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Empresas pagam salários até 20% mais baixos no pós-crise

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Autor: Redação

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços, João Vieira Lopes, reconheceu que houve uma forte quebra salarial e que as empresas pagam atualmente ordenados até 20% mais baixos do que antes da crise. “O setor privado está a contratar a salários entre 15% e 20% inferiores”, disse, salientando que a situação leva à saída de trabalhadores mais antigos, substituídos por novos quase sempre a salários inferiores.

“Há cinco anos contratei um diretor financeiro a quem pago 3.500 euros brutos. Se fosse hoje, conseguiria uma pessoa para as mesmas funções a ganhar menos 1.000 euros”, disse um empresário português – preferiu não ser identificado – ao Dinheiro Vivo.

De acordo com a publicação, que se apoia em dados do Inquérito aos ganhos do Ministério da Economia, referentes a outubro de 2013 (os mais recentes), nos últimos três anos, o ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem recuou 1,48%. No Estado, apesar das políticas de austeridade, o corte nos ganhos médios foi de apenas 0,46%

A penalizar o rendimento no privado estiveram o corte de suplementos salariais, a redução no pagamento das horas extraordinárias, a maior oferta de empregos a tempo parcial e, fundamentalmente, a troca de funcionários mais antigos – logo melhore remunerados – por pessoas mais jovens, a preços mais baixos.

Para António Marques, presidente da Associação Industrial Minho (AI Minho), está “mais que comprovado que as empresas estão a trocar trabalhadores com salários mais elevados por jovens com salários mais baixos”. Os cálculos da AI Minho apontam ainda para uma acentuação das diferenças entre as remunerações praticadas no norte e no sul do país. “No sul, os salários praticados chegam a ser 20% a 25% superiores aos do norte”, onde a indústria tradicional predomina e faz com que “seja sempre prejudicada”, explicou.