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"Taxas variáveis num crédito à habitação são como jogar na roleta russa", avisa especialista

Autores: Tânia Ferreira, Luis Manzano, @Frederico Gonçalves

Estás a pensar em comprar casa e pedir um empréstimo ou trabalhas no setor imobiliário? Então não poderás deixar de ler esta entrevista do idealista/news a Pedro Pereira, diretor de marketing da UCI - instituição financeira especializada na concessão de crédito à habitação. Fazendo uma análise do mercado, o especialista aponta também os cuidados a ter na hora de contratar um financiamento para a aquisição do lar.

Este ano vai ser o melhor dos últimos cinco e vamos estar a níveis de 2011 em crédito à habitação. 

Que balanço faz do mercado de crédito à habitação este ano?

Está numa ótica de crescimento, com uma subida na ordem dos 60%, em dados redondos, estando a crescer continuamente do ano passado para este e do anterior para o outro antes.

O ano passado foi muito bom, mas havia uma grande expectativa de todos os atores do mercado sobre como é que seria 2016. E a verdade é que, mês após mês, o mercado tem-se revelado com um comportamento positivo, os operadores estão bastante otimistas e há aqui claramente um marco que vai ser conseguido: este ano vai ser o melhor destes últimos cinco e vamos estar a níveis de 2011 em crédito à habitação. 

Mas ainda aquém dos valores de antes da crise...

Sim, ainda vai tardar para chegar a esse nível. Mas o bom é continuarmos a crescer, com um crescimento sólido e continúo, que devolve à mediação imobiliária uma pesada responsabilidade para continuar a providenciar aos clientes um serviço que lhes dê confiança e que a banca continue também a trabalhar nesse sentido.  Ou seja, continuar a dar soluções com responsabilidade para que os clientes comprem casa, com muito mais segurança e confiança, e muito mais confiança do que existia no passado.

Este clima de alguma recuperação económica e confiança no setor financeiro faz com que as pessoas decidam voltar a comprar casa. 

O que explica este crescimento?

Creio que assenta num aumento de clientes que compram casa. Houve um período de estagnação, em que as pessoas devido à incerteza que se vivia no país não tomavam decisões e adiavam os seus projetos, e este clima de alguma recuperação económica e confiança no setor financeiro faz com que as pessoas comecem a concretizar os seus planos há muito adiados e decidam pela compra de casa. 

As baixas taxas de juro também estão a ajudar a esta recuperação?

A Euribor está em mínimos históricos e isso para quem vai comprar casa é, sem dúvida, uma mais valia, porque o encargo mensal da prestação vai ser bastante mais reduzido, do que era há três ou quatro anos. 

Os bancos têm procurado trocar os contratos baseados em taxas variáveis indexadas à Euribor por taxas fixas. Como avalia esta estratégia?

Portugal, em linha com os restantes mercados do Sul da Europa, são tradicionalmente mercados de taxa variável, representando quase sempre à volta de 90% do total. Contrariamente, nos países nórdicos tínhamos quase o inverso. Fruto da crise de 2008, as taxas de juro fixas começaram então a surgir para reduzir a incerteza dos clientes. 

E acreditamos que tanto as taxas de juro mistas como as fixas são hoje em dia as melhores opções para os nossos clientes. As taxas variáveis são como apostar numa roleta russa, porque ninguém sabe prever qual vai ser o comportamento futuro da Euribor, enquanto nas soluções de taxas mista e fixas o cliente tem claramente a certeza de como vai ser o seu orçamento pelo menos no que toca à prestação da casa, nos próximos três ou 30 anos.

Acreditamos que tanto as taxas de juro mistas como as fixas são hoje em dia as melhores opções para as famílias portuguesas.

Por outro lado, também o maior uso de taxas fixas ou mistas também é positivo para o setor financeiro, porque consegue gerir muito melhor os seus clientes e ajudá-los a eliminar a incerteza.

O que se pode esperar de 2017 em termos de crédito à habitação?

A única coisa que posso dizer é que toda esta onda de otimismo de 2015 e 2016 não nos ilude, mas permite-nos ter alguma confiança. Ter aqui um ciclo de crescimento e de boas performances não só ao nível do mercado, mas também da UCI, faz-nos ter a confiança de que o mercado ainda está disponível para continuar a crescer.

Creio que os operadores do mercado estão com confiança e acho que o crescimento virá se os clientes continuarem a manter a confiança que têm demonstrado nos últimos anos ao setor financeiro e tomarem as suas decisões de concretizar as compras dos seus imóveis. 

Toda esta onda de otimismo de 2015 e 2016 não nos ilude, mas permite-nos ter alguma confiança em 2017.

Que conselhos daria a quem quer comprar casa e pedir um empréstimo?

Em primeiro lugar, recomendaria, de forma a reduzir a sua exposição ao crédito, ter algum capital de poupança que permita não só a redução do crédito, como também obter melhores condições financeiras na contratação de um crédito à habitação. Em segundo lugar, optar por soluções de taxas de juro fixas, se não mistas, de forma a conseguir-se ter mais segurança no futuro e a gerir orçamento com mais rigor. As soluções integradas ajudarão sem dúvida na gestão de qualquer família.