Num retrato à construção e habitação em Portugal, o Instituto Nacional de Estatística (INE) conclui que houve um “crescimento generalizado” no licenciamento e construção de casas, bem como no número de transações em 2024. Mas os dados detalhados revelam que a venda de casas novas voltou a crescer muito mais do que o número de habitações concluídas, absorvendo por completo a nova oferta habitacional.
Estima-se que, em 2024, tenham sido concluídos um total de 28.494 fogos no país, mais 6,8% face ao ano anterior. “Nas construções novas para habitação familiar, o número de fogos totalizou 25.311, correspondendo a um crescimento anual de 9,6%”, diz o INE.
Mas no mesmo período a venda de casas superou muito estes números, sendo alimentada por vários incentivos, como a descida dos juros e novos apoios para os jovens comprarem a sua primeira casa (isenção de IMT desde agosto). Em 2024, transacionaram-se 156.325 habitações, um aumento de 14,5% relativamente a 2023. E, destas transações, 124.445 dizem respeito a casas usadas (+14,4%) e 31.880 a casas novas (+13,4%).
Analisando o universo de casas novas em Portugal, verifica-se que se venderam mais fogos (31.880) do que os que os que ficaram concluídos (25.311) em 2024, revelando uma diferença absoluta de 6.569 casas ou um diferencial relativo de quase 26% a favor das transações, mostram os dados publicados esta sexta-feira (dia 18 de julho).
Como a procura de habitações à venda continua a superar a oferta, os preços das casas voltaram a subir no ano passado. “Em 2024, o preço mediano de alojamentos familiares em Portugal foi 1.777 euros/m2, tendo aumentado 10,3% relativamente ao ano anterior”, indica. Ainda assim, sentiram-se aumentos dos preços mais acentuados nas casas existentes do que nas casas novas.
Venda de casas movimenta capital recorde - também há máximo de avaliações bancárias
A venda de casas em Portugal durante 2024 movimentou mesmo um total de 33,8 mil milhões de euros, “correspondendo ao valor mais elevado da série iniciada em 2009 e a um crescimento de 20,8% relativamente a 2023”, destaca o instituto. Deste valor total, 24,4 mil milhões corresponderam a transações de casas usadas (+21,1% num ano) e 9,4 mil milhões a casas novas (+20,0%).
Este alto dinamismo de venda de casas também se reflete nos empréstimos habitação. “No mesmo ano, os peritos ao serviço das instituições bancárias realizaram cerca de 140.000 avaliações bancárias no âmbito da concessão de crédito habitação, tratando-se do maior registo desde 2009, um aumento de 32,1% face a 2023”, informa ainda o INE.
Mais: “O número de avaliações realizadas representou 89,7% do total de transações de alojamentos familiares, mais 11,9 pontos percentuais. face ao ano anterior e a percentagem mais elevada desde 2009”.
Com a compra de casas em alta, o mercado de arrendamento acabou por crescer – mas bem menos. Foram registados 98.657 novos contratos de arrendamento de casas em Portugal, mais 4,3% face ao ano anterior (este aumento contrasta com a subida de vendas em 14,5%). E como também há escassez de oferta de casas para arrendar, a renda mediana atingiu os 7,97 euros/m2, tendo aumentado 10,5% em relação ao período homólogo.
Sobre o futuro da habitação, os dados do INE não sugerem mudanças significativas. Em 2024, foram licenciados 41.851 fogos, mais 5,4% face a 2023. E destas casas licenciadas, 34.637 eram construções novas para habitação familiar (+4,7%). Estas casas vão ser colocadas no mercado em breve, mas a procura de habitação para comprar também continua elevada e em pleno crescimento, perante os juros ainda baixos e incentivos para jovens, que este ano contam ainda com a garantia pública além da isenção do IMT.
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