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Preços das casas ainda sobem (5,2%), mas menos – é o menor aumento desde 2015

Aumento homólogo do 1º trimestre de 2021 é inferior ao verificado no trimestre anterior (8,6%) e nos últimos anos, segundo o INE.

Preços das casas em Portugal
Imagem de Frank Nürnberger por Pixabay
Autor: Redação

Os preços das casas em Portugal continuam a subir em tempos de pandemia, embora a um ritmo mais lento. No primeiro trimestre de 2021, aumentaram 5,2% face ao mesmo trimestre de 2020, um crescimento homólogo, no entanto, inferior ao registado nos últimos trimestres, sendo preciso recuar até ao quarto trimestre de 2015 – quase seis anos – para encontrar um valor mais baixo. Em causa estão dados divulgados esta quarta-feira (23 de junho de 2021) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

“No primeiro trimestre de 2021, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços da Habitação (IPHab) foi 5,2%, menos 3,4% que no trimestre anterior (8,6%). Este resultado traduziu-se no aumento de preços menos expressivo registado desde o quarto trimestre de 2015 (5%)”, lê-se no site do INE

O instituto adianta ainda que, nos primeiros três meses de 2021, o ritmo de crescimento dos preços das casas usadas foi superior ao observado nas casas novas: 5,4% e 4,5%, respetivamente.

Vendidas mais casas que há um ano

Relativamente ao número e valor das transações, ambos os indicadores aumentaram em termos homólogos. “Entre janeiro e março de 2021, foram transacionadas 43.757 habitações com um valor total de 6,9 mil milhões de euros, traduzindo-se num aumento, face a idêntico período do ano anterior, de 0,5% e 2,5%, respetivamente”, conclui o INE.

O número de casas vendidas (43.757), apesar de ser inferior ao verificado no último trimestre do ano passado (49.734) – um record trimestral histórico em plena pandemia –, começa a aproximar-se dos níveis verificados na pré-pandemia: no primeiro trimestre de 2020 foram vendidas 43.532 casas e no primeiro trimestre de 2019 foram transacionadas 43.826. 

“Por meses [no primeiro trimestre de 2021], janeiro e fevereiro evidenciaram reduções de 8,3% e 14,1%, respetivamente, no número de transações e de 8,3% e 8,5%, pela mesma ordem, em valor. Recorde-se que nestes dois meses foram introduzidas restrições à mobilidade com o agravamento da pandemia e que comparam com dois meses de 2020 em que a pandemia estava apenas a iniciar o seu efeito. Em março, pelo contrário, as transações realizadas aumentaram aproximadamente 27,5% em termos homólogos, quer em número quer em valor, refletindo em grande medida um efeito de base devido à comparação incidir sobre março de 2020, mês já fortemente afetado pela pandemia Covid-19”, explica o INE.

Valor das vendas atinge os 6,9 mil milhões de euros

No que diz respeito ao valor dos alojamentos transacionados nos primeiros três meses de 2021, ascendeu a 6,9 mil milhões de euros, sendo que 5,6 mil milhões foram relativos a imóveis existentes e 1,3 mil milhões a habitações novas. “Estes valores representam aumentos homólogos de 2,5%, no caso do total e de 4,1% na categoria das habitações existentes. Relativamente às habitações novas, o valor apurado evidencia uma redução de 3,7% relativamente ao mesmo trimestre de 2020”, sublinha o INE.

De referir que o valor dos alojamentos vendidos entre janeiro e março deste ano (6,9 mil milhões de euros) é inferior ao verificado no trimestre anterior (7,5 mil milhões), mas superior ao registado nos primeiros trimestres de 2020 e 2019: 6,7 mil milhões e 6,1 mil milhões, respetivamente.

Lisboa concentra um terço das casas vendidas

Um terço (33,6%) das casas vendidas no país no primeiro trimestre de 2021 encontram-se na Área Metropolitana de Lisboa (AML), ou seja, 14.713 em 43.757. Este foi, segundo o INE, o terceiro trimestre consecutivo em que se observou uma redução (-1,9%) no peso relativo desta região. 

“O Norte, com 12.713 transações, concentrou 29,1% do total (+1,1% em termos homólogos). Na região Centro foram transacionados 8.541 alojamentos, correspondendo a um peso relativo de 19,5%, que tem aumentado há quatro trimestres consecutivos. No Algarve, o número de transações totalizou as 3.240 unidades, um registo muito próximo do observado no Alentejo (3.035). No Algarve, o registo obtido traduziu-se numa redução do peso relativo desta região, -1,2%, para um total de 7,4%, enquanto no Alentejo, este foi o quinto trimestre consecutivo onde se observou um aumento da quota relativa regional, fixada em 6,9% no trimestre em análise. Na Região Autónoma dos Açores e na Região Autónoma da Madeira foram transacionados 606 e 909 alojamentos, respetivamente, representando, 1,4% e 2,1%, pela mesma ordem, do número total”, aponta o INE.

Em termos de valor total das habitações transacionadas por região, a AML representou, nos primeiros três meses do ano, 45,6% do valor total, menos 2,2% que no período homólogo. Já na região Norte, os alojamentos transacionados totalizaram 1,7 mil milhões de euros, cerca do dobro da região Centro. “As quotas relativas regionais das duas regiões aumentaram 1,8% e 1%, respetivamente”, nota o INE, salientando que o Alentejo, com um valor de 299 milhões de euros (4,3% do total), apresentou também um aumento da sua quota (+0,8%). 

“No período em análise, o Algarve representou 9,4% do valor total das transações, correspondente a um decréscimo de 1,2% face a idêntico período do ano anterior. O valor das transações de habitações na Região Autónoma dos Açores e na Região Autónoma da Madeira representaram 0,9% e 2%, respetivamente, do total, com uma redução homóloga de 0,3% no primeiro caso e um peso relativo inalterado, no segundo”, conclui o instituto.