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“Vou mudar de vida”: Helena Roseta renuncia aos cargos de presidente e deputada da AML

A arquiteta, de 71 anos, anunciou saída da AML num jantar do movimento Cidadãos Por Lisboa, que lançou há 12 anos.

Bruno Martins
Bruno Martins
Autor: Redação

A presidente da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), Helena Roseta, anunciou esta quinta-feira (17 de outubro de 2019) que vai abandonar no final do mês aquele órgão autárquico. “Vou mudar de vida. Vou fazer 72 anos, acho uma boa idade para mudar de vida”, revelou a arquiteta, num jantar do movimento Cidadãos Por Lisboa, que lançou há 12 anos. 

“Não sei quantos anos mais vou viver e, portanto, agora têm de ser vividos com muita intensidade estes que me restam. Preciso de tempo para fazer as coisas que quero fazer ainda na vida e na política e isso exige que tome estas decisões”, disse, citada pela Lusa, salientando que aproveitará a saída para colaborar com equipas de investigação na área da habitação.

Adiantando que se vai reformar dos cargos políticos, mas não da vida nem da política, Roseta aproveitou o momento para deixar críticas à Câmara Municipal de Lisboa (CML), nomeadamente em relação aos processos de participação e em matéria de urbanismo. Citada pelo Jornal de Negócios, referiu que, no caso da capital, “o problema da habitação não se resolve só na cidade”, sendo necessário haver “um programa metropolitano para a habitação”. 

"É um desafio que deixo. Para não termos um centro cada vez mais caro e as pessoas a viverem cada vez mais longe do centro, a afastarem-se cada vez mais para a periferia. [Agora, Lisboa] está a chegar ao fim de um ciclo em matéria de urbanismo. É uma altura de mudanças”, explicou.

A antiga deputada pelo PSD e pelo PS também deixou um recado a Manuel Salgado, que abandonou o cargo de vereador, mas que mantém a presidência da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU): “Lisboa deve muito a Manuel Salgado, não podemos deixar de reconhecer, mas um novo ciclo também é uma nova oportunidade e é necessária uma mudança de paradigma. Se é um novo ciclo, quem sai deve sair completamente, disse-o ao próprio [Manuel Salgado] e disse-o ao presidente [Fernando Medina]”, disse, citado pela publicação.

Um percurso longo e muito ativo 

Helena Roseta saiu do PS, partido que integrava desde 1987, para lançar o movimento Cidadãos Por Lisboa, nas eleições intercalares da autarquia, em 2007. Nesse ano, o Cidadãos por Lisboa elegeu dois vereadores, entre os quais Helena Roseta, que foi novamente eleita em 2009, ano em que o movimento celebrou um acordo com o PS que foi decisivo para a maioria absoluta dos socialistas na câmara lisboeta.

A autarca dirigiu o primeiro programa local de habitação do país, aprovado em 2010 pela AML, e foi responsável pelo pelouro da Habitação entre 2009 e 2013. Em 2011, lançou também o programa BIP/ZIP – Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária, distinguido em 2013 com um prémio de boas práticas de participação cidadã pelo Observatório Internacional de Democracia.

Em 2013, o movimento Cidadãos Por Lisboa voltou a renovar o acordo com o PS e Helena Roseta foi eleita presidente da AML e deputada nas eleições autárquicas de 2013 e de 2017. A arquiteta desenvolveu também trabalho em matéria de habitação no Parlamento.

Eleita deputada à Assembleia da República nas eleições de 2015, como independente nas listas do PS, Helena Roseta propôs no Parlamento, em 2016, a criação do grupo de trabalho da Habitação, Reabilitação Urbana e Políticas de Cidade, tendo sido coordenadora do mesmo até 2018.

Nesse ano apresentou, com o apoio do grupo parlamentar do PS, o primeiro projeto de Lei de Bases da Habitação em Portugal, em vigor desde 1 de outubro.

Demitiu-se da coordenação do grupo de trabalho em novembro de 2018 por discordância política com o PS na condução dos trabalhos do pacote legislativo da habitação e deixou de constar nas listas do PS para as legislativas do passado dia 6 de outubro por opção própria.

Nos anos 1960 foi dirigente estudantil e em 1973 foi detida pela PIDE numa altura em que era secretária-geral do antigo Sindicato Nacional dos Arquitetos e apresentou uma tese com o tema da habitação. Em 1975 foi eleita deputada constituinte para o Parlamento, tendo também integrado as listas do PSD até 1982 e, a partir de 1987, as listas do PS. Helena Roseta foi também presidente da Ordem dos Arquitetos entre 2001 e 2007.