Dois terços das pessoas só acaba de pagar a casa depois dos 70 anos

Banco de Portugal (BdP) impôs limites às maturidades dos novos créditos habitação. Regras já entraram em vigor.
crédito habitação
Pexels

Quase dois terços das pessoas com crédito habitação em Portugal só vai acabar de pagar a casa depois dos 70 anos. As contas são do Banco de Portugal (BdP) e constam do relatório de acompanhamento da recomendação macroprudencial que vem impor novos limites de idade dos mutuários e respetivos prazos para os novos créditos habitação e ao consumo. A partir de hoje, 1 de abril de 2022, quem quiser contratar um crédito habitação vai deparar-se com regras mais apertadas.

“Atendendo ao envelhecimento da população portuguesa e à redução significativa do rendimento dos mutuários na passagem da vida ativa para uma situação de reforma, não obstante a redução de despesas que poderá ocorrer, a elevada concentração de empréstimos em mutuários com idade superior a 70 anos no termo do empréstimo poderá constituir um risco para o sistema financeiro“, diz o BdP no relatório.

Publicidade

De acordo com o regulador, no final de 2021, “quase dois terços do stock de empréstimos à habitação estava associado a devedores cuja idade no termo do empréstimo será superior a 70 anos e cerca de um quarto estava associado a devedores cuja idade será superior a 75 anos”. “A maior parte destes mutuários contraiu os seus empréstimos entre os 27 e os 40 anos de idade”, lê-se ainda no documento.

Para o BdP, a concessão de empréstimos com maturidades muito longas faz com que, muito frequentemente, “o termo dos empréstimos ultrapasse a vida ativa dos mutuários”, daí a importância, também, da adoção de limites à maturidade dos novos créditos habitação.

Crédito habitação com novas regras

O regulador reconhece que, em 2021, as instituições de crédito continuaram a respeitar as orientações relativas à maturidade máxima do crédito habitação e ao consumo e aos pagamentos regulares de capital e juros. No entanto, e apesar de o limite máximo à maturidade das novas operações de crédito à habitação estar a ser cumprido, a “maturidade média das novas operações de crédito habitação fixou-se, em dezembro de 2021, em cerca de 32,5 anos, permanecendo significativamente acima de 30 anos, limiar a atingir no final de 2022”. Segundo o relatório, cerca de metade dos novos créditos à habitação apresentam maturidades entre 35 e 40 anos.

De forma a precaver riscos, o BdP decidiu alterar novamente a recomendação, reduzindo a maturidade máxima dos novos contratos de crédito habitação, tendo em vista promover a convergência da maturidade média destes créditos para 30 anos até ao final de 2022, como previsto desde 2018. Assim, e com efeitos a partir desta sexta-feira, são recomendados os seguintes limites à maturidade máxima dos novos contratos de crédito habitação:

  • 40 anos, para mutuários com idade inferior ou igual a 30 anos;
  • 37 anos, para mutuários com idade superior a 30 anos e inferior ou igual a 35 anos;
  • e 35 anos, para mutuários com idade superior a 35 anos.

O BdP adianta que continuará a monitorizar os critérios de concessão de crédito e o cumprimento da recomendação e avisa que "poderá adotar medidas adicionais que considerar adequadas para atingir o objetivo de convergência da maturidade média dos novos contratos de crédito à habitação para 30 anos".

Para poder comentar deves entrar na tua conta