retalho 32%, o setor industrial e logístico 13%, os escritórios 6% e os remanescentes 7% foram divididos entre a saúde o setor residencial.

Segundo Andreia Almeida, Head of Research da JLL, “a concentração do investimento na hotelaria e no retalho reflete a forte capacidade destes setores para gerar desempenho operacional e captar capital num ambiente mais desafiante”, ao mesmo tempo que se observa “um crescente interesse por classes de ativos alternativos e por estratégias de criação de valor, incluindo projetos de reconversão que respondem às atuais necessidades do mercado”.

O posicionamento de Portugal entre os mercados europeus mais atrativos para investimento continua a ser um importante indicador de confiança. Este reconhecimento deverá contribuir para manter um fluxo relevante de capital internacional, num momento em que o mercado beneficia também de uma maior participação de investidores domésticos”, conclui Andreia Almeida.

Segmento de escritórios regista recuperação gradual

Escritórios
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Lisboa registou uma absorção de 66.900 m2 no primeiro semestre neste segmento, com as rendas prime a manterem-se estáveis nos 32 euros por metro quadrado por mês (euros/m2/mês), enquanto no Porto a absorção foi de 15.850 m2, representando um crescimento homólogo de 46%, e as rendas mantiveram-se 21 euros/m2/mês.

As previsões da JLL apontam para uma aceleração gradual da atividade de ocupação em ambos os mercados nos últimos seis meses do ano.

Hotelaria e retalho com desempenhos robustos

Conseguindo gerar 2.360 milhões de euros em receitas até maio, a hotelaria cresceu 5,7% face ao mesmo período do ano passado e teve um aumento de 2,4% nos hóspedes (12 milhões) e de 1,5% nas dormidas (28,7 milhões). O preço médio diário nacional passou para 154 euros, representando uma subida de 1,8% e elevando o RevPAR para 97 euros (+0,3%), apesar da redução da taxa de ocupação para 63%. Atualmente estão 84 unidades em construção, correspondentes a 7.970 quartos, dos quais 56% inseridos nos segmentos ‘upscale’ e luxo.

As vendas a retalho também cresceram 5% até maio e a procura por espaços de comércio de rua manteve-se elevada em Lisboa e Porto. As rendas prime atingiram 160 euros/m2/mês no Chiado, 65 euros/m2/mês na Avenida dos Aliados e 50 euros/m2/mês nos Clérigos, mantendo-se nos 90 euros/m2/mês na Rua de Santa Catarina.

Rendas em logística continuam sob pressão

Parque logístico
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A atividade ocupacional no segmento industrial e logístico totalizou 199.180 m2, distribuídos por 30 transações, no primeiro semestre, com a logística a representar 82% da atividade, suportada especialmente pela Grande Lisboa que concentrou 52% do volume total, enquanto o Porto representou 25%. 

As rendas prime permaneceram nos sete euros/m2/mês, com aumentos em localizações como a CREL Norte (de quatro euros para 4,5 euros/m2/mês) e a zona Porto de Leixões-Aeroporto (atingindo seis euros/m2/mês).

Residencial: preços aumentam; vendas diminuem

Apesar de o volume de transações ter recuado 7%, para 75.860 unidades, os preços aumentaram 14% no segundo trimestre. As vendas na habitação usada reduziram 10%, já as de habitação nova cresceram 14%. O maior aumento de preços foi em Lisboa, subindo 13% para 5.770 euros/m2, apesar de as transações terem reduzido 11% para 4.080 unidades, enquanto no Porto os preços cresceram 9%, para 4.030 euros/m2, com a mesma redução de 11%, para 2.650 unidades. 

Em termos de oferta, foram concluídos 6.930 fogos (+4%) e licenciados 18.650 (+3%) só no primeiro trimestre.

Procura diversificada faz prever um bom segundo semestre

As perspetivas para o último semestre do ano são positivas, em termos de ocupação e investimento, de acordo com a JLL, como refere Carlos Cardoso: “As perspetivas para a segunda metade de 2026 permanecem favoráveis. O mercado continua a beneficiar de fundamentos sólidos, de uma procura diversificada e de uma crescente atenção a segmentos com elevado potencial de crescimento, como os data centers. Nos mercados ocupacionais, a procura por ativos de qualidade, eficientes e bem localizados continua a sustentar a valorização do produto prime”.

Portugal continua a afirmar-se como um destino imobiliário de referência na Europa, combinando resiliência, competitividade e capacidade de atração de capital. Os indicadores observados no primeiro semestre sustentam uma perspetiva positiva para o conjunto de 2026, tanto ao nível do investimento como da atividade ocupacional”, acrescenta o CEO da JLL Portugal.

Segundo Andreia Almeida, no segmento de escritórios é esperada “uma recuperação gradual da procura em Lisboa e no Porto, à medida que aumenta a confiança dos ocupantes e o enquadramento económico ganha maior estabilidade”, enquanto na logística “os fundamentos permanecem sólidos e a escassez estrutural de oferta moderna deverá continuar a suportar níveis de renda elevados”. 

No retalho e na hotelaria, o foco desloca-se cada vez mais para a qualidade dos ativos, a experiência do consumidor e a diferenciação da oferta. Já no residencial, o desequilíbrio entre oferta e procura continuará a exercer pressão sobre os preços, embora as medidas orientadas para o aumento da produção habitacional possam começar a produzir efeitos progressivos no mercado”, conclui.

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