O Banco Central da Rússia (BCR) desceu esta sexta-feira (dia 24 de abril) a taxa diretora de 15% para 14,5%, em linha com a vontade do Governo, e subiu em 20 dólares a estimativa do preço do barril de petróleo para este ano.
O mercado esperava que o BCR cortasse a taxa, embora alguns analistas tivessem previsto uma baixa de um ponto devido à queda da inflação durante as últimas semanas.
Por sua vez, a entidade emissora russa explicou que tomará uma decisão sobre futuras reduções dependendo da evolução da inflação e de outros riscos internos e externos, como o conflito no Médio Oriente.
O Presidente russo, Vladímir Putin, mostrou-se muito descontente esta semana com o aparelho económico do executivo por não cumprir os objetivos marcados, já que o Produto Interno Bruto (PIB) se contraiu 1,8% nos primeiros dois meses do ano.
Por sua vez, o banco central manteve as previsões de crescimento para este ano entre 0,5% e 1,5% que anunciou em fevereiro passado, enquanto estima que a inflação continue na faixa de entre 4,5% e 5,5%.
Preços do petróleo revistos em alta pelo banco central russo
Quanto ao preço do barril de petróleo, o regulador subiu a estimativa de 45 dólares para 65 dólares, em grande parte devido ao facto de a guerra no Irão, iniciada em 28 de fevereiro, ainda não ter perspetivas de resolução.
A Rússia, à qual o Irão garantiu a passagem segura dos seus navios pelo estreito de Ormuz, terá recebido biliões de dólares em exportações de petróleo desde março, depois de sofrer uma queda de 45% no início do ano.
Embora o potencial exportador da Rússia seja dizimado pelos contínuos ataques ucranianos com drones contra os seus terminais nos mares Negro e Báltico, os EUA deram uma mão ao prorrogar por mais um mês a suspensão das sanções contra o petróleo russo em trânsito em mar alto.
A presidente do BCR, Elvira Nabiúlina, insistiu nos últimos meses na sua política prudente de taxas de juro e apostou numa redução gradual que evite um crescimento brusco da inflação, sobretudo perante riscos geopolíticos como as sanções aprovadas pelos EUA contra as duas maiores petrolíferas do país.
Esta política foi criticada pelo Governo russo e pelos empresários do país, que alertaram para a falta de "créditos baratos" provocada pelas altas taxas que travam o crescimento da economia russa.
A imprensa aponta há meses para uma possível destituição de Nabiúlina, nomeada em duas ocasiões a melhor presidente de banco central do mundo, mas a mesma mantém-se alheia às críticas ao contar, por enquanto, com o apoio do Presidente.
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