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Comprar casa em Portugal anda na boca dos franceses

Gtres
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Portugal passou definitivamente a estar no radar dos franceses, que começaram a olhar para o país com outros olhos. Ricardo Simões, diretor executivo da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP), revela ao idealista news que em quatro anos – entre 2012 e 2015 – “o que se conseguiu foi fenomenal”, estando Portugal atualmente no topo das preferências dos gauleses, que apostam forte no imobiliário nacional. O responsável deixa, no entanto, um alerta: “Uma moda é efémera, tem de se aproveitar muito bem estes ciclos”. 

Quando é que os franceses começaram a interessar-se pelo imobiliário nacional?
O início do movimento foi dado com o pontapé de saída do Salão do Imobiliário e Turismo Português em Paris (SIPP) – organizado pela CCIFP –, em setembro de 2012. O contexto era de estagnação completa do mercado imobiliário em Portugal, de ausência de internacionalização, porque o setor nunca tinha aprendido a vender no exterior. Nós, CCIFP, tivemos a coragem de realizar um grande evento em que colocámos em evidência a valia do imobiliário e da instalação em Portugal para os franceses e para os residentes em França.

Ricardo Simões, diretor executivo da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP).

Soubemos desde logo a que nos íamos dirigir e sabíamos que seriam sobretudo seniores, pessoas com mais de 50 anos, não necessariamente reformados. Eles já partiam para países do Magrebe, como Marrocos, para Espanha, Itália, Miami (EUA), Tailândia, mas ignoravam Portugal. O que fizemos em 2012 foi pôr em destaque Portugal. E ainda não havia o Estatuto de Residente Não habitual (ERNH). A quantidade de voos, as questões climáticas, o custo de vida, são questões que interessam aos franceses. E depois há o investimento em imobiliário, que é o que os franceses preferem fazer, porque é algo concreto. Não gostam de comprar ações, por exemplo.

"O investimento em imobiliário é o que os franceses preferem fazer, porque é algo concreto. Não gostam de comprar ações, por exemplo"

Em 2012 houve o primeiro SIPP e a segunda edição, em 2013, já surge depois do ERNH. O que a CCIFP fez foi explicar e comunicar de forma ampla, como nunca tinha sido feito, a lei em França: quais as consequências, como se deve proceder etc.

Como foi feito esse trabalho?
Através da relação com a imprensa, de comunicados. Falamos dos artigos mais vistos em sites como o Le Figaro. E envolvia um tema bastante crítico para os franceses, a questão da fiscalidade, que estava a retirar-lhes poder de compra no próprio país. A segunda edição do SIPP, em 2013, aproveita e informa sobre a nova lei: o ERNH começou em janeiro desse ano. No fundo traduzimos a lei em linguagem prática para que o comum dos mortais possa perceber.

"Portugal, em 2012, nem estava no top dez dos destinos preferidos dos franceses, e passou a estar no início de 2015 no topo das preferências. Em 2014 já estava no top três e em 2013 ainda não estava no top dez. Em quatro anos o que se conseguiu foi fenomenal"

Em França, todas as pessoas ouviram falar do movimento de reformados para Portugal. O assunto é falado nos cafés, cabeleireiros... O passa-palavra é fundamental. Foi isso que pôs Portugal no mapa e fez com que o país, que em 2012 nem estava no top dez dos destinos preferidos dos franceses, passasse a estar no início de 2015 no topo das preferências. Em 2014 já estava no top três e em 2013 ainda não estava no top dez. Em quatro anos o que se conseguiu foi fenomenal, Portugal está na moda. O que foi preciso foi alguém dizer: “Olhem para Portugal, estamos aqui”.

A quantidade de carros de matrícula francesa que vimos este verão em Portugal é alucinante. E se as pessoas não ficaram em hotéis e não apanharam avião não é contabilizado, ou seja, haverá muito mais turistas. E o francês é um turista que consome, tendo um gasto diário superior a quase todos os outros, o que faz com que o dinheiro injetado no país seja impressionante.

Quanto é que os franceses já investiram em Portugal só com a compra de casas?
Em imobiliário, segundo números da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária em Portugal (APEMIP) relativos a 2014, e tendo por base um valor médio de compra de imóveis de 200/220 mil euros, chegamos aos 700 milhões de euros [foram mais de 600 milhões e em 2014 os franceses compraram 3.680 casas no país – sendo apenas superados por chineses (4.140) e ingleses (5.300)]. Mas o mercado francês tem potencial para ultrapassar o inglês e chinês.

"Uma moda é efémera, tem de se aproveitar muito bem estes ciclos"

A tendência vai manter-se em 2016?
Será um ano de grande crescimento, mas temos de continuar a alimentar o mercado. Não vai haver problemas se não houver alterações substanciais no setor em termos políticos, nomeadamente no que diz respeito ao ERNH. Não houve o impacto mediático negativo dos vistos gold.

E sobre o SIPP de 2016, que se realiza de 20 a 22 de maio, o que se pode esperar?
Na quinta edição esperamos ter pelo menos 20 mil visitantes. Este ano foram 16 mil, no ano passado 14.800 e em 2013 cerca de 4.000. O que precisamos de fazer é explorar outras áreas, como turismo e gastronomia. Vai haver muito maior presença turística, nomeadamente representada pelas câmaras municipais. Uma moda é efémera, tem de se aproveitar muito bem estes ciclos.