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Onde e em que ativos imobiliários querem investir os promotores e investidores em Portugal?

idealista/news revela resultados de questionário feito pela APPII aos seus associados, que representam investimentos anuais na ordem dos 30 mil milhões de euros.

Photo by Andreas Brücker on Unsplash
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Autor: Redação

Afinal, o que pode esperar Portugal em termos de investimento imobiliário no curto e médio prazo? Foi com base nesta premissa que, em plena crise económica gerada pela pandemia da Covid-19, a APPII - Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários decidiu questionar os seus cerca de 200 associados, que representam investimentos anuais na ordem dos 30 mil milhões de euros, ou seja, o equivalente a 15% do PIB nacional. O idealista/news revela agora os resultados do 'survey', em primeira mão, sendo que 95% das respostas são no segmento habitacional.

À pergunta “Quais os distritos do território português onde pretendem investir nos próximos dois anos, em todos os segmentos de mercado?”, todos os investidores (100%) responderam que pretendem investir no litoral, não tendo havido nenhum inquirido que demonstre intenções de investimento apenas no interior.

Em detalhe, as respostas sobre a localização das intenções de investimento dadas por promotores e investidores imobiliários com origem em Portugal, Brasil, Suíça, USA, França, UK, Angola, China, Hong Kong, entre outros, dividem-se da seguinte forma:

  • 94% pretende investir no distrito de Lisboa;
  • 47% pretende investir no distrito do Porto;
  • 18 % pretende investir no Algarve;

Por outro lado, apenas 6% dos principais promotores e investidores a operar no mercado nacional mostram-se disponíveis nos próximos dos anos a investir, cumulativamente,com o litoral e especificamente com Lisboa, Porto e Algarve, ainda no interior, mais concretamente Santarém e Portalegre; 6% acham possível investir no Funchal, Madeira.

APPII
APPII

 

A relevância destes dados para o setor imobiliário

Hugo Santos Ferreira, vice-presidente da APPII, considera que "estes dados são muito importantes para que todos possamos perceber a real e objetiva vontade dos investidores imobiliários em matéria territorial e os dados são esclarecedores".

Questionado sobre porque não há ainda interesse em investir no interior de Portugal, se os mais recentes indicadores do mercado mostram que há cada vez maior procura por zonas rurais e menos densificadas, o porta-voz dos promotores e investidores defende que, para isso, "as câmaras municipais do nosso país devem torna-se friendly dos investidores, do turismo e dos novos residentes".

Nesse âmbito, o responsável recomenda que sejam criados "benefícios fiscais e redução de impostos a todos aqueles que decidam arriscar e investir, ou visitar e mesmo viver ou trabalhar fora dos centros urbanos, com especial destaque para o interior do País, seja ao nível da isenção de impostos ao nível do rendimento (como já está a ser feito), mas também não esquecer os impostos sobre a propriedade, como o IMI, AIMI e IMT", argumentando que estas medidas "serão decisivas na hora de escolher investir no interior do país, em vez de o fazerem nos centros urbanos".

Em declarações ao idealista/news, Hugo Santos Ferreira diz ainda que "é importante não esquecer que investir fora dos centros urbanos ou no interior do país, do ponto de vista de quem investe, acarreta um risco muito elevado, risco esse que deve ser compensado ou mitigado com uma redução dos custos inerentes, nomeadamente impostos e burocracia".

Por outro lado, referindo-se ao fim dos vistos gold em Lisboa e Porto, advoga que "se o que se pretende é incentivar o investimento no interior do País ou pelo menos fora dos centros urbanos, a medida não pode ser castrar ou limitar a escolha livre da larga maioria dos investidores ARI (que foi a de comprar imóveis no litoral), mas sim beneficiar com medida de descriminação positiva aquelas aquisições e investimento fora dos centros urbanos".