Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Merlin Propertites: “Acreditamos que a nossa atividade terá muito futuro em Portugal”

Ismael Clemente, CEO da Socimi espanhola Merlin Properties, em entrevista ao idealista/news.

Ismael Clemente, CEO da Merlin Properties
Ismael Clemente, CEO da Merlin Properties
Autor: Redação

A Merlin Properties (MP) aterrou em Portugal em 2015, com a compra do Edifício Caribe, no Parque das Nações, em Lisboa, e desde então foi sempre a somar, tendo inclusive começado a cotar este ano em bolsa – em regime de dual listing e não como Sociedade de Investimento e Gestão Imobiliária (SIGI), estatuto que ainda não adotou em Portugal. Em entrevista ao idealista/news, Ismael Clemente, CEO da SOCIMI espanhola, diz que a aposta em Portugal é para manter, mesmo no pós-Covid-19. Uma garantia, de resto, que já tinha sido dada por João Cristina, diretor da empresa em Portugal.

“Conhecemos o mercado muito bem, e as relações e amizades que temos em Portugal são hoje em dia tão fortes como as que temos em Espanha. Estamos muito contentes por estarmos a trabalhar no país. Gostávamos de ter um portefólio muito maior, e não sei se neste ciclo poderemos ampliá-lo, mas continuaremos à procura de oportunidades, porque é um país do qual gostamos muito. Acreditamos que a nossa atividade terá muito futuro em Portugal”, revela Ismael Clemente.

Sobre o facto da MP ter começado a cotar em bolsa este ano, na Euronext Lisbon, o responsável faz um balanço satisfatório: “Fizemo-lo como forma de dizer estamos aqui presentes e somos uma empresa semi-local. Muitas vezes aparecemos nas notícias como os espanhóis da Merlin, o que é normal, mas cada vez mais começam a receber-nos e a tratar-nos como uma companhia semi-local”. 

Afastada continua, para já, a possibilidade da MP cotar em bolsa como SIGI, à semelhança do que acontece em Espanha (a empresa cota como SOCIMI). “O regime em Portugal está a funcionar bem, há algumas SIGI pequenas que estão a cotar. O que ainda não funciona é o mecanismo intraeuropeu de reciprocidade, ou seja, ainda não temos direito a adquirir o regime SIGI simplesmente por sermos uma SICIMI. Em Espanha isso é possível, mas em Portugal não, ou seja, por sermos SOCIMI em Espanha não podemos, não temos direito, a ser automaticamente SIGI em Portugal. Mas acredito que o Governo português tem a intenção de modificar esta situação, e se isso vier a acontecer todo os nossos ativos em Portugal passarão a ficar englobados numa única filial”, explica Ismael Clemente.

Quando questionado sobre a influência da Covid-19 no negócio da empresa em Portugal, o responsável referiu que, tal como em Espanha, o maior impacto deu-se na atividade comercial. “Temos um enorme centro comercial [Almada Forum], que é um dos mais importantes do país, até porque tem muita afluência quer por parte da população local quer dos turistas. Nota-se que a afluência está muito em baixo face ao ano anterior, que há menos gente, mas as vendas estão a funcionar bem”, comenta, mostrando-se, no entanto, otimista: “Este centro vai recuperar vem, porque é seguramente um dos melhores do país”.

"Portugal é um país vencedor nesta pandemia, geriu muito bem a crise sanitária, com uma resposta de qualidade por parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS)"

Relativamente ao segmento de escritórios – a MP detém vários imóveis em Lisboa –, “é como se não se tivesse passado nada”, afirma o CEO da empresa. “Portugal é um país vencedor nesta pandemia, geriu muito bem a crise sanitária, com uma resposta de qualidade por parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que contrapõe bastante face a outros países. Continua a ser um país que gera bastante admiração e interesse por parte dos investidores, por isso no segmento de escritórios as coisas estão razoavelmente bem”, acrescenta.

De acordo com Ismael Clemente, o segmento de escritórios está a funcionar a velocidades diferentes em Portugal e Espanha, nomeadamente no que diz respeito aos valores de arrendamento praticados. A nível nacional estão já aos níveis da crise de 2007, 2008 enquanto em Espanha o mercado ainda está a 70%, 80% dos valores praticados. 

Sobre o segmento de logística a nível nacional, o CEO da MP considera que se trata de uma “atividade insipiente”, encontrando-se “muito atrasada” quando comparada com Espanha. “No nosso projeto em Vila Franca de Xira [Plataforma Logística Lisboa Norte (PLLN)] continuamos a desenvolver a primeira nave de forma especulativa, são 45.000 metros quadrados (m2), e o resto do terreno fica em ‘hold’ até que recebamos um nível interessante de ‘contactos’ para continuar a desenvolver mais produto. Ou seja, não vamos desenvolver 100.000 m2 de forma especulativa, porque fazê-lo com 45.000 m2 será suficiente. Acreditamos que nos próximos cinco anos seguramente estará concluído, [demora mais] porque Portugal está mais atrasado face ao resto da Europa em termos de desenvolvimento de logística”, conclui.