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Casa de luxo de Ronaldo no Castilho 203 tem uma nova ‘marquise’ construída pelo futebolista que é "ilegal"

Nova estrutura metálica e envidraçada não consta no projeto original desenhado pelos arquitetos do edifício, que assumem ir "até às últimas consequências".

Vanguard Properties
Vanguard Properties
Autor: Redação

A nova ‘penthouse’ de Cristiano Ronaldo em Lisboa situa-se no edifício Castilho 203 e custou-lhe mais de 7 milhões de euros. O futebolista decidiu entretanto fazer algumas alterações na casa de luxo e uma delas passou por instalar no topo do edifício uma ‘marquise’ que não consta no projeto original e que está à vista. Os arquitetos do edifício dizem estar “chocados” com esta alteração e a Câmara Municipal de Lisboa promete que vai avaliar a situação e agir em conformidade.

A polémica instalou-se esta quinta-feira (dia 27 de maio de 2021), quando o Correio da Manhã (CM) avançou que na nova ‘penthouse’ de Cristiano Ronaldo – situada junto ao Parque Eduardo VII – foi instalada uma estrutura metálica e envidraçada no topo do edifício. O problema é que este espaço fechado extra não consta no projeto original desenhado pelos arquitetos para este espaço exterior, que conta com uma piscina e uma zona 'lounge'.

Esta nova ‘penthouse’ de luxo de Ronaldo tem uma vista de 360 graus sobre a capital, como pôde apurar o idealista/news numa visita ao edifício Castilho 203. A cobertura conta com três quartos, duas piscinas (um interior e outra exterior), ginásio, sauna e cinema. Este edifício residencial situado no coração da capita pertence à Vanguard Properties e conta com um total de 19 apartamentos de luxo.

O arquiteto do edifício José Mateus já reagiu à notícia do CM. Em declarações à SIC Notícias refere que, “hoje de manhã fui confrontado com a notícia de que tinha sido contruída aquela marquise, portanto, aquela caixa lá em cima, preta, pousada no edifício, e fiquei muito surpreendido, fiquei muito chocado”.

Este pode ser também um problema legal já que Câmara Municipal de Lisboa garantiu à SIC que “não existe qualquer pedido ou autorização posterior a 2020, solicitando alterações ao projeto desenhado pelo arquiteto José Mateus”. Isto quer dizer que a estrutura foi construída sem autorização prévia e é, por isso, ilegal.

O arquiteto explica que para haver um projeto de licenciamento de um acrescento sobre o edifício, "não poderia incluir o aumento de altura, porque o edifício já está com a altura máxima que é possível construir, que era a altura do edifício que lá existia antes da demolição quase total da arquitetura anterior". Depois há que ter em conta, continua o responsável, que sendo esta considerada uma “parte comum, obriga à aprovação dos restantes condóminos, a ser registado em ata e assinado. Coisa que não foi feita”, conclui.

Vanguard Properties
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Note-se que o desenho final do apartamento foi delineado entre o craque do futebol e os arquitetos, que para resolver esta questão assumem mesmo que ir “até às últimas consequências”. Isto é, se esta estrutura não for demolida José Mateus considera a hipótese de levar a questão a tribunal, até porque “há direitos de autores, há um quadro legal e tudo isso tem de ser cumprido”. Ainda assim, acredita que “não vai ser necessário” e conta com o apoio do município para resolver a questão.

E José Mateus pronunciou-se também na sua página no Facebook declarando que não vai “assistir parado” ao “desrespeito e à conspurcação de forma ignóbil” daquele edifício “sem ter cumulativamente a anuência dos arquitetos, dos vizinhos e sem projeto aprovado” pela autarquia.

Num post que denominou de “o autogolo de CR7”, o arquiteto do atelier ARX declarou que a sua admiração por Ronaldo “desmoronou-se num ápice” e prometeu reagir. “Há cultura, há autorias, há regras, há respeito pelos outros e pelo trabalho dos outros, há civismo, há princípios que não admito que sejam atropelados. Seja por quem for.”

Por sua vez, o presidente da autarquia, Fernando Medina, refere em declarações à SIC que a “Câmara de Lisboa vai averiguar a situação e depois vai agir em função da situação”. Para o efeito, o autarca refere ainda que será feita uma inspeção e que não tem dúvidas de que tudo “será regularizado de acordo com a lei”.

Em resposta a vários outros meios de comunicação, a câmara da capital diz que o último pedido de alteração ao projeto foi feito em outubro de 2019 e previa, entre outras coisas, “a alteração do material das guardas das varandas (que passaram de vidro a serralharia pintada)”. A autarquia diz também que houve uma fiscalização ao imóvel em fevereiro de 2020, “não tendo sido proposta a adopção de qualquer medida.”