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Venda de crédito malparado em Portugal bate recordes e 2020 promete ser “outro ano dinâmico”

Portugal “continua a ter um dos rácios de NPL mais elevados da Europa”, diz Nelson Rêgo, diretor geral da Prime Yield.

Autor: Redação

Agora é oficial: a venda de crédito malparado – negócios de Non-Performing Loans (NPL) – em Portugal atingiu em 2019 um valor recorde, 8.000 milhões de euros. Quer isto dizer que os bancos estão a conseguir desfazer-se dos seus ativos mais problemáticos. Uma tendência que se deve manter este ano, já que o país “continua a ter um dos rácios de NPL mais elevados da Europa”, diz Nelson Rêgo, diretor geral da Prime Yield e responsável pelos serviços de avaliação de portefólios da Gloval.

Em causa estão dados que constam na edição de 2020 do estudo “Keep an Eye on the NPL & REO Markets”, divulgado pela Prime Yield, parte da Gloval. 

Segundo o mesmo, 2019 foi outro ano de grande dinâmica para a venda de portefólios de crédito malparado na Ibéria, com o volume de investimento agregado a totalizar cerca de 30.000 milhões de euros. “O mercado português representa 27% deste volume, estabilizando as vendas num patamar de 8.000 milhões de euros, um máximo atingido pela primeira vez o ano passado [2018] e agora repetido (...). O mercado espanhol está agora a consolidar-se neste patamar [22.000 milhões de euros], depois de transacionar num pico excecional de 60.000 milhões em 2018. Quanto a 2020, a Prime Yield espera que ambos os mercados sigam a tendência de forte atividade de 2019”, lê-se no documento. 

Para Nelson Rêgo, “os ‘players’ de todo o mundo olham para estas carteiras de dívida como uma oportunidade interessante de investimento”. “Para países europeus como Portugal, Espanha e Grécia, ou o Brasil, na América Latina, a resolução desses problemas continua a ser urgente e ainda há muito por fazer”, comenta.

O responsável considera que a nível nacional, “seguindo a tendência de 2019, o apetite dos investidores pelo mercado português deverá manter-se em alta em 2020”. “A redução dos ativos não performativos continua a ser uma questão prioritária para os bancos portugueses nos próximos 12 meses, já que, apesar dos progressos conseguidos nos últimos quatro anos, Portugal continua a ter um dos rácios de NPL mais elevados da Europa”, adianta.

O estudo da Prime Yield destaca o facto de se terem vendido em Portugal em 2019 portefólios de grande dimensão por parte de vários bancos, sendo de esperar em 2020 “a colocação no mercado de carteiras mais granulares e de menor dimensão (com menos ativos residenciais)”. Ainda assim, “é seguro antecipar outro ano dinâmico em 2020, ainda que com um decréscimo nos volumes finais devido a essa menor dimensão das carteiras que vêm para o mercado”.

O rácio de NPL em Portugal recuou de forma expressiva, estando agora em 7,7% (compara com 17,9% em junho de 2016). Ainda assim, este é o terceiro rácio de NPL mais elevado na Europa.

“É também de notar que há cada vez menos investimentos oportunísticos, o que mostra que este setor está a entrar num período de maior maturidade, permitindo, ao mesmo tempo, que os vendedores minimizem as suas perdas e que os compradores mantenham um nível atrativo de retornos. O stock atual de malparado no sistema financeiro em Portugal é de 21.700 milhões de euros, numa redução de 29.300 milhões face ao pico observado em junho de 2016. O rácio de NPL também recuou de forma expressiva, estando agora em 7,7% (compara com 17,9% em junho de 2016). Ainda assim, este é o terceiro rácio de NPL mais elevado na Europa”, conclui o estudo.