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Construir para arrendar é hoje uma necessidade – o que falta para o mercado dar o salto?

Oferta de casas para arrendar em território nacional ainda não consegue dar resposta às necessidades da procura.

Imagem de chien than por Pixabay
Imagem de chien than por Pixabay
Autor: Redação

Não é novidade que o mercado de arrendamento está a crescer em Portugal. Há novos padrões de consumo e novas necessidades, sobretudo das gerações mais novas. Mas apesar desta tendência já se fazer notar e de vários alojamentos locais terem sido colocados no mercado, devido à estagnação do turismo no país, a oferta de casas para arrendar em território nacional ainda não consegue dar resposta às necessidades da procura. O que falta, então, para este mercado dar o salto em Portugal?

Arrendar casa é hoje uma opção mais apelativa do que comprar para as famílias – mesmo que as despesas mensais sejam superiores. Os elevados encargos associados à fase inicial da aquisição de uma casa, a par do aumento do preço médio de compra ano após ano - que os salários brutos dos agregados familiares não conseguem acompanhar - são dois motivos que levam as famílias portuguesas a olhar para o mercado de arrendamento como a única solução possível.

Tudo isto leva a uma transformação do mercado de habitação. Para Patrícia de Melo e Liz, CEO da Savills Portugal, este é “um tema ainda recente, não só em Portugal, mas também na Europa, que está ainda a dar os primeiros passos na estruturação de um setor de rendimento em ativos de habitação nos seus diversos formatos”, disse na sessão dedicada ao tema que decorreu na Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa.

Mas já há soluções a serem pensadas e planeadas para o médio prazo para responder a esta necessidade. Há em cima da mesa programas do Governo para aumentar a oferta de arrendamento – e muitos em colaboração com as autarquias. Um deles insere-se no Plano de Recuperação e Resiliência que prevê colocar no mercado de arrendamento 6.800 novas casas a preços acessíveis nos próximos cinco anos. As contas da Savills reveladas em comunicado, indicam que só nos próximos quatro anos, está prevista a construção de cerca de 7.500 casas para arrendar, sendo que mais de 70% do investimento será de iniciativa pública.

Para estimular o investimento em construção para arrendar no setor privado, o Executivo de António Costa tem também desenhado medidas que dispensam investimentos iniciais nos terrenos de construção e licenças de construção e que apresentam benefícios fiscais. Mas será que chega?

Os representantes do setor presentes na sessão apelaram a um maior diálogo entre o Estado e a indústria imobiliária, de forma que o processo legislativo possa acompanhar as necessidades deste mercado, e não ser considerado um obstáculo ao crescimento da competitividade. Encurtar os prazos de aprovação de licenças para construção foi uma solução apontada para estimular a captação de investimento estrangeiro e, assim, melhorar o desenvolvimento do mercado de arrendamento no país.

Ainda assim, há investimento privado a avançar no país. A CBRE revelou no início deste mês que já estão a ser projetados ou em fase de licenciamento 12 projetos de desenvolvimento privado em Lisboa e no Porto, que colocarão no mercado de arrendamento mais de 3.200 unidades residenciais. A maioria - 2.450 – vai nascer na capital e as restantes 760 na cidade Invicta.