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Gestores de fortunas internacionais à caça de negócios imobiliários em Portugal

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Autores: Tânia Ferreira, @Frederico Gonçalves

O imobiliário nacional está cada vez mais a despertar o interesse de fundos e de investidores estrangeiros, que olham para Portugal de outra forma. Agora, também os gestores de fortunas internacionais, como da Alemanha e da Suíça, começam a sentir-se atraídos pelo mercado português e andam à procura de oportunidades de negócio no setor imobiliário.

“Eles acham que já podem investir em Portugal. Os preços é que não têm sido muito condizentes com o que estão a oferecer. Mas não tem nada a ver com há quatro anos. Aí não vinham e os que vinham pagavam 20, 30 cêntimos por dólar. Agora vêm com outros valores, mas na maior parte dos casos não foram ainda muito bem sucedidos”, revela ao idealista News Portugal o diretor do negócio de imobiliário do Millennium bcp.

“Estou convicto de que o mercado estabilizou”, diz José Araújo, explicando que o negócio imobiliário está, “em vários segmentos, em crescimento de valor, um crescimento sustentado e não especulativo que estará mais acelerado em algumas zonas devido à procura internacional do cliente individual”, através da concessão de Golden Visa ou do estatuto de Residente Não Habitual (RNH).

“Em Portugal o tema já não é liquidez ou capital, é rentabilidade”

Em Espanha assiste-se, atualmente, a uma enorme febre dos fundos imobiliários internacionais, conhecidos como “abutres”. Mas o diretor do negócio de imobiliário do BCP considera que em Portugal isso está longe de acontecer. “O mercado espanhol não tem nada a ver com o português. Há uma tremenda bolha imobiliária, há cidades fantasmas”.

Os fundos olham para Portugal, mas consideram que as oportunidades são caras, quando comparadas com Espanha. “Há uma coisa que se calhar eles ainda não perceberam. Em Portugal, o tema já não é liquidez ou capital. É, outra vez, rentabilidade. Ou seja, se as pessoas que querem investir não pensarem que vão fazê-lo porque é uma boa altura para isso e que o que vão obter é no futuro, porque poderão valorizar, vão ter dificuldade em fechar negócios, porque continuam a julgar que essas entidades ainda estão a precisar muito de liquidez, ou que estão a precisar de desalavancar por causa de questões de capital. Isso não é verdade”, refere José Araújo.

A tão falada concessão de Vistos Gold – atribuídos a cidadãos estrangeiros não comunitários que comprem casas acima de 500 mil euros – também tem sido um balão de oxigénio no setor. “O programa tem sido um sucesso. Têm aparecido muitos compradores chineses e agora, numa segunda leva, alguns investidores chineses procuram oportunidades para depois rentabilizarem Golden Visas”, adianta José Araújo, salientando que os benefícios fiscais atribuídos a estrangeiros ao abrigo do estatuto de RNH também estão a dar nova vida ao mercado imobiliário.

“Os compradores têm procurado usufruir dessas vantagens, mas são mercados diferentes. Esse tipo de comprador gosta de tudo, praia, centro histórico… Mas o comprador oriental não gosta de zona de praia pura, de centro de cidade velha. Gosta é de locais abertos com jardim e vista para o mar perto”, remata o responsável.