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Varandas pré-fabricadas: a solução para as casas sem espaços ao ar livre

Estas varandas permitem criar novos espaços exteriores nos edifícios existentes, mas há vários aspetos a ter em conta.

Varandas pré-fabricadas
Autor: Lucía Martín (colaborador do idealista news)

Houve uma época em que os apartamentos eram construídos com varandas ou, pelo menos, pequenas sacadas que davam um breve vislumbre da vida no exterior. Na altura, quase todas as casas tinham varanda fosse ela pequena ou grande, e quer os prédios se situassem no centro ou na periferia das cidades. Mas, mais tarde, muitos proprietários sentiram a necessidade de aumentar a área das suas casas e, por isso, decidiram fechar as varandas, incluindo esses metros quadrados na sala de estar. É por isso que hoje se pode ver em vários edifícios, muitas varandas fechadas que fazem parte do interior da casa. 

No mesmo edifício, podem coexistir varandas fechadas e outras abertas, algo que é tótum revolutum para a arquitetura. Quem decidiu não fechar as varandas, acabou por beneficiar de um espaço ao ar livre durante a pandemia da Covid-19 que foi declarada em março do ano passado. Uma varanda, embora minúscula, foi para muitos um balão de oxigénio durante o confinamento. E quem não tem varanda em casa sentiu a falta deste espaço mais do que nunca. 

Há relativamente pouco tempo, as casas deixaram de ter espaços ao ar livre, para ter apenas janelas. E isto aconteceu por vários motivos: "Projetar edifícios com galerias em vez de sacadas ou terraços é fruto do nosso estilo de vida", disse na altura o arquiteto Pablo García.

Varandas nas casas
Foto de Lisa no Pexels
A chegada da pandemia veio mudar esta tendência e é vista como um ponto de inflexão para várias coisas. Tudo indica que, no presente ou num futuro próximo, as varandas vão ser consideradas espaços importantes de lazer das nossas casas.

Nos últimos meses temos visto o interesse de compradores e inquilinos em ter uma casa com espaço ao ar livre: “Que o próximo confinamento não me apanhe num apartamento sem varanda”. Esta é uma frase que muito se tem ouvido no mercado imobiliário das cidades. As novas construções novas deverão ter em conta as novas necessidades do público. Mas e os edifícios mais antigos? Não existe uma solução que permita acrescentar uma varanda a estas casas?

O arquitecto Luis Quintano acredita que sim e, na verdade, foi ele que idealizou o protótipo de uma varanda pré-fabricada denominado STAYHÖME.

Varandas pré-fabricadas em casa
Luis Quintano

Segundo o arquiteto, muitos particulares manifestaram interesse na sua ideia, mas até ao momento não fechou nenhum acordo para concretizá-la: “Estou em conversações com diferentes construtoras, mas não há nada fechado sobre o assunto. Quanto às administrações públicas, houve algum contacto mas nada ficou fechado. Estou confiante de que no futuro será encontrada uma forma de levar a cabo este projeto".

Tal como antes não imaginavam elevadores incorporados em fachadas (e agora é comum vê-los), Quintano acredita que, talvez no futuro o mesmo aconteça com as varandas pré-fabricadas.

Claro que estas varandas pré-fabricadas não poderiam ser colocadas em qualquer tipo de edifício: “As fachadas em geral não suportam cargas, pelo que não seria possível pendurar as estruturas das varandas apenas fixando-as. Por isso, deverão ser estudados os reforços estruturais externos necessários para a fachada ou para dentro das casas, de forma a colocar corretamente as cargas. Da mesma forma, a estrutura e o cimento do edifício devem ser estudados para verificar se as sobrecargas destas varandas serão possíveis, ou se devem ser acrescentados reforços estruturais conforme cada caso”, esclarece.

Talvez o Governo Basco, em Espanha, possa ser um dos principais interessados na proposta deste arquiteto: no decreto sobre habitação deste governo, que será aprovado no final do ano, as varandas são consideradas um elemento essencial  da casa, colocando-se a níveis semelhantes de conforto térmico, superfície ou altura.

Varandas pré-fabricadas uma nova tendência
Bloomframe
O texto estabelece que os proprietários de casas que venham a realizar uma reabilitação integral devem adicionar varandas ou sacadas. Desde que a morfologia da propriedade o permita, claro. Para tal, cada vizinho receberá um subsídio de até 5.000 euros por casa. Este espaço deve ter um mínimo de 4 metros quadrados (m2) com uma profundidade de 1,5 metros - e não contará como superfície útil da casa.

“O novo 'Decreto de Habitabilidade' [assim se chama] é um compromisso fundamental que coloca a varanda como elemento fundamental da casa. Esta normativa exige que em cada nova habitação haja uma varanda com uma área mínima de 4 m2 e uma profundidade mínima de 1,5 m, porque pretendem que essas varandas sejam amplas e não apenas sacadas com vista para fora. Do mesmo modo, a lei refere que, quando se realizem reformas integrais de edifícios existentes, estas varandas também devem ser integradas sempre que seja possível do ponto de vista técnico e urbano. Este caminho é o modelo a seguir pelas outras administrações públicas, e acredito mesmo que os resultados serão melhores se os técnicos e a administração pública trabalharem em paralelo com ações urbanísticas que ajudem a regenerar áreas inteiras. Ao mesmo tempo, será muito interessante realizar planos que combinem melhorias de acessibilidade, eficiência térmica e integração de varandas nas edificações existentes ”, afirma Quintano.

Varandas pré-fabricadas uma solução
Philippe Ruault|Lacaton Vassal

Em Amesterdão, já existem alguns edifícios com janelas que se transformam em varandas. São da marca Bloomframe e estão disponíveis em três tamanhos.

E será que não existem mais soluções no mercado? “Não conheço outras empresas que o tenham feito. No nível contemporâneo, há o exemplo maravilhoso dos arquitetos Lacaton e Vassal. Em conjunto com a administração pública local, realizaram a reforma de 530 moradias coletivas em Bordéus, acrescentando um volume anexo de 4 metros à frente da fachada, criando um espaço interior-exterior intermédio, melhorando também o desempenho energético do edifício”, conclui o especialista.