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Nova moda: usar móveis de cartão para vender casas mais rápido

Doos Box chegou a Portugal com ferramenta útil (e barata) de home staging que promete ajudar a fechar negócios.

Autores: @Frederico Gonçalves, Luis Manzano

A Doos Box “aterrou” em Portugal no início de 2020, antes da pandemia da Covid-19 ter chegado ao país. Trata-se de uma empresa de origem espanhola que comercializa mobiliário de cartão (efémero) para home staging e decoração de interiores. Uma “técnica” que muitos agentes imobiliários estão a usar para dar vida a casas à venda que estão vazias. E é um segmento com pernas para andar, tendo em conta as palavras de Nuno Correia da Silva, representante da Doos Box em Portugal.

“Os móveis de cartão são utilizados tanto com o negócio imobiliário em alta como com o negócio em baixa. Das duas maneiras, o home staging vai ser utilizado, e ainda mais com estes produtos da Doos Box. Acredito que o produto vai cada vez mais continuar a ter aceitação”, tal como adianta o responsável numa entrevista ao idealista/news, gravada numa casa vendida em Lisboa, recentemente, com a ajuda destas técnicas.

Segundo o responsável, o cliente final da Doos Box são os consultores imobiliários, as imobiliárias e também os home stagers, “que acabam por fazer as encenações”. Qual a mais-valia de usar um sofá, uma cama, uma mesa ou cadeiras de madeira na hora de tentar vender uma casa? A explicação de Nuno Correia da Silva surge sem demoras: “Os móveis da Doos Box e a volumetria que a Doos Box dá, com os complementos que o consultor imobiliário ou o home staging possam dar também ao imóvel, vão permitir que a pessoa quando entre num imóvel se sinta em casa. Esta é a grande diferença, é quando um imóvel se transforma numa casa. E o home staging e a Doos Box permitem isso”.

Quanto custa comprar este tipo de produtos? Que móveis de cartão comercializa a Doos Box? São móveis fáceis de montar e desmontar? Quantas vezes podem ser utilizados? Quanto tempo demoram a chegar as encomendas? As respostas a estas e outras perguntas são dadas em baixo, na primeira pessoa, por Nuno Correia da Silva, na reportagem realizada pelo idealista/news que teve um apartamento T2 na zona de Benfica como cenário real - utilizámos também recursos desta reportagem realizada noutra casa em Espanha.

Como usar móveis de cartão para vender casas mais rápido
Nuno Correia da Silva, representante da Doos Box em Portugal.

O que é a Doos Box e quando chegou a Portugal?

A Doos Box é uma empresa espanhola que tem cerca de quatro anos. Está há cerca de um ano em Portugal, desde janeiro de 2020. A ideia de trazê-la para o país foi dos donos, da Silvia Canut e do Victor Benet, que procuraram um parceiro em Portugal de forma a trazerem os produtos da Doos Box para cá para ajudarem os seus clientes a utilizarem estes produtos para o home staging.

Qual é grande finalidade da Doos Box e a quem se destinam os móveis de cartão? 

O cliente final da Doos Box são os consultores imobiliários que queiram trabalhar verdadeiramente os clientes. São as próprias imobiliárias, também, são os home stagers, que acabam por fazer as encenações, como nós dizemos. E por último acaba por ser também o cliente final. Este representa uma franja muito reduzida ainda. Mas em primeiro lugar são efetivamente os consultores imobiliários e os home stagers.

"O cliente final da Doos Box são os consultores imobiliários que queiram trabalhar verdadeiramente os clientes. São as próprias imobiliárias, também, são os home stagers, que acabam por fazer as encenações, como nós dizemos"

Para que servem estas encenações e para que serve o material da Doos Box?

Especificamente para criar volumetria num espaço que esteja vazio. Cerca de 90% da população não consegue ver algo diferente daquilo que está a observar no momento. Então o que faz a Doos Box é ajudar a que as pessoas consigam ver um pouco mais para que o mercado imobiliário não esteja somente, às vezes, a trabalhar para 10% da população, que são aqueles que conseguem olhar para uma casa vazia e imaginá-la com os seus móveis, por exemplo.

O público-alvo da Doos Box são, então, os mediadores imobiliários e os home stagers. E os clientes particulares também usam o mobiliário da Doos Box?

O grande público-alvo são efetivamente os mediadores imobiliários e os home stagers, que cada vez mais estão a aparecer em Portugal e a fazer um excelente trabalho. Os clientes particulares ainda são uma franja muito curta, não chega a 10%. Os consultores imobiliários e os home stagers são 90% dos nossos clientes.

Quando diz consultores imobiliários está a falar de todas as redes imobiliárias que existem no país ou há alguns agentes e/ou mediadoras mais atentas a este nicho de mercado?

Nós trabalhamos para todas as redes imobiliárias e até para consultores que fazem parte das chamadas imobiliárias locais, que acabam também por ter acesso aos nossos produtos. Mas como o mercado está “na mão” de duas ou três redes, acabam por ser essas que trabalham mais connosco.

Prateado - Rita de Miranda
Prateado - Rita de Miranda

Que tipo de móveis é possível montar com os produtos da Doos Box?

Os produtos da Doos Box servem para toda a casa. O quarto, a sala e se calhar o escritório são aquelas áreas onde os produtos têm mais apetência. Ou seja, num quarto conseguimos fazer a volumetria daquilo que é necessário com uma cama, com as mesas de cabeceira, com as cómodas, etc. Numa sala, por exemplo, a mesma coisa com o móvel da televisão, com o sofá, com a mesa de jantar, com as cadeiras… E o escritório a mesma coisa, com uma mesa de escritório e as cadeiras. São estas as divisões que acabamos por trabalhar mais.

Estamos a falar de móveis de cartão. É um tipo cartão específico, certo?

Os móveis são feitos num cartão canelado, resistente, que podem ser reutilizados. Quando é feito um home staging com móveis de cartão, eles são colocados de novo, após o home staging, na sua forma original, que é uma placa fininha. E depois podem ser reutilizados. São de um cartão bastante grosso e resistente. 

Os móveis de cartão têm velcros que permitem que o cartão ganhe forma. Ou seja, a volumetria é toda feita com desdobramento do cartão, que se cola através de velcros e volta a poder desdobrar-se. É reutilizável para muitas utilizações.

Qual é a durabilidade dos móveis de cartão da Doss Box?

Não temos ainda uma perspetiva de anos que os móveis duram, porque estamos no mercado há um ano e pouco em Portugal, mas as pessoas que os compraram logo no início ainda estão a utilizá-los e já fizeram vários home stagings com os mesmos móveis. Depende também do cuidado que a pessoa tem em montar e desmontar, e o desmontar é que é o grande segredo, para não estragar. Mas acredito que será possível fazer muito facilmente cerca de 10, 15 home stagings com os móveis de cartão.

"Será possível fazer muito facilmente cerca de 10, 15 home stagings com os móveis de cartão"

São peças de mobiliário que se montam facilmente, certo?

A montagem do mobiliário é muito simples. Muitas das vezes para fazer um sofá são três caixas e mais três pormenores, que são as duas laterais e a parte de trás. Monta-se em cinco minutos. Uma cama monta-se em três, quatro minutos, portanto é tudo muito rápido

Além das instruções virem em cada um dos itens com o código QR, em que a pessoa que compra pode ver o vídeo explicativo assim que colocar o código QR, é algo que é muito intuitivo e mais fácil de montar que um outro móvel de qualquer marca. É muito mais simples e reutilizável.

Prateado - Rita de Miranda
Prateado - Rita de Miranda

Quanto pode custar este tipo de mobiliário?

Os preços situam-se entre, como nós chamamos, um kit compacto, que dá para fazer um T1 ou um T2, na ordem dos 300 e qualquer coisa euros, não chega a 400 euros, e um kit de vivenda, para mobiliar um T3, não chega a 500 euros. E estamos a falar de algo que é reutilizável, ou seja, pode ser feita a encenação de um espaço e depois fazer a encenação de outro. Ou seja, dá um valor muito baixo. Dizemos sempre que o valor do investimento no home staging tem de ser sempre muito menor que o valor da desvalorização de qualquer imóvel por não ter home staging. Isto é feito mesmo para que seja algo em conta e não ser algo caro. Daí os móveis de cartão também “serem baratos”, se pudermos dizer, para a função que têm.

"Os preços situam-se entre, como nós chamamos, um kit compacto, que dá para fazer um T1 ou um T2, na ordem dos 300 e qualquer coisa euros, não chega a 400 euros, e um kit de vivenda, para mobiliar um T3, não chega a 500 euros. E estamos a falar de algo que é reutilizável"

Poderá haver cada vez mais profissionais do setor a utilizar esta técnica de home staging?

Tendencialmente vai crescer cada vez mais. O home staging é uma técnica que veio para ficar, é um comboio que saiu dos EUA há cerca de 50 anos e que chegou a Portugal há mais ou menos 10, 11 anos.

Este tipo de utensílios para a valorização da casa vão ser cada vez mais utilizados, porque o consumidor hoje em dia tem acesso a tudo o que existe no mercado. Ou seja, pega no telefone e vê as casas todas que quiser na zona onde estiver. E são aquelas que chegarem à sua emoção, ou com a qual ele tiver uma ligação, que vai querer visitar. E essa ligação faz-se através do home staging. Faz-se através das características do imóvel, mas o home staging é uma peça vital, porque o visual está lá sempre. 

Os móveis de cartão, pela opção barata que é e pela volumetria que permitem criar, vão ser cada vez mais uma peça essencial para que o home staging seja feito e para que o sucesso da venda aconteça mais rápido e a um melhor preço.

Como se processam as encomendas dos móveis de cartão? 

A encomenda é muito simples. Basta ir ao site, escolher o que é necessário, fazer o registo e depois a partir daí todos os passos estão indicados. No site é muito simples fazer o registo e a encomenda, e em quatro, cinco dias úteis o material está em Portugal. O produto chega a Portugal depois do pagamento e vem por transportadora para a morada que o cliente designar na compra.

"Os móveis de cartão, pela opção barata que é e pela volumetria que permitem criar, vão ser cada vez mais uma peça essencial para que o home staging seja feito e para que o sucesso da venda aconteça mais rápido e a um melhor preço"

Há algum artigo/móvel que possa ser usada pelo proprietário? É possível uma pessoa sentar-se, por exemplo, num sofá? 

O mobiliário de cartão não é feito para nosso usufruto, é feito para a encenação, mas talvez o sofá ou um puff possam aguentar com uma pessoa, mas uma cama já não. Os produtos são mesmo feitos para a encenação, ou seja, para a pessoa perceber qual é a dimensão do espaço em que está, efetivamente, e perceber a volumetria: quanto é que ocupa uma mesa, um sofá ou cama num quarto, por exemplo. 

A pandemia teve ou está a ter impacto no negócio da Doos Box?

A pandemia atrasou um pouco o início, porque acabou por haver um retrocesso no processo que estávamos a implementar em Portugal. Mas o que acontece a seguir é que com a própria resiliência do mercado e com aquilo que os consultores imobiliários acabaram por fazer, o home staging voltou a ressurgir, logo começaram a surgir, ali por maio de 2020, de novo as encomendas para os consultores fazerem os seus home stagings. Ou seja, atrasou-nos um bocado no início, mas paulatinamente o mercado voltou a ressurgir.

Prateado - Rita de Miranda
Prateado - Rita de Miranda

O que esperar do negócio da Doos Box num cenário pós-pandemia?

O negócio imobiliário está bem, está-se a mexer bem, como nós costumamos dizer. E o home staging é interessantíssimo. E estes produtos também, porque são utilizados tanto com o negócio em alta como com o negócio em baixa. Das duas maneiras, o home staging vai ser utilizado, e ainda mais com estes produtos da Doos Box. Acredito que o produto vai cada vez mais continuar a ter aceitação.

Fale-nos um pouco, em números, do negócio e/ou da atividade da Doos Box em Portugal?

Face ao ano passado, tivemos já um crescimento de mais de 50% em termos de vendas dos móveis de cartão. O que acontece é que muitos dos consultores que compraram a primeira vez já compraram a segunda, porque têm mais que uma casa que precisam de encenar. E quem utilizou uma vez já está a utilizar mais vezes. Esses consultores acabaram por falar a outros colegas, portanto o crescimento também veio muito daí. Estamos a crescer muito pelo “boca a boca”, porque ainda não conseguimos trabalhar bem o nosso marketing. Mas efetivamente já ultrapassámos os 50% de crescimento do ano passado para este ano e ainda não acabámos o ano de 2021. Presumo que o ano acabe com mais de 70% de crescimento, o que é muito interessante para nós.

"Face ao ano passado, tivemos já um crescimento de mais de 50% em termos de vendas dos móveis de cartão. (...) Presumo que o ano acabe com mais de 70% de crescimento, o que é muito interessante para nós"

A Doos Box tem concorrência em Portugal?

Há outros players no mercado a fazerem este tipo de produto, com outras características, se assim pudermos dizer, outra tipologia de produtos. Nós acabamos por complementar muitas das coisas, e muitas vezes há consultores imobiliários que dizem que compraram algo de outra marca e agora precisam de algo da nossa marca também para complementar, e isso é interessante, porque nós queremos segmentar numa determinada realidade e há outros players que estão a fazer outra. 

Há um plano de expansão em vista? A Doos Box pode chegar a outros países?

Neste momento temos Portugal, Espanha e França e a ideia será crescer um pouco mais. A única dificuldade que muitas vezes existe é o transporte do produto. Somente quando houver fábricas locais que tenham o protocolo com a Doos Box para produzir os móveis é que poderá haver, se calhar, a expansão para o outro lado do Atlântico, por exemplo. Mas para já na Europa trabalha-se em Espanha, Portugal e França e o crescimento também em primeiro lugar vai ser feito para a Europa.

Que mensagem gostaria de deixar às pessoas que não conhecem a técnica do home sataging e a empresa Doos Box?

O home staging é um comboio, como já referi, que saiu dos EUA há 50 anos, criado por uma senhora chamada Barb Schwarz. O que acontece é que a maioria das pessoas quando visitam um apartamento vazio não percebem bem que possibilidades é que têm ali. O que o home staging dá é a possibilidade das pessoas também se visualizarem, se imaginarem num espaço. Isso é algo que cada vez mais vai ser necessário, porque apresentar uma casa vazia será cada vez mais difícil: as pessoas vão preferir sentir-se em casa quando visitam uma do que a verem vazia. 

A mensagem que deixo é: o cliente gosta de ser cuidado, mimado e de perceber de que forma é que se vai sentir bem em determinado local, e o home staging proporciona isso, porque trabalha as emoções. Os móveis da Doos Box e a volumetria que a Doos Box dá, com os complementos que o consultor imobiliário ou o home staging possam dar também ao imóvel, vão permitir que a pessoa quando entre num imóvel se sinta em casa. Esta é a grande diferença, é quando um imóvel se transforma numa casa. E o home staging e a Doos Box permitem isso.