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Um terço da dívida das construtoras está em incumprimento

Autor: Redação

Quase metade do investimento feito em Portugal vem da construção, que é precisamente o setor com o valor mais elevado de crédito malparado. Entre as empresas de construção, mais de um em cada três euros da dívida (um terço) está em incumprimento (35,6%).

Mas nem sempre foi assim, escreve o Jornal de Negócios, salientando que antes da entrada da Troika em Portugal o rácio de malparado das empresas rondava os 5% – no caso da construção, onde já se estava a agravar, ainda se encontrava abaixo de 9%. Certo é que a crise e a recessão fizeram com que os valores disparassem.

O segundo setor que tem o valor mais elevado de crédito em incumprimento é o imobiliário, com quase 27%. De referir, no entanto, o quão é importante é o setor da construção para a economia nacional, já que por cada dois euros investidos em Portugal, um euro é aplicado em construção.

Desde a chegada da Troika, a construção foi o setor que mais reduziu a sua dívida à banca – metade da desalavancagem veio desta área de atividade. Os motivos não foram, no entanto, os mais felizes, já que a recessão trouxe consigo despedimentos, falências e, claro, um aumento substancial do crédito malparado.

“O impacto direto é que com mais malparado existe uma deterioração dos rácios de capitais próprios, o que significa que os bancos terão menos capacidade de concessão de crédito, sob pena de violarem os rácios prudenciais”, disse Rui Bernardes Serra, economista-chefe do Montepio, citado pela publicação.

"O efeito de segunda ordem é que os bancos, perante o elevado incumprimento, adotam critérios de concessão de crédito mais restritivos, procurando, dessa forma, reduzir o incumprimento futuro dos novos crédito”, acrescentou.