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Pandemia ameaça aumentar desigualdades entre mulheres e homens, alerta FMI

“É crucial que os decisores políticos adotem medidas para limitar as cicatrizes da pandemia nas mulheres”, aponta o FMI.

Dane Deaner on Unsplash
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Autor: Lusa

A pandemia de Covid-19 ameaça reverter ganhos relativos às oportunidades económicas das mulheres e aumentar desigualdades de género, que persistem após 30 anos de progresso. O alerta foi dada esta terça-feira (21 de julho de 2020) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), num 'post' do blogue da entidade, assinado pela diretora-geral Kristalina Georgieva e pelas economistas Stafania Fabrizio, Cheng Hoon Lim e Marina M. Tavares.

No documento, pode ler-se que no combate à pandemia “o que é bom para as mulheres é bom, em última instância, para abordar desigualdades de rendimentos, crescimento económico e resiliência”. Segundo a Lusa, que cita a nota, o FMI considera que “políticas bem desenhadas para fomentar a recuperação podem mitigar os efeitos negativos da crise nas mulheres”.

De acordo com o FMI, a pandemia teve “efeitos desproporcionados nas mulheres e no seu estatuto económico”, devido, pelo menos, a quatro fatores.

“Primeiro, é mais provável as mulheres trabalharem em setores sociais - serviços como indústrias, retalho, turismo e hospitalidade - que requerem interações cara-a-cara, do que os homens", sendo que “esses setores são os mais afetados pelas medidas de distanciamento social e medidas de mitigação”.

Nos EUA, por exemplo, o desemprego nas mulheres “foi dois pontos percentuais superior ao dos homens entre abril e junho”, sendo que, devido às especificidades dos seus empregos, “o teletrabalho não é uma opção para muitas mulheres”. “Nos EUA, cerca de 54% das mulheres que trabalham em setores sociais não podem 'teletrabalhar'. No Brasil, a percentagem é de 67%. Nos países de baixos rendimentos, no máximo cerca de 12% da população pode trabalhar remotamente”, aponta o FMI.

Em segundo lugar, “é mais provável que as mulheres trabalhem no setor informal nos países de baixos rendimentos”, refere a entidade, que assinala que este tipo de trabalho – “por vezes compensado em numerário sem fiscalização oficial” – deixa as mulheres "com menores rendimentos, sem proteção das leis laborais e sem benefícios como pensões ou seguros de saúde".

O terceiro fator apontado pelo FMI é que “as mulheres tendem a fazer mais trabalho doméstico que os homens, cerca de 2,7 horas por dia”, visto que “carregam as consequências de responsabilidades nos cuidados familiares resultantes de medidas de confinamento, como o fecho de escolas e cuidados com pessoas mais velhas”.

O quarto ponto salientado pelo FMI é que as pandemias colocam as mulheres mais sujeitas a perder capital humano, ou seja, “em muitos países em desenvolvimento, jovens raparigas são forçadas a abandonar a escola e a ir trabalhar para gerarem sustento para a família”.

Portugal um exemplo a seguir

O FMI considera “crucial que os decisores políticos adotem medidas para limitar as cicatrizes da pandemia nas mulheres”, como o “aumento de apoios para os mais vulneráveis, preservação de ligações ao emprego, equilíbrio entre vida profissional e familiar, melhoria de acesso a cuidados de saúde e mais apoio a pequenos negócios e sócios-gerentes”.

Como exemplo, o fundo assinala que a Áustria, Itália, Portugal e Eslovénia introduziram um direito de baixa parcialmente paga para os pais com crianças abaixo de uma dada idade, e a França expandiu a baixa para os pais impactados pelo fecho das escolas.