Num momento em que o setor imobiliário internacional está a assistir ao regresso do investimento, de forma gradual, assim como à redefinição das estratégias de financiamento, as empresas estão também a passar por um período de transformação estrutural no modo como utilizam, desenvolvem e gerem os seus ativos imobiliários. É neste contexto que a Colliers identifica cinco megatendências que vão transformar o imobiliário corporativo nas próximas décadas.
De acordo com o relatório "Building Resilience: 5 Megatrends Redefining Corporate Real Estate", a Inteligência Artificial (IA), as mudanças demográficas, a transição energética, os riscos climáticos e a nova ordem geopolítica estão a impactar as estratégias das empresas e a alterar os critérios de decisão de ocupantes, investidores e proprietários.
Em comunicado, o diretor geral da Colliers em Portugal, Pedro Valente, frisa que “o imobiliário corporativo deixou de ser apenas uma questão de localização e custos operacionais”, revelando que “as organizações procuram hoje ativos capazes de responder a desafios relacionados com talento, tecnologia, sustentabilidade, resiliência e segurança energética”.
1. A IA e o seu impacto na ocupação de escritórios
A crescente integração da IA nos ambientes de trabalho é a primeira das cinco megatendências, com a automação de processos e a evolução dos modelos de trabalho a exigirem espaços mais flexíveis e melhor preparados em termos tecnológicos.
Como consequência desta tendência, a procura por data centers e infraestruturas digitais deve aumentar, devido ao crescimento das necessidades computacionais associadas à IA.
2. Envelhecimento populacional leva empresas a realocar
As mudanças demográficas associadas ao envelhecimento da população em economias desenvolvidas e a escassez de talento em diversos setores leva a uma maior competição entre trabalhadores qualificados e “obriga” muitas empresas a privilegiar localizações com capacidade para atrair e reter talento.
3. Eficiência energética torna-se prioridade
Com a crescente pressão sobre os sistemas energéticos, os edifícios que apresentam melhor desempenho energético e uma maior capacidade de integração de fontes renováveis têm uma maior probabilidade de ir ao encontro das exigências dos ocupantes e das expectativas dos investidores, uma vez que reduzem os riscos operacionais associados à volatilidade dos preços da energia.
4. Fenómenos climáticos influenciam valorização dos ativos
Segundo o estudo da Colliers, a quarta tendência refere-se à influência dos riscos climáticos no valor e na liquidez dos ativos, obrigando o setor imobiliário a incorporar critérios de adaptação e resiliência nas decisões de investimento e desenvolvimento.
Neste contexto, os edifícios que se encontram mais preparados contra fenómenos climáticos extremos tendem a ser alvo de maior procura e valorização, em detrimento de outros localizados em zonas mais expostas a esses riscos, que poderão enfrentar maior pressão sobre os custos de financiamento, seguros e manutenção.
5. Geopolítica gera oportunidades para mercados estáveis
As várias alterações que estamos a assistir na ordem económica global, como a reorganização das cadeias de abastecimento, os processos de ‘nearshoring’ e a procura por maior autonomia estratégica, influenciam a localização de unidades industriais, centros logísticos e operações corporativas, devendo gerar oportunidades para mercados com capacidade de oferecer estabilidade e talento qualificado.
Sucesso dos ativos dependerá da capacidade de adaptação
Depois de identificar as cinco megatendências que deverão transformar o imobiliário corporativo nas próximas décadas, a Colliers conclui que estes ativos deverão apostar na sua capacidade de adaptação a mudanças económicas, tecnológicas, ambientais e sociais para garantir o sucesso, sendo a resiliência o principal critério para a criação de valor sustentável neste mercado.
Os investidores estão a demonstrar novamente confiança no setor, graças à melhoria das condições de financiamento e à estabilização dos preços que estão a criar oportunidades de investimento. Entre os principais segmentos considerados resilientes encontramos a logística, a habitação, os data centers e os ativos ligados à economia digital. Os investidores estão a dar prioridade à qualidade elevada, às localizações estratégicas e à eficiência energética dos edifícios.
O diretor geral da Colliers Portugal revela ainda que “a procura por ativos 'future-proof' está a redefinir os critérios de investimento”, com a sustentabilidade deixar de ser “apenas um fator de diferenciação para se tornar um elemento essencial na preservação de valor e na atração de capital”.
Financiadores com postura seletiva
Os financiadores estão a privilegiar projetos com fundamentos sólidos e estratégias claras de criação de valor, o que impulsiona operações de reposicionamento e reabilitação de ativos, especialmente em mercados urbanos mais consolidados.
A divergência entre ativos de elevada qualidade e imóveis obsoletos deve aumentar nos próximos anos, uma vez que os edifícios incapazes de responder às exigências ambientais e tecnológicas vão sofrer uma maior pressão sobre rendas, ocupação e liquidez.
Habitação e logística com grande potencial de crescimento
Segundo a Colliers, a habitação está entre os segmentos com maior potencial de crescimento, suportada por défices estruturais de oferta em vários mercados. A par da habitação encontram-se também a logística, impulsionada pela evolução das cadeias de abastecimento e do comércio eletrónico, e os ativos associados à digitalização da economia, como data centers e infraestruturas tecnológicas.
Num contexto de transformação económica, a disciplina na alocação de capital, a integração da sustentabilidade nas decisões de investimento e a crescente procura de ativos capazes de gerar rendimento estável são os fatores que irão marcar o próximo ciclo imobiliário, de acordo com o relatório da consultora.
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