Inflação em Portugal atinge 10,1% em outubro, confirma INE

Esta foi a taxa mais alta desde 1992. Preços do gás mais do que duplicaram e as despesas com a habitação subiram 18,5% num ano.
Inflação em Portugal a subir
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Confirma-se: a inflação em Portugal fixou-se acima dos 10% em outubro. Segundo os dados confirmados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta sexta-feira, dia 11 de novembro, a inflação situou-se em 10,1% no mês passado, menos 0,1 pontos percentuais (p.p) do que a estimativa rápida divulgada em outubro. Ainda assim, a subida dos preços registada em outubro continua a ser a mais elevada desde maio de 1992. Os aumentos dos preços nos produtos energéticos e alimentares continuam a explicar boa parte desta evolução.

“A variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi 10,1% em outubro de 2022, taxa superior em 0,8 p.p. à registada no mês anterior e a mais elevada desde maio de 1992. Com arredondamento a uma casa decimal, esta taxa é inferior em 0,1 p.p. à estimativa rápida divulgada a 28 de outubro”, lê-se no boletim do INE publicado esta sexta-feira.

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Em outubro, o índice relativo aos produtos energéticos aumentou para 27,6% (22,2% no mês precedente), enquanto o índice referente aos produtos alimentares não transformados acelerou para 18,9% (16,9% em setembro), dizem ainda.

Olhando para as classes das despesas, o gabinete de estatística português destaca a subida de preços, em termos homólogos nas seguintes categorias:

  • Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis: subiram 18,5% num ano;
  • Bens alimentares e bebidas não alcoólicas: aumentaram 18,6%;
  • Gás natural: variação de homóloga de 151,8%. Ou seja, os preços do gás mais que duplicaram num ano.

Por outro lado, os preços nos restaurantes e hotéis e bens e serviços diversos abrandaram para, respetivamente, 16,3% e 2,6% (17,7% e 3,0% no mês anterior).

Mesmo excluindo os produtos alimentares não transformados e os produtos energéticos, a inflação subjacente manteve a tendência de subida dos meses anteriores, registando uma variação de 7,1% (6,9% em setembro).

Em relação ao mês anterior, a inflação em Portugal subiu 1,2% (valor idêntico no mês precedente e 0,5% em outubro de 2021). Já a variação média dos últimos doze meses foi 6,7% (6,0% em setembro).

Inflação em Portugal continua abaixo da Zona Euro

O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português apresentou uma variação homóloga de 10,6%, superior em 0,8 p.p. à do mês anterior. Este é o indicador de inflação que é utilizado na comparação entre os diversos países da União Europeia. E “diferencia-se do IPC devido à inclusão, na estrutura de ponderação do IHPC, da despesa realizada pelos não residentes, parcela esta excluída do âmbito do IPC”, explicam desde o INE.

Em outubro deste ano, taxa de variação homóloga do IHPC português foi inferior em 0,1 p.p. à da área do Euro, isto tendo como referência a estimativa do Eurostat.

Excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos, o IHPC em Portugal atingiu uma variação homóloga de 8,0% em outubro (7,9% em setembro), superior à taxa correspondente para a área do Euro (estimada em 6,4%). Assim, a inflação em Portugal manteve “o perfil ascendente verificado nos últimos meses, situando-se acima da média da área do Euro desde janeiro de 2022”, refere o INE.

O IHPC registou uma variação mensal de 1,1% (1,3% no mês anterior e 0,4% em outubro de 2021) e uma variação média dos últimos doze meses de 6,9% (6,2% no mês precedente).

Preços altos no supermercado
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Qual será a inflação em Portugal e na Zona Euro no final de 2022? E no futuro?

As contas finais só vão ser conhecidas no início do próximo ano. Mas a Comissão Europeia (CE) tem feito previsões sobre esta matéria. Esta sexta-feira, reviu em alta a previsão da taxa de inflação em Portugal este ano, para 8%, mais pessimista que a estimativa de 7,4% do Governo. Ainda assim, está abaixo da estimativa de inflação na Zona Euro, de 8,5%.

Numa altura de acentuada crise energética e em que os preços da energia pressionam a inflação, o executivo comunitário revê em alta as estimativas sobre a IPC, que no caso de Portugal se fixa nos 8% este ano, caindo para 5,8% em 2023, segundo as previsões macroeconómicas divulgadas.

Estas percentagens comparam com uma previsão de taxa de inflação na Zona Euro de 8,5% este ano e de 6,1% no próximo. E de, respetivamente, 9,3% e de 7% para o conjunto da União Europeia, de acordo com os mesmos dados. Estas previsões constituem novos máximos históricos da inflação para 2022.

Só em 2024 é que a CE admite que a inflação possa cair para níveis mais estáveis: na Zona Euro para 2,6% e na UE para 3,0%, estando mais próximas do objetivo do Banco Central Europeu para atingir a estabilidade de preços, que passa por alcançar uma inflação de 2%.

*Com Lusa

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