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Investimento imobiliário comercial pode ultrapassar os 2.500 milhões em 2018

Gtres
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Autor: Leonor Santos

O mercado imobiliário está de boa saúde? Está. O ano de 2017 foi bom, mas 2018 poderá ser ainda melhor. A consultora Cushman & Wakefield (C&W) acredita que o setor deverá manter uma trajetória positiva e estima que o investimento imobiliário comercial ultrapasse os 2.500 milhões de euros no próximo ano. Tudo dependerá dos negócios que estão em pipeline, à espera de luz verde para avançar.

As notícias são animadoras: o imobiliário deverá continuar a viver “dias felizes”. De acordo com Marta Esteves Costa, Head of Research & Consultancy da C&W, o crescimento continuará a ser positivo e alimentado pela “boa conjuntura da economia portuguesa”. Na sessão de apresentação do balanço do ano e antevisão de 2018, a C&W fez uma análise do imobiliário comercial, segmento a segmento, na qual se destaca o desempenho extraordinário da área de investimento.

Segundo Eric van Leuven, diretor-geral da consultora em Portugal, "em linha com a tendência que vimos a assistir desde há dois anos, 2017 foi mais um ano excelente para o mercado do imobiliário comercial em Portugal". "Todos os setores registaram um elevado dinamismo, tanto ao nível da atividade ocupacional como de investimento", acrescentou.

Cushman & Wakefield
Cushman & Wakefield

Investimento comercial ao rubro

Dados da consultora revelam que o investimento em imobiliário comercial em Portugal cresceu 41% em 2017, para 1.800 milhões de euros. Trata-se do "segundo volume de investimento mais alto de todos os tempos", mais 8% que em 2016 e o dobro da média dos últimos 16 anos. O investimento foi bom, mas poderia ser ainda melhor, não tivessem muitos negócios ficado em pipeline. A serem concretizados podem ultrapassar largamente os 2.500 milhões de euros em 2018, adiantou a C&W, sem revelar, no entanto, os portefólios em causa.

Eric van Leuven acredita que este pode mesmo ser o “tema para 2018”. O responsável salientou que existe “muito interesse, negócios cada vez maiores, mas que é exigido cada vez mais tempo na concretização”, referindo-se ao facto dos 1.800 milhões terem ficado aquém do que seria esperado, em face dos vários negócios que derraparam para este ano.

Cushman & Wakefield
Cushman & Wakefield

Os investidores estrangeiros mantiveram-se muito ativos, tendo sido responsáveis por 75% do volume total, mas os 'players' nacionais assumem uma importância crescente, aumentando a sua quota de participação em mais de 10% face a 2016 e representando este ano 25% do capital investido (440 milhões de euros). Segundo as contas da C&W, e no que diz respeito ao investimento comercial por setor, o retalho continua a absorver a maioria do capital (43%/730 milhões), seguido dos escritórios (37%/630 milhões) e do setor industrial (18%/mais de 300 milhões), que acumulou em 2017 o valor de investimento mais alto de sempre.

Centros comerciais sem novos projetos, mas com planos de expansão

O volume de negócios no comércio a retalho está em crescimento desde 2013, segundo a consultora, que destaca o ano de 2017 como sendo um ano de “recuperação sólida da procura”. Foram 705 novos contratos de retalho em Portugal, nos quais se destaca, por setor de atividade, a restauração (o setor mais ativo com 266 novas lojas em funcionamento), que ultrapassou o “setor moda” – caiu para segundo lugar, com 23% das aberturas e cerca de 160 novas lojas.

O mercado português atingiu um estado de saturação no que diz respeito à abertura de novos centros comerciais. No próximo ano, e provavelmente nos seguintes, vamos assistir, sobretudo, a projetos de expansão e remodelação dos centros existentes. De destacar, ainda assim, as aberturas de 2017, nomeadamente o Évora Shopping e o MAR Shopping Algarve.

Oferta de escritórios continua a não ser suficiente

O mercado de escritórios da Grande Lisboa teve um dos seus melhores anos de sempre. Entre janeiro e novembro foram arrendados cerca de 155.000 metros quadrados (m2) de escritórios, refletindo um crescimento homólogo na ordem dos 30%. As estimativas de fecho de ano apontam para os 170.000 m2, valor que será o terceiro mais alto da história. Ainda assim, como seria de esperar, a limitação da oferta continua a comprometer a procura.

A consultora nota que a “atividade de promoção está em recuperação desde 2015, mas ainda aquém da necessidade do mercado”. Deverão chegar ao mercado, nos próximos dois anos, apenas 70.000 metros quadrados (m2) de novos espaços. Em 2018 chegam 40.000 m2, sendo que 50% dos mesmos já estão em situação de pré-arrendamento.

Cushman & Wakefield
Cushman & Wakefield

Um cenário que, de acordo com Eric van Leuven, pode “limitar a expansão das empresas e da própria economia”. O responsável salienta que esta escassez pode condicionar as “empresas que querem trazer emprego para Portugal, mas que não o conseguem fazer por dificuldades de expansão”. 

Perspetivas para 2018

A consultora antevê um ano de 2018 positivo. No que diz respeito aos escritórios preveem-se os mesmos problemas de limitação da oferta, ainda que o crescimento económico continue a alimentar a “procura sustentada e saudável”. No retalho, a procura deverá manter o crescimento em rua e centros comerciais, sendo que a promoção deverá sofrer um reforço “em 2018 de forma abrangente em todos os setores do imobiliário”.

A consultora identifica, também, um risco e uma tendência. “O principal risco que o setor enfrenta é a subida das taxas de juro”, disse Marta Esteves Costa, durante a apresentação, salientando, no entanto, que este cenário não será expectável em 2018, mas sim em 2019.

No que diz respeito à tendência, a C&W escolhe a inovação como palavra para 2018. “Inovação será a palavra de ordem em 2018”, revelou a consultora, adiantando que “espaços de coworking, residências para estudantes e residências seniores começam a surgir em força, captando o interesse de ocupantes e investidores”.

C&W fecha o ano com “muita satisfação”

A consultora fecha o ano de 2017 com “resultados em linha com 2016”, sendo mais uma vez um dos escritórios mais rentáveis do grupo na Europa. Destacam-se alguns dos principais negócios, nomeadamente na área industrial a maior operação de investimento imobiliário com a compra do portfólio da Logicor, mas também a venda do Edifício Entreposto, dois grandes portfólios de retalho, o Hotel Vintage Lisboa, o Rossio 62, a plataforma logística Azambuja, dois edifícios na Quinta da Fonte, muitas lojas e edifícios para reabilitação.