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Venda da Herdade da Comporta na reta final: negócio fechado este mês; e os planos futuros

“Projeto global que queremos fazer ultrapassa os 1,5 mil milhões de euros”, diz José Botelho, diretor-geral da Vanguard Properties

José Cardoso Botelho, diretor-geral da Vanguard Properties
José Cardoso Botelho, diretor-geral da Vanguard Properties

A polémica venda de uma parte da Herdade da Comporta por 157,8 milhões de euros ao consórcio formado pela Vanguard Properties (VP) e pela Amorim Luxury está na reta final. Essa é, pelo menos, a convicção de José Cardoso Botelho, diretor-geral da VP. “Tudo indica que a transação se faça por volta do dia 28 de outubro”, revela o responsável ao idealista/news, admitindo que o negócio poderá “derrapar um dia ou dois”. 

Segundo o empresário, o facto de estar agendada para dia 20 de novembro uma assembleia de participantes do fundo especial de investimento imobiliário fechado da Herdade da Comporta, lançada pela Gesfimo (responsável por gerir aquele fundo) – o ponto único na agenda prende-se com a divulgação de “informação aos senhores participantes” sobre o “processo de venda dos ativos do fundo” –, não irá inviabilizar o negócio.

“A assembleia geral não é no sentido de decidir a venda, está marcada para dar informação aos participantes. Está marcada para 20 de novembro e nessa data já estará a transação concluída”, adianta José Cardoso Botelho.

De referir que a principal participante do fundo imobiliário da Herdade da Comporta é a Rioforte, antiga sociedade do Grupo Espírito Santo que está em insolvência no Luxemburgo, com 59% das unidades de participação. Segue-se o Novo Banco, com cerca de 15% das unidades, e outros 85 donos.    

“Queremos fazer um projeto com uma qualidade que Portugal nunca viu"
José Cardoso Botelho, diretor-geral da Vanguard Properties

Sobre o recurso apresentado contra a venda pela Sociedade Total Value, SGPS,SA, um dos lesados do Grupo Espírito Santo (GES) – representada pelo advogado Ricardo Sá Fernandes –, e que segundo o Observador foi aceite, José Botelho mostra-se também otimista: “Estamos muito próximos da fase final [do processo de venda]. Não acreditamos que as últimas notícias que surgiram nos afetem e discordamos em absoluto da posição da pessoa que fez o requerimento, porque está completamente errado. Pensamos que as autoridades não vão dar provimento a essa situação e que não vai criar problemas à nossa transação”. 

Investimento superior a 1,5 mil milhões de euros

Para o diretor-geral da VP não há dúvidas: o projeto da Herdade da Comporta é o maior da promotora imobiliária. “Queremos fazer um projeto com uma qualidade que Portugal nunca viu”, conta.

“Neste momento, o investimento total da VP em Portugal é de cerca de 730 milhões de euros, obviamente que com o projeto da Comporta esse valor vai-se multiplicar a curto prazo. Temos um primeiro projeto de investimento que ronda 400 milhões de euros, que já está aprovado, e mal a transação se conclua é para iniciar, mas o projeto global da Comporta envolve mais de 1,5 mil milhões de euros de investimento”, adianta.

Segundo José Cardoso Botelho, tanto a VP como a Amorim Luxury estão prontas a avançar com obras no terreno: “Temos os nossos acordos celebrados há algum tempo e estamos prontos para ter as equipas preparadas, temos a avaliação da situação feita. O nosso objetivo é retomar as obras de infraestruturas e começar por exemplo com os projetos de construção das ETAR, porque temos de criar condições para fazer um projeto sustentável que melhore a qualidade de vida das populações locais”.

De forma a “atrair recursos humanos para a Comporta”, o responsável revela que a VP já comprou um terreno em Grândola para construir 40 casas “para as pessoas que ali vão residir para trabalhar nos projetos da Comporta”. “Estamos a preparar mais dois projetos, serão mais cerca de 160 casas na zona, e vamos continuar a fazer isso. Estamos a pensar no futuro e a criar condições para que a Comporta tenha oferta de residências para as pessoas que vão trabalhar nos nossos projetos e nos da Amorim Luxury”, sublinha.

E será que a Comporta poderá ser uma espécie Hamptons de Portugal, conforme escreveu o Financial Times? “Acho que tem condições para isso, mas também temos de intervir no espaço público, alterando o paradigma atual em termos de mobilidade. Temos trabalhado nisso com as câmaras. Não se pode continuar a querer aceder às praias da mesma forma que se faz hoje”, conclui.