SWIFT: esta é a arma financeira da UE contra a Rússia

Sete bancos russos foram excluídos do sistema SWIFT. Mas o que é? E que consequências traz esta sanção? Explicamos.
Guerra na Ucrânia
Objetivo de sanções da UE passa por isolar a Rússia GTRES

A guerra na Ucrânia deixou o mundo em sobressalto. E na tentativa de travá-la os Estados Unidos da América, o Reino Unido e a União Europeia (UE) têm unido forças e aplicado fortes sanções à Rússia na esperança de que Putin cesse-fogo em território ucraniano. Uma das mais recentes foi mesmo a exclusão de sete grandes bancos russos do sistema internacional de comunicações bancárias SWIFT. Mas o que é este sistema? E que implicações poderá trazer esta sanção para os europeus? Explicamos.

A cronologia das medidas restritivas da UE em resposta à crise na Ucrânia já vai longa. É preciso recuar a março de 2014 para conhecer as primeiras sanções que o Conselho Europeu aplicou à Rússia na tentativa de condenar o país pela “clara violação da soberania e da integridade territorial da Ucrânia”, referem na página da Comissão Europeia. E com a recente invasão russa e a guerra instalada em território ucraniano, a UE tem multiplicado o número de sanções contra a Rússia. Estas são algumas das medidas aplicadas nos últimos dias:

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  • sanções económicas;
  • restrições de acesso a mercados e serviços financeiros e de capitais da UE;
  • mudanças na política de vistos;
  • controlo e financiamento das exportações;
  • congelamento dos bens de Vladimir Putin, presidente da Federação da Rússia, e de Sergey Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia;
  • sanções específicas a centenas de pessoas;
  • suspensão de atividades da agência Sputnik e o canal de televisão Russia Today, por difundirem alegada desinformação contra a UE;
  • exclusão de 7 bancos russos do sistema SWIFT, que entra em vigor no dia 12 de março de 2022.

Sanções da UE contra a Rússia
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O que é o sistema SWIFT?

SWIFT é a sigla de Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (Sociedade para as Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais, na língua portuguesa). Fundada na Bélgica na década de 70, este sistema trata-se da uma rede internacional de mensagens para pagamentos interbancários que garante a troca de capitais entre países, com rapidez e segurança.

Já conta com mais de 11.000 bancos e instituições financeiras distribuídos por diferentes países. E, hoje, a maioria das transações interbancárias internacionais, como ordens de pagamento e transferências bancárias, são realizadas por meio da rede SWIFT.

Quais são os bancos excluídos do sistema SWIFT?

Esta medida que vai entrar em vigor a 12 de março de 2022 e abrange os bancos VTB (o segundo maior banco russo), bem como o Banco Otkritie, o Novikombank (finanças industriais), o Promsvyazbank, o Rossiya Bank, o Sovcombank e o VEB (banco de desenvolvimento do regime), de acordo com a lista publicada no Jornal Oficial da EU esta quarta-feira, dia 2 de março de 2022. Isto quer dizer que cerca de um quarto do volume do sistema bancário russo será afetado por esta exclusão, segundo fontes europeias.

Há, no entanto, duas grandes instituições bancárias russas que não são abrangidas por esta exclusão do sistema SWIFT: o maior banco da Rússia, o Sberbank, e o Gazprombank. E porquê? A segunda instituição é o braço financeiro do gigante dos hidrocarbonetos, através do qual é canalizada a maior parte dos pagamentos para as entregas de gás e petróleo russo à UE, pelo que alguns Estados-membros seriam muito afetados de forma negativa se esta instituição fosse excluída da rede SWIFT.

Guerra na Ucrânia
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Quais as consequências para a Rússia com a exclusão do SWIFT?

A ideia da UE passa por isolar a Rússia e condicionar fortemente o financiamento da sua máquina de guerra. Excluir a Rússia do sistema SWIFT significa impedi-la de fazer e receber pagamentos internacionais de forma rápida e eficiente. Por um lado, isso poderá inibir o acesso da Rússia ao capital, que pode ser depositado no exterior na forma de dinheiro, ações e títulos e que é usado para manter vivos os bancos nacionais. Mas também irá impedir de cobrar pelos serviços prestados, por exemplo, do gás fornecido à Europa (as receitas russas das exportações de energia são quase metade do total).

Outra consequência da exclusão da Rússia do sistema SWIFT é que essa medida também afeta bancos não russos sediados no território de Putin. Ou mesmo bancos europeus, que estão muito expostos à Rússia.

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Quais os efeitos destas sanções na UE?

A Comissão Europeia admitiu esta quarta-feira que as sanções da UE à Rússia, com congelamento de ativos financeiros e expulsão da Rússia do sistema SWIFT terão “custos para economia” comunitária, como maior inflação e subida nos preços energéticos.

“As sanções europeias […] terão também custos para a economia da UE, mas, nesta fase, estes custos são difíceis de calcular de forma fiável”, declarou o vice-presidente executivo da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis. “À medida que sanções mais profundas começam a estar em vigor, será possível ver uma série de cenários, por exemplo, uma inflação mais elevada, nomeadamente pressão sobre os preços da energia e um impacto adverso nos mercados financeiros”, adiantou ainda.

Isto acontece num momento em que a inflação atingiu um novo máximo na zona euro em fevereiro - de 5,8%. E por estes dias, os preços da energia também batem máximos, com o preço de referência europeu do gás natural, o holandês TTF, a ter disparado esta quarta-feira para 194,715 euros por megawatt hora, um máximo histórico, impulsionado pela guerra na Ucrânia, dado a Rússia ser grande produtor e exportador de gás.

Além disso, segundo a S&P, as sanções financeiras à Rússia vão criar também uma “incerteza” nos investidores que procuram altos retornos e vai afetar a recuperação económica nos diversos países de forma assimétrica. No caso do imobiliário, segundo os especialistas contactados pelo idealista/news, os investidores deverão assumir uma postura “wait and see”, acompanhando de perto o desenvolvimento do conflito. E os preços da construção deverão começar a escalar.

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*Com Lusa

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