Cimeira da UE de olhos postos (também) na crise na habitação

Crise na habitação é transversal a toda a União Europeia (UE), referiu António Costa, presidente do Conselho Europeu.
António Costa, presidente do Conselho Europeu
António Costa, presidente do Conselho Europeu Getty images
Lusa
Lusa

António Costa, presidente do Conselho Europeu, confirmou esta segunda-feira (13 de outubro de 2025) que a crise na habitação, transversal a toda a União Europeia (UE), o reforço da segurança e o apoio à Ucrânia dominarão a próxima reunião de líderes, em 23 de outubro. 

De acordo com a missiva endereçada por António Costa aos chefes de Estado e de Governo dos 27 países da UE, a cimeira – que o presidente do Conselho Europeu quer que seja de apenas um dia – vai discutir as possibilidades de estabilizar o apoio à Ucrânia, nomeadamente através da utilização dos recursos russos imobilizados na UE.

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O assunto dominou a última cimeira informal, em Copenhaga, no início de outubro e ocupou praticamente a totalidade da discussão, uma vez que há países, nomeadamente a Bélgica, que questionam a exequibilidade e legalidade de utilizar os bens russos congelados pelos Estados-membros como fonte de apoio financeiro para a Ucrânia.

As especificidades da proposta que prevê uma fonte de apoio estável “para os próximos anos” poderão ser conhecidas na cimeira de 23 de outubro.

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, vai intervir no início da cimeira, revelou António Costa.

Na carta enviada para cada Estado-membro, o presidente do Conselho Europeu, ex-primeiro-ministro de Portugal, dá conta de que o reforço da defesa e segurança do bloco político-económico europeu também vai fazer parte da discussão dos líderes.

Os líderes vão pegar nas informações e propostas apresentadas ao longo do ano pela Comissão Europeia e apresentar um caminho para o reforço coletivo na área da defesa, especialmente, e a curto prazo, o “muro de drones” (aeronaves pilotadas remotamente) que não sendo exclusivo ao flanco leste, terá enfoque nessa área do território da UE, devido às recentes incursões aéreas de drones e outras aeronaves russas.

O objetivo é reforçar a área da defesa da UE até 2030, coincidindo com o que 23 dos 27 Estados-membros concordaram na cimeira de Haia, nos Países Baixos, no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

O tópico seguinte, revelou António Costa na missiva, vai ser o reforço da competitividade “e as transições gémeas, o digital e o 'verde' (ecológico)”.

“Em primeiro lugar, precisamos de avançar nos nossos esforços para simplificar as coisas. Houve progresso até hoje mas precisamos de ir mais longe no corte burocrático e na prevenção de outros obstáculos. Em segundo lugar, precisamos de um debate estratégico sobre como alcançar os nossos objetivos climáticos e, em simultâneo, reforçar a competitividade da UE”, escreveu António Costa, apontando que a discussão terá enfoque no cumprimento do objetivo da neutralidade carbónica até 2050.

Os presidentes do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e do Eurogrupo, Paschal Donohoe, também vão participar nesta discussão.

Crise na habitação centra atenções

Os líderes deverão abordar também a crise na habitação que está a ser sentida em praticamente todos os países da UE. António Costa quer uma discussão sobre “habitação acessível” sobre esta “crescente preocupação social e económica, incluindo para cidadãos de rendimentos médios e as gerações mais jovens”.

“O que pode ser feito ao nível da UE para apoiar e acompanhar os esforços nacionais, regionais e locais para melhorar o acesso a habitação acessível e decente” é a resposta que António Costa quer encontrar com os líderes, para conjugá-la num “Plano Europeu para Habitação Acessível”, que será delineado pela Comissão Europeia.

O último tópico da discussão vai ser o Médio Oriente. O assunto já estava incluído na agenda da reunião, mas a atualidade impôs-se e a discussão já não será a perspetiva de um cessar-fogo entre Israel e o movimento radical Hamas, mas como aguentá-lo depois de já ter entrado em vigor e de os militares israelitas começarem a sair da Faixa de Gaza, depois da invasão que assolou a totalidade do território e matou mais de 60.000 pessoas.

A perspetiva de regresso dos reféns também já não será um assunto, uma vez que ocorreu na madrugada de hoje.

Por isso, a UE vai discutir que papel poderá ter na reconstrução de Gaza e no apoio às autoridades palestinianas, face a um plano do qual foi praticamente excluída, ainda que António Costa seja um dos participantes na cimeira de hoje no Egito.

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