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Investimento em imobiliário mantém-se “vivo” e movimenta milhões apesar da crise

Estão a nascer vários projetos imobiliários em Portugal, muitos com capital estrangeiro. E o apetite por ativos continua forte.

Photo by Timo Wielink on Unsplash
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Autor: Redação

A pandemia do novo coronavírus afetou a economia um pouco por todo o mundo, e Portugal não é exceção. E o setor imobiliário também sentiu o “abalo” causado pela Covid-19. Ainda assim, o investimento manteve-se “vivo”, continuando a movimentar milhões ao longo do ano. Estão a nascer vários projetos imobiliários em Portugal, muitos com capital estrangeiro, algo revelador da atratividade do país como destino de investimento, mesmo em tempos de pandemia e num ano marcado pela incerteza e crise económica à escala global.

Um ano de milhões, novidades e estreias

Foram vários os exemplos de projetos imobiliários avaliados em largos milhões de euros que foram sendo noticia ao longo do ano – e em diversos segmentos. Logo em abril, e em plena pandemia, o grupo israelita TAGA-URBANIC revelou querer apostar forte no mercado português, onde espera investir cerca de 100 milhões até 2023. O grupo tem como objetivo criar, nos próximos cinco anos, um portefólio de cerca de 700 apartamentos reabilitados, tanto no Porto como em Lisboa. No mesmo mês, ficámos a saber também da “luz verde” da autarquia do Porto para a reconversão do antigo Matadouro Industrial num polo empresarial, social e cultural. 

A promotora VIC Properties deu “gás” a vários projetos e iniciou a construção de vários novos edifícios do grande empreendimento Prata Riverside Village, localizado em Marvila, na primeira linha da frente ribeirinha, e anunciou um investimento de 450 milhões para erguer a Herdade do Pinheirinho em Melides. O COO da VIC Properties, Luís Gamboa, analisou por essa altura o mercado imobiliário na pandemia e traçou perspetivas num entrevista que também vale a pena ler.

Quem também “aterrou” em Portugal decidida a fazer a diferença foi a Nexity. A promotora imobiliária de origem francesa esteve dois anos a estudar o mercado e estreou-se em Portugal em plena pandemia. O seu plano estratégico irá passar, entre outras coisas, por criar oferta de construção nova para as famílias portuguesas de classe média, e já tem vários projetos residenciais em marcha no Porto e em Lisboa. O diretor geral da Nexity Portugal, Fernando Vasco Costa, explicou tudo numa entrevista ao idealista/news.

A Finangeste, empresa de recuperação de créditos e gestão de ativos imobiliários, anunciou que concluiu o empreendimento Caldas Terrace, num investimento de 10,5 milhões de euros, e revelou que vai continuar a investir em Portugal, tendo uma carteira de investimentos que ronda os 500 milhões de euros.

E houve outros projetos e negócios que se destacaram, querem por serem curiosos ou simplesmente diferentes: por exemplo, o Barreiro Riverside Park, onde vão nascer mais de 500 apartamentos num terreno com 69.000 m2; o Palacete Leitão, que foi comprado pela instituição do príncipe Aga Khan por 13,5 milhões de euros; ou ainda o investimento de 18 milhões da Liga Portuguesa de Futebol Profissional num novo edifício no Porto, onde devem nascer um museu, centro de formação e praça do futebol.

O que também despertou o interesse dos investidores foram os imóveis e terrenos agrícolas, tanto que a consultora CBRE decidiu criar uma nova linha de negócio dedicada ao setor agrícola, sendo esta uma tipologia de ativos com grande expressão em Portugal.

A estreia na bolsa portuguesa da primeira sociedade de investimento imobiliário (SIGI) também marcou o ano. A Olimpo Real Estate Portugal (Ores), lançada pela Sonae Sierra e Bankinter, foi admitida à cotação em junho, em plena pandemia.

Chuva de projetos imobiliários no país

O Grande Porto e Grande Lisboa continuam no radar dois investidores e a atrair investimento, e as notícias de novos empreendimentos previstos para estas zonas são prova disso. Mas a zona do Algarve não fica de fora: o condomínio Quintinhas é um dos projetos que a Vilamoura World (VW) – empresa detida por fundos da Lone Star (dona do Novo Banco) – tem para Vilamoura, e prevê a construção de um condomínio de luxo com casas passivas (PassivHaus). O Ombria Resort é outro resort de luxo no Algarve que fintou a pandemia e que atrai portugueses. As obras do megaempreendimento de alto 'standing', que está a crescer nos arredores de Loulé, seguem a bom ritmo.

Mas as novidades também chegaram às ilhas: vai nascer um novo projeto residencial de luxo no Funchal, chama-se Monumental Madeira e é o primeiro investimento da promotora imobiliária Habitat Invest naquele território. Quem também está a investir no Funchal é o grupo Pestana, através da transformação numa antiga cervejaria num condomínio de casas de luxo - nos Açores está a construir um projeto residencial.

Projetos no Grande Porto

Projetos Grande Lisboa

Investimento em imobiliário comercial resistente

Nem as dificuldades causadas pelo novo coronavírus travaram o investimento em imobiliário comercial. Em 2020, ano marcado pela pandemia da Covid-19, o investimento em imobiliário comercial em Portugal rondará os 2.800 milhões de euros, menos 14% que em 2019. É, ainda assim, o terceiro melhor resultado de sempre em termos de volume, segundo dados revelados pela Cushman and Wakefield (C&W). Registou-se “um decréscimo no volume de investimento de 30% face às previsões feitas antes da pandemia para fecho de ano”, explica a consultora.

Segundo Paulo Sarmento, Partner e diretor de Capital Markets da C&W, “o interesse dos investidores estrangeiros no mercado português manteve-se ao longo do ano”, sendo que “os principais ‘players’ do mercado não só reconheceram a boa resposta que o país estava a ter face à pandemia, mas foram também pressionados pelos elevados níveis de liquidez que registavam”. Uma quebra no investimento imobiliário comercial que “está perfeitamente em linha com outros países”, assegura.  

Um estudo recente da CBRE revela que o investimento em imobiliário comercial na Europa regressará aos níveis pré-Covid-19 em 2022, ainda que o mercado esteja bem posicionado para recuperar, apesar da crise pandémica. De acordo com o relatório EMEA Real Estate Market Outlook 2021, o volume de investimento imobiliário comercial europeu deverá ter uma quebra de 25% em 2020 e aumentar entre 5% e 10% em 2021, recuperando, depois, no ano seguinte.

“O apetite por ativos continua forte, especialmente para ativos de logística, habitação multifamiliar e escritórios prime nos principais mercados, e este interesse deve manter-se em 2021. Deverão ocorrer no curto prazo algumas vendas forçadas, nomeadamente de ativos de hotelaria e de retalho secundários”, indica ainda a consultora.

Para Cristina Arouca, Head of Research Portugal da CBRE, não há dúvidas de que a pandemia “criou enormes disrupções nos mercados imobiliários em 2020, provocando um fim abruto no ciclo económico que se vivia”. “Como acontece com todas as crises, os impactos e a recuperação não serão uniformes em todos os setores e geografias, mas novas oportunidades surgirão, e a expetativa de implementação de um plano de vacinação em breve leva-nos a acreditar numa recuperação sustentável com a entrada em 2021”, acredita.