Taxa mista perde fôlego para variável no crédito habitação: porquê?

Novo relatório do idealista revela também que a garantia pública está a impulsionar financiamento nos empréstimos da casa no país.
Crédito habitação em 2025
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A contratação de créditos habitação em Portugal seguiu de vento em popa ao longo do ano passado. Os jovens reforçaram a compra de casas com a ajuda da garantia pública, o que acabou por elevar os níveis de financiamento bancário e diminuir a idade média dos compradores. E as taxas mistas também voltaram a ser as mais contratadas. Mas aqui houve uma mudança entre 2024 e 2025: as taxas mistas começaram a perder terreno para a taxa variável ao longo do ano, numa altura em que a Euribor tem estabilizado pouco acima de 2%.

Um dos dados que salta à vista no Relatório Anual do Mercado de Crédito Habitação 2025, elaborado pelos intermediários de crédito do idealista, diz respeito às taxas contratadas: a taxa mista continuou a ser a mais escolhida – até por dar estabilidade nas prestações no curto prazo -, mas perdeu peso no total de contratos formalizados, passando de 83% em 2024 para 79% em 2025. 

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O que os dados também mostram é que a taxa mista perdeu terreno para a taxa variável, que passou a pesar 13% dos novos créditos habitação contratualizados em 2025, mais 4 pontos percentuais (p.p.) do que um ano antes. O mesmo se nota a nível trimestral: a percentagem de créditos habitação contratados a taxa variável subiu de 5% no final de 2024 para 17% no quarto trimestre de 2025. Em contrapartida, os empréstimos a taxa mista caíram de 82% para 76% (ou seja, menos 8 p.p.) entre estes dois momentos. 

Mas por que motivo é que as taxas variáveis ganharam terreno às taxas mistas? A verdade é que ao longo dos últimos dois anos as taxas Euribor desceram muito para todos os prazos, passando de 3,5%-4% no início de 2024 para 2%-2,3% no final de 2025, uma trajetória incentivada pelos sucessivos cortes dos juros diretores decididos pelo Banco Central Europeu. Isto quer dizer que contratar créditos habitação a taxa variável (que resulta da soma da Euribor com o spread) tornou-se bem mais acessível e atrativo neste período.

Mas há mais. Os dados dos Banco de Portugal (BdP) revelam que as taxas mistas e variáveis (médias) nos novos créditos habitação aproximaram-se muito ao longo de 2025. Em novembro, a taxa mista fixou-se em 2,73% ficando pouco abaixo da média da taxa variável de 2,81%. Um ano antes a taxa mista estava em 3,07% e a taxa variável bem acima (3,98%).

Os dados do BdP sugerem, assim, já não compensa tanto como no passado contratar taxas mistas por serem mais baratas. O que poderá continuar a pesar na decisão é o facto de as taxas mistas oferecerem uma estabilidade no curto prazo, uma vez que fixam os juros no período inicial do contrato seguido de um período variável. 

É isso mesmo que diz Miguel Cabrita, responsável pelo idealista/créditohabitação em Portugal: "As taxas mistas a prazos mais curtos estão a preços muito próximos das taxas variáveis, portanto a decisão passa por procurar uma estabilidade a dois ou três anos face a estar exposto à Euribor".

Garantia pública para jovens impulsiona financiamento na habitação 

Outro ponto que se destaca no relatório anual do idealista/créditohabitação é o aumento do peso dos jovens até aos 35 anos na contratação de empréstimos para comprar casa, que passou de 37,4% em 2024 para 50,6% em 2025. Este crescimento acabou por descer a idade média de todos os contratos formalizados de 39 anos para 37 anos entre estes dois momentos. E coincide com o reforço dos apoios públicos destinados a esta faixa etária. 

Enquanto em 2024 os jovens tinham direito apenas à isenção de IMT na aquisição da sua primeira habitação própria e permanente, a partir do início de 2025 passaram a ter também acesso à garantia pública. E esta garantia do Estado, que permite financiamentos a 100%, teve elevada adesão, passando a representar 17,8% dos novos contratos formalizados pelos intermediários de crédito do idealista durante o ano passado. 

Esta mudança acabou por influenciar os dados gerais do financiamento bancário, aumentando-o. Os financiamentos superiores a 80% passaram a representar mais de metade dos créditos habitação em 2025, enquanto um ano antes representavam 40% do total. Ao nível do financiamento médio também se notou uma subida de 75% no final de 2024 para 81% no último trimestre de 2025.

Tudo isto também influenciou o aumento do montante médio dos créditos habitação formalizados, que se fixou em 213.712 euros no final de 2025, mais 12% que um ano antes. Trata-se mesmo do maior valor médio de empréstimos habitação registado desde 2022, influenciado igualmente pelo atual contexto de rápida subida de preços das casas.

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