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Acciona/CleverRed aposta forte em Portugal: “Analisamos projetos quase todas as semanas”

Carlos Cercadillo, que fundou a CleverRed em 2018, fala ao idealista/news sobre os projetos que está a desenvolver em Portugal em parceria com a espanhola Acciona.

Imagem 3D de um dos lofts do Priority, em Alcântara / Inlighted
Imagem 3D de um dos lofts do Priority, em Alcântara / Inlighted

“A CleverRed nasceu para, em conjunto com o Grupo Acciona, expandir a nossa presença em Portugal no setor residencial”, diz ao idealista/news Carlos Cercadillo, um espanhol que está “em Lisboa há tempo suficiente para ser considerado um investidor de referência na cidade”. “Invisto muito tempo a visitar terrenos e edifícios. Isso permite-me partilhar com a Acciona oportunidades muito interessantes”, conta o fundador e presidente da empresa, que está a desenvolver quatro projetos em Portugal.O nosso plano é continuar a investir em projetos que ajudem a diversificar o nosso portfólio, tanto em Lisboa como fora da cidade. (…) Garanto que não vamos estar parados, temos e analisamos projetos quase todas as semanas”. 

Carlos Cercadillo, na entrevista que dá por escrito ao idealista/news, faz um pouco da situação sobre os quatro projetos que a empresa está a desenvolver em Portugal, todos em Lisboa – Priority, Alcântara Rio 2, Graça e Bensaúde –, e realça a importância de “pensar também nas famílias portuguesas, na sua capacidade económica e nas suas necessidades”. “Estamos firmemente convencidos de que esta é uma das necessidades do mercado”, afirma.

Carlos Cercadillo, fundador e presidente da CleverRed / Clever Red
Carlos Cercadillo, fundador e presidente da CleverRed / Clever Red

Fale-nos um pouco sobre a atividade da CleverRed em Portugal. Foi fundada em 2018, em parceria com o Grupo Acciona, certo? Como aconteceu esta parceria? O Carlos Cercadillo conhece muito bem o imobiliário português, tendo fundado, em 2006, a Cerquia. Há alguma relação entre a Cerquia, a CleverRed e o Grupo Acciona?

Em 2006 fundei a Cerquia para tornar real a minha forma de entender o mercado imobiliário. Desde essa data, opero como promotor, tanto em Espanha como em Portugal. 

A CleverRed nasceu para, em conjunto com o Grupo Acciona, expandir a nossa presença em Portugal no setor residencial. Por seu lado, a CleverReal é uma gestora imobiliária que colabora com investidores, grupos promotores e fundos internacionais na sua estratégia de investimento em Portugal e, como tal, gere, de forma exclusiva, as operações de ‘joint-venture’ entre a CleverRed e a Acciona.

"Temos recebido contactos de pessoas interessadas nos nossos projetos, tanto portuguesas como estrangeiras"

São quatro os projetos que estão a ser desenvolvidos pela parceria CleverRed/Acciona em Portugal, certo? E todos em Lisboa: dois em Alcântara (o Alcântara Rio 2 e o Priority), um na Graça e outro na zona dos Olivais, na Avenida Alfredo Bensaúde. Fale-nos um pouco sobre estes projetos. 

Atualmente temos esses quatro projetos, cada um num nível diferente de desenvolvimento:

Priority: É o projeto mais avançado de todos e acaba de ser lançado, com sucesso, para o mercado. Teve uma receção muito boa e, na verdade, já temos 22% dos apartamentos reservados/vendidos. Trata-se de uma reabilitação de um edifício icónico na Rua Prior do Crato, recuperando e destacando o seu valor arquitetónico e dando vida ao seu interior, transformando-o em 14 lofts e quatro apartamentos nas águas furtadas. Estamos, neste momento, a fechar o processo de licenciamento para iniciar a construção. 

Alcântara Rio 2: É um projeto que dá continuidade ao conhecido Alcântara Rio I. Vamos construir 74 apartamentos com tipologias entre T1 e T4 numa localização que consideramos privilegiada, num bairro tradicional de Lisboa que está em renovação contínua.

Graca: É, na verdade, o primeiro projeto em conjunto com a Acciona, num dos bairros mais antigos de Lisboa e no qual sentimos a alma da cidade. Serão 100 apartamentos em condomínio fechado, todos com lugar de estacionamento, e alguns deles com uma vista deslumbrante sobre a cidade. Poderemos dar mais detalhes um pouco mais tarde, mas garanto que será um projeto notável. 

Bensaúde: É um projeto residencial numa localização estratégica, entre o Parque das Nações e o aeroporto. Estamos a falar de cerca de 490 apartamentos orientados para o mercado nacional e 26.000 metros quadrados (m2) para uso de atividades económicas. Logicamente, esta estrutura residencial-terciária contará com todo o tipo de serviços de apoio e grandes áreas verdes. 

Desde que alguns dos nossos projetos apareceram nos meios de comunicação social, temos recebido contactos de pessoas interessadas, tanto portuguesas como estrangeiras, com os quais estamos muito satisfeitos, porque significa que os nossos projetos vão ao encontro do que o público procura. 

"Temos, atualmente, vários investimentos possíveis em análise, em Lisboa e na Grande Lisboa. (...) A chave para continuar a investir será poder obter licenças que temos bloqueadas há muito tempo"

São, ao todo, cerca de 700 apartamentos. O público alvo é a classe média portuguesa? Essa é uma das preocupações da parceria CleverRed/Acciona? Porquê?

Estamos firmemente convencidos de que esta é uma das necessidades do mercado, nomeadamente, na capital. Até agora, a construção tem sido muito dirigida para os investidores nacionais e estrangeiros, o que tem significado um grande impulso para Lisboa e para o país. 

Agora temos de pensar também nas famílias portuguesas, na sua capacidade económica e nas suas necessidades. Por isto, queremos oferecer habitação adequada com um ótimo financiamento para facilitar o aceso destas famílias. 

Quanto custará comprar um apartamento em cada um destes quatro projetos?

Dada a diversidade de projetos e localizações, falamos de preços muito diferentes, porque não se pode comparar um apartamento em Alcântara com um apartamento em Bensaúde, e muito menos com um loft em Prior do Crato.

Mas, por exemplo, neste último, no Priority, que está já em comercialização, é possível encontrar apartamentos a partir de 260.000 euros e lofts, que são espaços únicos e com um design diferenciado, desde 315.000 euros. 

Imagem 3D da fachada do Priority, que vai nascer em Alcântara / Inlighted
Imagem 3D da fachada do Priority, que vai nascer em Alcântara / Inlighted

Que impacto está a ter a pandemia na atividade da parceria CleverRed/Acciona? Houve atrasos nos projetos?

Em todos os casos, e não apenas no Priority, o único impacto que sentimos é o atraso nos processos administrativos e de licenciamento. 

Lisboa tem sido o foco da parceria CleverRed/Acciona. Há mais investimentos na calha para a capital?

Temos, atualmente, vários investimentos possíveis em análise, em Lisboa e na Grande Lisboa. Todos são certamente interessantes, mas nenhum num estado de avaliação suficientemente avançado para poder dar muitos mais detalhes. Mas, assim que estiverem, prometo partilhar a informação. A chave para continuar a investir será poder obter licenças que temos bloqueadas há muito tempo. 

A aposta passa apenas por Lisboa ou o Porto, por exemplo, também está na mira?
Neste momento estamos focados em Lisboa, mas não descartamos outras áreas como a zona sul da Grande Lisboa ou zonas mais próximas do litoral. É só uma questão de oportunidade de negócio. 

Quais os planos da empresa para 2021? A parceria CleverRed/Acciona ambiciona ter quantos projetos e investir quanto até final do ano?

O nosso plano é continuar a investir em projetos que nos ajudem a diversificar o nosso portfólio, tanto em Lisboa como fora da cidade. É difícil falar de números, porque não depende só de nós, mas o que garanto é que não vamos estar parados, temos e analisamos projetos quase todas as semanas. 

"Mantemos a ambição de sermos uma referência em Lisboa, investindo com o objetivo de construir casas para famílias portuguesas"

Um dos objetivos da parceria CleverRed/Acciona é tornar-se num promotor de referência em Portugal. Apesar de ter menos de três anos de existência, e de pelo meio ter surgido a crise pandémica, esse objetivo está a ser comprido? 

Em pouco tempo conseguimos um portfólio muito completo e diversificado em Lisboa, que agora queremos desenvolver. Mantemos a ambição de sermos uma referência em Lisboa, investindo com o objetivo de construir casas para famílias portuguesas, mas sem precipitação e procurando, como até agora, localizações e projetos que complementem os que já temos. 

Uma das dificuldades para cumprir este objetivo tem sido o aumento considerável dos custos de construção nos últimos dois anos. Penso que uma otimização da gestão administrativa das licenças reduziria a pressão entre a oferta e a procura, e os preços ajustar-se-iam duma forma natural e racional.

O que distingue a parceria CleverRed/Acciona das restantes promotoras imobiliárias a atuar no mercado nacional?

Acredito que a principal diferença é o equilíbrio entre a Acciona, uma empresa com uma grande dimensão e capacidade técnica e financeira, e a nossa visão e conhecimento local do setor imobiliário. A nossa empresa tem quebrado a tendência dos ‘yields’ nos mercados de escritórios, residencial e hoteleiro nos últimos anos. 

Sou espanhol, mas estou em Lisboa há tempo suficiente para ser considerado um investidor de referência na cidade. Tento estar sempre disponível e invisto muito tempo a visitar terrenos e edifícios. Isso permite-me partilhar com a Acciona oportunidades muito interessantes. E tudo isto de forma bastante eficiente e com tempos de resposta curtos para o que é habitual no setor. 

Portugal continuará, num cenário pós-pandemia, no radar dos investidores imobiliários? 

Portugal entrou na órbita dos investidores internacionais há algum tempo, o que foi uma grande oportunidade para o país e, sobretudo, para Lisboa e Porto, e assim se irá manter a curto e médio prazo.  Ainda há muito por desenvolver e a pandemia não vai parar esse processo. Existe muita procura retida à espera apenas de ser retomada a dinâmica habitual da mobilidade. Portugal continua a ser o melhor destino do mundo para passar a reforma.

No entanto, estamos a entrar numa fase de consolidação de um mercado em constante renovação e profissionalização que, a médio prazo, passará por uma padronização dos processos no desenvolvimento dos projetos imobiliários que evitará distorções pontuais devido à oferta e à procura.

Se as entidades oficiais envolvidas dinamizarem os processos de licenciamento, o futuro será incrivelmente melhor, porque vai facilitar a compreensão por parte dos investidores internacionais, beneficiando, no final, o povo português. 

Imagem 3D de um dos lofts do Priority, em Alcântara / Inlighted
Imagem 3D de um dos lofts do Priority, em Alcântara / Inlighted

Nota: Notícia atualizada no dia 23 de fevereiro de 2021, às 10h27, a pedido do entrevistado que, por lapso, avançou com uma informação fora de contexto. Aos leitores, as nossas desculpas.