Lisboa aprova investimento numa concessão para instalar Hub do Mar

Hub do Mar de Lisboa ficará instalado em Pedrouços, pelo prazo de 75 anos, tendo a AML aprovado um investimento de 26 milhões.
Lisboa vai ter um Hub do Mar
Hub do Mar de Lisboa vai nascer em Pedrouços Imagem retirada do site da Câmara Municipal de Lisboa
Lusa
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A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou esta terça-feira (27 de junho de 2023) a celebração de um contrato de concessão entre a APL - Administração do Porto de Lisboa e o município para instalar o Hub do Mar, na Doca de Pedrouços. Apresentada pelo vereador da Economia e Inovação, Diogo Moura, a proposta pretende o uso privativo de uma parcela de domínio público em Pedrouços para a instalação do Hub do Mar de Lisboa – Polo de Empresas e Shared Ocean Lab [laboratório oceano partilhado], “pelo prazo de 75 anos”, com os respetivos encargos financeiros, “no valor total estimado de 26.080.243,20 euros”.

Na sessão plenária da assembleia, a proposta foi viabilizada com os votos contra de BE, PPM e Chega, a abstenção de PEV, PCP, dois deputados independentes do movimento político Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre), Iniciativa Liberal (IL), PAN e MPT, e os votos a favor de Livre, PS, PSD, Aliança e CDS-PP.

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Do partido Chega, o deputado Bruno Mascarenhas justificou o voto contra por considerar que se trata de “um brutal investimento, sem nada definido, num contrato de 75 anos”, defendendo que é necessário “escrutinar para perceber se é de facto um projeto sustentável, transparente e passível de real concretização”.

O deputado único do PPM, Gonçalo da Câmara Pereira, manifestou-se contra por duvidar da implementação do Hub do Mar, acreditando que o edifício a reabilitar será “um hotel de Manuel Salgado ou um centro da Champalimaud” e defendendo que a APL devia ser extinta e entregar os terrenos à Câmara de Lisboa.

Entre os votos de abstenção, o PAN questionou se o Hub do Mar será baseado na sustentabilidade sem pôr em causa as espécies marinhas, o PCP afirmou que o acordo com a APL é “desequilibrado para o lado do município, ambíguo e incerto nas consequências ambientais, urbanistas e/ou económicas”, enquanto o MPT questionou o destino dos pescadores na Doca de Pedrouços e a IL quis saber o porquê de APL ter ficado de fora do consórcio para a implementação do projeto.

Dos deputados que votaram a favor, o Livre reforçou a necessidade de respeitar os oceanos e apostar na investigação, o CDS-PP destacou o investimento para “uma economia do mar mais competitiva, tecnológica, mais descarbonizada e sustentável” e o PSD realçou o compromisso com a inovação num projeto que promove a relação com o rio, através de verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Um projeto de "economia azul de base descarbonizante e sustentável"

Depois da intervenção dos deputados, o vereador Diogo Moura disse que o Hub do Mar é um projeto de “economia azul de base descarbonizante e sustentável”, num investimento de 37 milhões de euros, dos quais 31,5 milhões do PRR e cerca de seis milhões do município, desconhecendo o porquê de a APL ter optado por ficar de fora do consórcio.

O município prevê ainda 19 milhões de investimento para a regeneração da zona envolvente à Doca de Pedrouços, com a construção de infraestruturas no espaço público, inclusive uma ciclovia, adiantou o vereador da Economia e Inovação.

Em 11 de março de 2022, foi assinado um acordo de consórcio entre o município de Lisboa, a Docapesca, o Fórum Oceano, o Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) e a Universidade de Lisboa, com a candidatura aos fundos do PRR, solicitando 31 milhões de euro para a construção do Hub do Mar.

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