Guerra no Irão encarece crédito habitação nas grandes economias

Empréstimos tornaram-se mais caros nos EUA e na Europa, apesar de os bancos centrais manterem as taxas de juro inalteradas.
juros empréstimos
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A pressão sobre quem está a pensar comprar ou refinanciar a sua habitação aumenta todas as semanas devido ao impacto económico da guerra no Médio Oriente. O setor imobiliário residencial, de um lado e do outro do Atlântico, está a ressentir-se, e os custos do crédito habitação na Europa e nos EUA estão a subir.

O aumento das taxas associadas aos emprésimos para a compra de casa ocorreu apesar de os bancos centrais terem, até agora, evitado subir as taxas de juro em plena guerra no Médio Oriente. As entidades credoras estão a reagir ao aumento dos custos de financiamento dos governos e apostam que as taxas diretoras acabarão por ter de subir para conter a ameaça da inflação.

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Os custos das hipotecas na Europa e nos EUA aumentaram de forma significativa à medida que o impacto económico se estende ao setor imobiliário residencial. Os maiores aumentos registaram-se no Reino Unido, onde a taxa média de juro de uma hipoteca a taxa fixa (dois anos) subiu para 5,1% em abril, face a 3,97% no final de fevereiro.

Nos EUA, o conflito elevou a taxa de juro das hipotecas a 30 anos para 6,36%, acima dos níveis de setembro de 2025, antes de a Reserva Federal ter iniciado um ciclo de três cortes de um quarto de ponto percentual nas taxas de juro.

Na zona euro, as taxas de juro das hipotecas na Alemanha, a maior economia da região, subiram cerca de 0,3 pontos percentuais. A taxa dos empréstimos hipotecários a 10 anos mais comuns no país aumentou para cerca de 3,6%, segundo dados da agência hipotecária Dr Klein, o que eleva o custo anual de juros de um novo empréstimo de 350.000 euros em mais 1.000 euros, para cerca de 13.000 euros.

“As taxas subiram drasticamente em questão de semanas”, afirmou Florian Pfaffinger, executivo da Dr Klein, acrescentando que alguns compradores estão a tentar fechar as suas hipotecas antes de novas subidas.

Hina Bhudia, sócia da Knight Frank Finance, afirmou que a recente subida das taxas dos novos empréstimos a taxa fixa no Reino Unido representou um duro golpe para o poder de compra das famílias.

Nos EUA, este aumento das taxas hipotecárias ocorre num contexto em que o mercado já enfrentava uma escassez de oferta de habitação antes do início do conflito no Médio Oriente, no final de fevereiro, e do aumento acentuado dos preços do petróleo provocado pelos bloqueios no estreito de Ormuz.

A administração Trump tenta reduzir as taxas hipotecárias através da compra de obrigações garantidas por empréstimos hipotecários, por via das empresas ligadas ao governo, Fannie Mae e Freddie Mac. No entanto, os analistas referem que os efeitos destas compras têm sido anulados pela guerra.

Bradley Saunders, economista para a América do Norte da Capital Economics, indica que o mercado imobiliário norte-americano terá dificuldade em “ganhar dinamismo” com as taxas hipotecárias estagnadas acima dos 6%.

Hipotecas não voltarão ao nível de 2%, admitem analistas

Brian Lewis, agente imobiliário da Compass, nos EUA, acrescenta que muitos compradores estão a assumir que as taxas de juro das hipotecas não voltarão ao nível de 2% registado durante a pandemia “em nenhuma altura das suas vidas”.

Investidores e economistas acreditam que as taxas hipotecárias poderão subir ainda mais se o tráfego através do estreito de Ormuz continuar restringido. Isso obrigaria os bancos centrais a aumentar as taxas de juro para conter a pressão inflacionista, tornando mais difícil o acesso à habitação para potenciais compradores.

“O risco de um erro de cálculo entre Trump e a liderança iraniana está a aumentar”, afirma John Muellbauer, economista da Universidade de Oxford, acrescentando que “uma escalada levaria a uma grave estagflação”.

Para a especialista da Knight Frank, a subida acentuada das taxas acabará por levar a que menos pessoas comprem habitação. “Inevitavelmente, veremos uma desaceleração na atividade de transações e pressão sobre os preços das casas à medida que se sintam os efeitos do recente aumento dos juros hipotecários. A magnitude deste impacto dependerá da duração do conflito.”

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