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Atraso nos licenciamentos é o principal obstáculo à promoção imobiliária – e trava aumento de oferta

Elevados custos de construção também preocupam promotores imobiliários.

Autor: Redação

Os atrasos nos processos de licenciamento de obras (de reabilitação urbana e de construção nova) e os elevados custos de construção, que aumentaram nos últimos tempos, há muito que são apontados pelos promotores imobiliários como um entrave ao investimento. Um cenário que tem consequências, nomeadamente porque atrasa a chegada ao mercado de novos projetos residenciais.  

“O licenciamento e os custos de construção são apontados como os principais obstáculos à atividade de promoção imobiliária, ainda que predomine um sentimento de incerteza entre os promotores quanto à evolução futura dos preços e da procura residencial”, esta é uma das conclusões do Portuguese Property Investment Survey, um inquérito relativo ao primeiro trimestre de 2020. 

Segundo o mesmo, o “processo de licenciamento é considerado como o tema mais preocupante enquanto fator inibidor da atividade de promoção, atingindo um índice de pressão de 95%”. “Seguem-se os custos de construção (que atingem um índice de 84%)”, refere em comunicado a Confidencial Imobiliário (Ci), autora do inquérito, em associação com a Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários (APPII).

Para Hugo Santos Ferreira, vice-presidente executivo da associação, os resultados do inquérito “manifestam preocupação com as crescentes dificuldades no licenciamento e enquadramento legislativo”. “Tais dificuldades vêm prejudicar o objetivo de aumento da oferta no mercado, em particular habitacional, vindo agravar a pressão já sentida em resultado da redução da procura decorrente das recentes alterações legislativas”, referiu. 

No que diz respeito à evolução dos preços para os próximos três meses, 72% dos promotores antecipa uma estabilização e os restantes 28% dividem-se entre perspetivas de evolução positiva e negativa. “Quanto às vendas, parece haver menor apreensão, com o indicador de sentimento a melhorar de -24 pontos para -8 pontos neste inquérito, embora mantendo-se em terreno negativo”, lê-se na nota. 

E será que todos estes indicadores estão a inibir os promotores imobiliários de continuar a investir no país? De acordo com o inquérito, 79% dos inquiridos confirma a intenção de lançar novos projetos e 55% indicar estar ativamente à procura de terrenos para novas promoções.