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EastBanc está “em Portugal para ficar” e depois de investir em Lisboa pisca agora o olho ao Porto

Promotora do norte-americano Anthony Lanier tem vindo a apostar em projetos de reabilitação no centro da capital, sobretudo no Príncipe Real.

Palácio Faria, no Prícipe Real, em Lisboa / EastBanc
Palácio Faria, no Prícipe Real, em Lisboa / EastBanc

Cerca de 20 anos depois de ter “aterrado” em Portugal, através da compra de imóveis – nomeadamente palácios e palacetes – para reabilitar na zona do Príncipe Real, no coração de Lisboa, a EastBanc Portugal, promotora imobiliária do norte-americano Anthony Lanier, mostra-se de pedra e cal no país. E nem a pandemia da Covid-19 parece ser um obstáculo às intenções da empresa de continuar a investir. “A EastBanc está em Portugal para ficar e continuar a revitalizar as suas cidades, em particular Lisboa”, garante Tiago Eiró, diretor geral da EastBanc em Portugal, em entrevista ao idealista/news.

Sem descortinar muito o véu sobre os futuros investimentos da empresa, o responsável adianta que a estratégia a longo prazo passa, além do desenvolvimento contínuo dos ativos que já detém, “por aquisições adicionais” no bairro de eleição da EastBanc, o Príncipe Real, e “pelo investimento em ativos de rendimento, preferencialmente edifícios de escritórios bem localizados e ocupados, e o desenvolvimento de projetos de uso misto e com maior dimensão ou escala em Lisboa”.

Na calha poderá estar também o alargamento do portfólio da EastBanc – “consiste em cerca de 40.000 metros quadrados de área bruta locável e abrange vários segmentos de mercado, sendo a maioria espaços de retalho e escritórios” – a outras geografias: “Queremos avançar com os projetos que temos em fase de obra ou de licenciamento no Príncipe Real e estamos a procurar levar este ‘know-how’ de revitalizadores a outros zonas da cidade de Lisboa e também para o Porto. Ao mesmo tempo que complementamos esta estratégia com o investimento em projetos maiores de desenvolvimento e de investimento para rendimento”, revela Tiago Eiró.

Tiago Eiró, Diretor Geral da EastBanc em Portugal / EastBanc
Tiago Eiró, Diretor Geral da EastBanc em Portugal / EastBanc

A revitalização urbana na construção da "marca" Lisboa e do bairro do Príncipe Real foi tema de uma “conversa digital” recentemente, a propósito do 7º aniversário da EmbaiXada. Que balanço faz deste evento?

O 7º aniversário de um espaço tão emblemático da cidade – e do bairro do Príncipe Real – como é a EmbaiXada foi o mote perfeito para refletirmos sobre o impacto da revitalização urbana na dinamização da vida deste e de outros bairros da cidade de Lisboa. Esta conversa foi muito interessante e ajudou a reforçar algo que na EastBanc temos vindo a sentir nos últimos meses: a ideia de haver um certo florescimento no sentimento bairrista, já que a pandemia nos levou a vivermos mais o comércio de bairro e de proximidade. 

Acreditamos que esta tendência se irá manter e até intensificar, porque as pessoas procuram alternativas seguras e de proximidade. Consideramos que esta é uma consequência bastante positiva da pandemia e que irá trazer novas dinâmicas a outros bairros da cidade.

"Até à data foram adquiridos cerca de 20 edifícios que representam hoje um património de cerca de 100 milhões de euros"
Tiago Eiró 

Temos muito orgulho de ter sido uma parte ativa, nos últimos anos, e contribuir para que o Príncipe Real seja hoje um local especial e procurado. Um bairro que as pessoas procuram para viver, passear, trabalhar e fazer as suas compras, em lojas especiais e únicas, ou o local perfeito para ir a um bom restaurante, numa zona central da nossa cidade.  

Fale-nos um pouco sobre a atividade/negócio da EastBanc em Portugal ao longo dos anos. Quantos imóveis adquiriu e quanto já investiu no país?

A EastBanc tem vindo a investir há cerca de 20 anos em Portugal, em especial na zona do Príncipe Real. Temos uma visão integrada e de longo prazo, e começámos por revitalizar o comércio de rua e espaços de escritórios, trazendo novos públicos e conceitos para o Príncipe Real. 

Esta revitalização urbana é também conseguida com o esforço que temos em manter e restaurar o máximo do património arquitetónico, cultural e paisagístico dos edifícios. Até à data foram adquiridos cerca de 20 edifícios, que representam hoje um património de cerca de 100 milhões de euros. Entre eles o Palacete Ribeiro da Cunha (atual EmbaiXada) ou o Palacete Faria, bem como outros palácios do bairro do Príncipe Real, na sua maioria edifícios históricos e exclusivos, sendo a EastBanc um dos principais promotores urbanos no mercado português na área da revitalização urbana. 

No último ano, investimos cerca de seis milhões de euros na aquisição de três imóveis e obras em vários imóveis, sendo o mais importante a obra de reabilitação do nosso edifício de esquina entre a Avenida da Liberdade e a Praça da Alegria.  

Fale-nos um pouco sobre o portefólio de imóveis da EastBanc.

O portfólio da EastBanc consiste em cerca de 40.000 metros quadrados (m2) de área bruta locável e abrange vários segmentos de mercado, sendo a maioria espaços de retalho e escritórios. Com o desenvolvimento dos projetos que temos em curso, que se encontram em fases distintas de execução, iremos ter um maior equilíbrio com outros usos – é o caso, por exemplo, de apartamentos para arrendamento de longa duração ou hotelaria. 

"No último ano, investimos cerca de seis milhões de euros na aquisição de três imóveis e obras em vários imóveis, sendo o mais importante a obra de reabilitação do nosso edifício de esquina entre a Avenida da Liberdade e a Praça da Alegria"
Tiago Eiró

Em termos de retalho, gerimos cerca de 50% da área bruta locável na zona mais dinâmica do Príncipe Real (da Rua da Rosa à entrada do Jardim Botânico). Temos cerca de 60 inquilinos na zona do Príncipe Real, entre os quais se destacam, por exemplo, a Galeria Conceptual EmbaiXada (com 17 lojas no seu interior), ou os restaurantes Pizzeria Zero Zero, Atalho, Gin Lovers, Tapisco (Chef Henrique Sá Pessoa) ou Jamie Oliver, o bar Pavilhão Chinês, ou as lojas da Barbour. Nesta área de retalho, um dos objetivos da EastBanc é a melhoria contínua do seu mix comercial, criando soluções e conceitos de retalho únicos.

Relativamente ao segmento residencial, o Palácio Faria, que foi o último grande projeto de reabilitação urbana de habitação concluído pela EastBanc. Este projeto ganhou recentemente três importantes prémios nacionais. Temos em fase de licenciamento e em fase avançada de desenho vários outros projetos residenciais em Lisboa. 

Trata-se de imóveis emblemáticos situados numa zona de eleição, como o Príncipe Real. É para a EastBanc motivo de orgulho sentir que contribui para dar uma “nova vida” a esta zona da capital? 

Sem dúvida. Estamos muito orgulhosos de ter feito parte deste trabalho de reconstrução e dinamização de um bairro inteiro, como aconteceu no Príncipe Real. A EastBanc foi fundada por Anthony Lanier, que depois de ter recuperado bairros como Georgetown, nos EUA, ficou muito entusiasmado com a ideia de aplicar essa receita vencedora a uma zona histórica de Lisboa. 20 anos mais tarde, temos muito orgulho em ter contribuído para dar uma nova vida ao bairro do Príncipe Real. A intervenção da EastBanc tem passado por fazer acontecer a regeneração urbana, desde a componente residencial ou escritórios, ao desenvolvimento do comércio de rua. 

"Temos em fase de licenciamento e em fase avançada de desenho vários outros projetos residenciais em Lisboa"
Tiago Eiró

Temos esta visão de longo prazo. Estamos em Portugal para ficar, e a nossa estratégia de longo prazo irá manter-se. Acreditamos neste modelo distintivo e a resposta do mercado têm-nos dado provas de que a diferenciação e a qualidade – que são a “assinatura” da EastBanc – funcionam.

É possível afirmar que há um Príncipe Real pré-EastBanc e um Príncipe Real pós-EastBanc?

Claro. Acreditamos que a nossa visão diferenciadora de imaginar, acreditar e trabalhar para revitalizar a longo-prazo os ativos e a comunidade envolvente tem trazido os seus frutos e contribuído para dar mais dinâmica ao bairro nos últimos anos.

Ficamos muito satisfeitos quando este trabalho é reconhecido. Como sabemos, o Príncipe Real foi há poucos anos considerado pela Time Out International como o 5º bairro mais ‘cool’ do mundo. Sem dúvida que o trabalho que a EastBanc tem feito no bairro teve um papel muito determinante para conseguirmos este reconhecimento tão relevante.

Ainda “há espaço” para fazer crescer o negócio da EastBanc no Príncipe Real? Ainda há imóveis (palacetes, palácios etc.) que encaixam no perfil da empresa e que podem, por isso, vir a integrar o seu portefólio? 

Parte da estratégia da EastBanc passa por continuar a investir no Príncipe Real. Como investidores de longo prazo, não vendemos mas arrendamos os nossos imóveis, na sua grande maioria.

Por outro lado, acreditamos que um projeto de bairro como este pode crescer e ir somando pequenas peças como parte de um todo, em que cada peça tem um valor único para a dinâmica da comunidade. 

No último ano adquirimos mais alguns imóveis no Príncipe Real e iremos continuar a fazê-lo sempre que faça sentido de um ponto de vista económico e/ou estratégico.

EastBanc
EastBanc

A EastBanc está compradora/investidora? A pandemia teve ou está a ter reflexos no investimento previsto?

Relativamente aos nossos projetos, felizmente, continuaram todos em curso, seja na fase de obra, licenciamento ou em processo de estudo. Logo que seja possivel, com a aprovação de licenciamentos em curso, iniciaremos mais obras que temos previstas para breve. E continuamos também a estudar novos investimentos que iremos fazendo à medida que façam sentido do ponto de vista económico e sempre com um objetivo de longo prazo.

A EastBanc está em Portugal para ficar e continuar a revitalizar as suas cidades, em particular Lisboa. A nossa estratégia de longo prazo passa pelo desenvolvimento contínuo dos nossos ativos e por aquisições adicionais no nosso bairro de eleição, o Príncipe Real, bem como pelo investimento em ativos de rendimento, preferencialmente edifícios de escritórios bem localizados e ocupados, e o desenvolvimento de projetos de uso misto e com maior dimensão ou escala em Lisboa.

Está nos planos da EastBanc investir noutra localização de Lisboa? E no Porto, por exemplo?

Queremos avançar com os projetos que temos em fase de obra ou de licenciamento no Príncipe Real e estamos a procurar levar este ‘know-how’ de revitalizadores a outros zonas da cidade de Lisboa e também para o Porto, sim. Ao mesmo tempo que complementamos esta estratégia com o investimento em projetos maiores de desenvolvimento e de investimento para rendimento.

Portugal tem sido visto nos últimos anos como um destino de eleição para os investidores imobiliários. O que esperar do futuro, num cenário pós-pandemia? Portugal, e em concreto Lisboa, vai continuar na mira dos investidores?

Esta pandemia veio provocar uma crise sem precedentes e com consequências na nossa vida e na economia. Há, no entanto, importantes diferenças em relação às anteriores: o problema que a desencadeou é sanitário e só será resolvido com o aparecimento de um tratamento e/ou vacina eficazes, e com a sua distribuição a nível mundial; por outro lado, esta pandemia é global – todos os países serão afetados. 

"Queremos avançar com os projetos que temos em fase de obra ou de licenciamento no Príncipe Real e estamos a procurar levar este ‘know-how’ de revitalizadores a outros zonas da cidade de Lisboa e também para o Porto"
Tiago Eiró

Entre os desafios globais destacamos a redução da atividade turística, que terá um impacto forte, embora temporário, principalmente nos setores da hotelaria, retalho e lazer, incluindo o arrendamento de curta duração, e a alteração de paradigmas como a forma como trabalhamos ou fazemos compras, que têm implicações na utilização do imobiliário.

Como em qualquer crise, haverá também oportunidades: a alteração dos nossos hábitos com consequências de maior qualidade de vida e melhor saúde; uma correção mais rápida do desequilíbrio do que existia entre oferta e procura na habitação e escritórios de qualidade nos centros das cidades; ou uma maior digitalização de processos, como o de licenciamentos de projetos, que esperamos que traga uma redução dos tempos de aprovação.    

Na EastBanc, como investidores de longo prazo, continuamos focados na criação de valor intemporal para os nossos ativos, através do desenvolvimento de soluções únicas e diferenciadoras nos diferentes segmentos de atividade, sempre com o foco numa revitalização urbana de qualidade para podermos viver, trabalhar e comprar num mesmo local. 

As características de Portugal, e de Lisboa, como destino de investimento não mudaram, e continuarão a ser valorizadas em relação a outros destinos. Portugal continua a estar no radar dos investidores. Juntando isto ao facto de haver muita liquidez no mercado para ser aplicada, representa uma diferença substancial comparando com crises anteriores. Os investidores nacionais e internacionais continuam ativos no mercado, há transações em curso, embora o prazo de decisão vai eventualmente ser mais dilatado.

EastBanc
EastBanc

Ainda há um longo caminho a percorrer na capital no que diz respeito à reabilitação e/ou renovação urbana? 

Na EastBanc falamos em revitalização mais do que reabilitação. Em todos os projetos que fazemos temos este cuidado adicional de envolver a comunidade e a economia local. E esta é uma marca que nos distingue: não se trata apenas de dar uma nova vida aos edifícios, mas sim dar uma nova vida ao bairro. Claro que este é um trabalho que requer o seu tempo, por isso acreditamos que ainda há muitas oportunidades para fazer de Lisboa uma cidade ainda mais acolhedora para quem aqui vive, trabalha e nos visita.

O que distingue e/ou continua a distinguir Portugal dos restantes países?

Portugal não perdeu com esta pandemia os fatores macro que têm vindo a distinguir positivamente o país para quem cá vive, para quem nos visita ou quem cá investe. Destaco alguns fatores diferenciadores que nos distinguem de outros países e que devemos preservar no futuro:

  • Economia estável e em crescimento, depois das reformas após a última crise;
  • Segurança e acolhimento aos estrangeiros – Portugal tem sido considerado um dos países mais pacíficos do mundo e também dos melhores lugares para viver a reforma;
  • Clima ameno, gastronomia e a diversidade do país;
  • História, cultura e a forma como temos cuidado de manter a sua distinção;
  • Infraestruturas, principalmente rodoviárias ou portuárias;
  • Investimento que tem existido nos espaços púbicos permitiu recuperar os centros das cidades, juntando investimentos públicos e privados;
  • Oportunidades que ainda existem de recuperação de património com qualidade e que continuará a contribuir para acolher o crescente número de turistas que nos visitam.