A procura por crédito habitação continua robusta em Portugal, sobretudo, por parte dos jovens com menos de 35 anos que têm acesso à garantia pública e à isenção de IMT na compra da sua primeira casa. E este cenário reflete-se no valor total de empréstimos habitação concedido pela banca, que atingiu 113,6 mil milhões de euros no final de março, mais 10,6% face a um ano antes. Este é mesmo um dos maiores valores de sempre registados pelo Banco de Portugal (BdP).
O stock de empréstimos para habitação atingiu 113,6 mil milhões de euros no final de março, mais 1,2 mil milhões de euros face ao mês anterior e mais 10,6% em comparação com o mês homólogo, revelou o regulador português esta quarta-feira, dia 29 de abril.
Olhando para o horizonte destes dados do BdP, que remontam a 1979, observa-se que o montante total de empréstimos habitação em março é um dos maiores valores de sempre, tendo sido apenas superado durante alguns meses de 2011, ano em que a fasquia foi elevada para cima de 114 mil milhões.
Este alto valor acumulado de créditos habitação em Portugal pode ser explicado por um conjunto de fatores. Desde logo, os preços das casas têm vindo a aumentar a dois dígitos, elevando os montantes dos créditos. Por outro lado, as taxas de juro (ainda) acessíveis viabilizam muitos negócios. A somar a tudo isto, há ainda os incentivos aos jovens para comprarem a sua primeira casa, como a isenção de IMT e a garantia pública. Esta última medida, ao permitir financiamentos a 100%, também eleva os montantes solicitados, com o BdP a alertar para os riscos que daí advêm.
Na mesma publicação, o banco central liderado por Álvaro Santos Pereira revela ainda que “a taxa de variação anual [de 10,6%] dos empréstimos para habitação foi a mais elevada desde fevereiro de 2003”. E que esta taxa está acima da média da área euro (2,9%), algo que se verifica desde agosto de 2024.
Créditos às empresas de construção e imobiliário a crescer
“No final de março de 2026, o stock de empréstimos concedidos pelos bancos às empresas atingiu 75,7 mil milhões de euros, mais 1,2 mil milhões do que no final de fevereiro”, lê-se ainda no boletim. O aumento anual foi de 5,6% tendo acelerado face ao mês anterior. “Trata-se da taxa de variação mais elevada desde julho de 2021, quando vigoravam linhas de apoio no âmbito da pandemia de Covid-19”, explica.
Ao nível setorial, o BdP detalha que o crédito ao setor da construção e atividades imobiliárias continuou a acelerar, atingindo uma taxa de variação anual de 11,6% (10,3% em fevereiro).
“Nos setores do comércio, transportes e alojamento, a taxa de variação anual aumentou para 5,1% (4,3% em fevereiro). Em termos homólogos, o crédito ao alojamento e restauração e ao comércio cresceu 5,7% e 6,8%, respetivamente, enquanto o crédito ao setor dos transportes e armazenagem diminuiu 0,7%”, refere ainda.
Além disso, o setor das indústrias e eletricidade apresentou uma taxa de variação anual positiva de 0,9%, após -2,4% em fevereiro.
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