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Queres vender bem e rápido a tua casa? Coloca-a a "bom preço", aconselha especialista

Com o mercado imobiliário ao rubro e com o preço das casas a disparar em Portugal, muitos proprietários acabam por ter uma postura mais agressiva na hora de colocar o imóvel à venda, na esperança de conseguir um melhor negócio. Por outro lado, o mercado assiste a um fenómeno que não se registava “há muito tempo”, que é o facto de “haver múltiplas ofertas” por imóveis anunciados a “valores competitivos”, conta Ricardo Sousa, administrador da Century 21 Portugal, em entrevista ao idealista/news.

“Ao contrário dos imóveis que entram com valores mais elevados, que acabam por ficar mais tempo à venda, um imóvel que chega com valores de mercado tem hoje duas, três, quatro, cinco propostas. E esta lógica está a mudar aquilo que é o ‘asking price’ e o ‘selling price’. Assiste-se a um movimento contrário, que é o imóvel chegar com um preço e acabar por ser vendido mais caro”, revela o CEO da mediadora, que no primeiro semestre foi responsável pela transação de 4.232 imóveis, mais 19% que no período homólogo.

"A oferta disponível está muito desajustada às necessidades do poder de compra dos portugueses"

Em jeito de balanço, Ricardo Sousa adianta que os primeiros seis meses do ano ficaram marcados pela escassez de oferta ajustada ao que as pessoas procuram. Um cenário que se deve manter ou agravar até final do ano: “Onde estamos com maior dificuldade é nas casas que os portugueses procuram. A nossa expetativa é que o ritmo de transações se mantenha, mas os preços vão estar cada vez mais condicionados a esta questão, que é o facto da oferta disponível estar muito desajustada às necessidades do poder de compra dos portugueses”.

Uma das soluções passa por apostar na construção de casas novas, nomeadamente nas periferias das grandes cidades. Algo que já está a acontecer, mas a um ritmo muito lento. O grande problema é, sintetiza Ricardo Sousa, “a oferta estar desajustada da procura”.

Por outro lado, o responsável mostra-se preocupado com o aparecimento de “operadores mais oportunísticos no mercado” da mediação imobiliária. “O mercado entra num ciclo menos profissionalizado. Há muitos novos operadores que tentam espreitar uma oportunidade de negócio de curto prazo”, conta.

Arrendamento à espera de melhores dias

No que diz respeito ao arrendamento, o CEO da Century 21 Portugal põe o dedo na ferida, considerando que há no país um mercado disperso e amador: “Era fundamental haver investidores e operadores profissionais de dimensão que possam ter uma lógica de médio-longo prazo e fazer o mercado trabalhar com base nas taxas de retorno e não apenas na especulação. Só assim se consegue colocar no mercado imóveis a preços competitivos. As pessoas acabam por comprar casa porque não conseguem arrendar. Elas optam por um T2 nas periferias das cidades e pagam menos ao banco que por um T1 arrendado no centro” .

Mas o mercado de arrendamento é sem dúvida um segmento a explorar, já que tem muita procura. “Temos espaço no mercado. Em vez de estarmos nos 70% de proprietários podemos estar nos 60%, mas para isso é preciso haver maior oferta, melhor e mais profissional, e com preços ajustados ao poder de compra”, conta.

Mudança de perfil dos clientes estrangeiros

Quando questionado sobre se a ameaça de uma bolha imobiliária é real, Ricardo Sousa desdramatiza e revela que a euforia em torno do imobiliário nacional poderá esfriar, já que há uma mudança de perfil dos clientes internacionais. “Estão cada vez mais a procurar Portugal, mas fixam-se num valor de investimento entre 200 a 300 mil euros”, aponta, frisando que o país continuará no radar e que os preços dos imóveis “ainda são muito competitivos face aos de outras cidades”.