Lisboa entre as capitais da UE onde a renda ultrapassa o salário mínimo

Em Lisboa, a renda média de um T2 chega aos 1798 euros, face a um salário mínimo considerado de 1073 euros, um rácio de 167,5%.
Casas em Lisboa
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A crise da habitação está a empurrar trabalhadores com salários mais baixos para fora dos centros das principais capitais europeias, e Lisboa está entre os casos mais extremos. Uma análise da Confederação Europeia de Sindicatos conclui que, em quase todas as capitais da União Europeia (UE), a renda média de um apartamento de até dois quartos ultrapassa o salário mínimo nacional, obrigando quem ganha menos a afastar‑se das cidades. Lisboa surge no topo: é a segunda capital onde a renda mais pesa sobre o salário mínimo e uma das que mais viram os preços disparar na última década.

O estudo citado pelo Público e baseado em dados do Eurostat de 2026, que abrange 21 capitais da UE, mostra que, em média, a renda de um T2 é 218 euros superior ao salário mínimo mensal. Em cidades como Praga, Lisboa e Dublin, o custo médio da renda supera o salário mínimo em cerca de 700 euros, já em Atenas, Bratislava, Budapeste e Valeta, a diferença ronda os 400 euros. No caso português, o estudo considera um salário mínimo mensal equivalente a 1073 euros (920 euros em 14 meses convertidos em 12), enquanto a renda média de um apartamento de dois quartos em Lisboa atinge 1798 euros, o que gera um rácio de 167,5%. Só Praga apresenta um desequilíbrio maior, com um rácio de 185,1%, ao cruzar um salário mínimo de 924 euros com uma renda média de 1710 euros.

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O jornal destaca que apenas em cinco capitais – Bruxelas, Berlim, Nicósia, Luxemburgo e Amesterdão – o salário mínimo supera a renda média. No conjunto da UE, considerando não apenas as capitais mas todo o território, o custo de arrendar um apartamento representa em média 42% do salário mínimo. As discrepâncias são assinaláveis: na Polónia, uma renda média absorve 33% do salário mínimo; em Malta, mais de 61%. 

Em Portugal, os dados do Eurostat apontam para uma renda média nacional de 485 euros, equivalente a 45,2% do salário mínimo. Perante estes números, a Confederação Europeia de Sindicatos defende, entre outras medidas, a aplicação plena da diretiva europeia sobre salário mínimo, a consideração explícita dos custos da habitação na definição dos mínimos salariais, a regulação de rendas e mais investimento público em habitação social.

Lisboa volta a destacar‑se quando se olha para a evolução de longo prazo. De acordo com a mesma fonte, a renda média de um T2 na capital era de 860 euros em 2015 e passou para 1750 euros em 2024, uma subida superior a 103% em dez anos – mais do que duplicou. Só Zagreb registou um aumento percentual maior (112%), embora com uma renda média (1550 euros) ainda abaixo da lisboeta. 

Em 2024, o crescimento anual das rendas em Lisboa rondou os 6%, um ritmo inferior ao de várias outras capitais, mas que se soma a anos consecutivos de fortes aumentos. No período em análise, não houve qualquer capital da UE onde as rendas tenham recuado, o que confirma a tendência generalizada de pressão sobre os mercados de arrendamento urbanos.

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