Edifícios licenciados diminuem 9,7% para 5,3 mil no terceiro trimestre

Edifícios concluídos decresceram 1,2% face ao 3T de 2022 e aumentaram 6,5% face ao 3T de 2019, totalizando 3,9 mil edifícios.
Construção de casas
Foto de Mario Esposito na Unsplash

No 3º trimestre (3T) de 2023, foram licenciados 5,3 mil edifícios em Portugal, o que representa uma diminuição de 9,7% em comparação com o mesmo período de 2022 (-9,3% no 2T de 2023) e uma descida de 11,4% face ao 3T de 2019. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), divulgados esta quinta-feira (14 de dezembro de 2023), os edifícios licenciados para construções novas decresceram 10,6% (-9,5% no 2T de 2023 e -5,7% face as 3T trimestre de 2019), tendo o licenciamento para reabilitação diminuído 8,3% (-9,2% no 2T de 2023 e -26,8% em relação ao 3T de 2019). Já os edifícios concluídos decresceram 1,2% face ao 3T de 2022 (-2,1% no 2T de 2023), mas aumentaram 6,5% em comparação com o 3T de 2019, totalizando 3,9 mil edifícios.

Obras licenciadas à lupa

Segundo o instituto, do total de edifícios licenciados, 76,3% correspondiam a construções novas, sendo que destas 80,7% eram destinadas à habitação familiar. Os edifícios licenciados para demolição (306 edifícios) representaram 5,8% do total de edifícios licenciados no 3T de 2023.

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Por zonas geográficas, a Região Autónoma da Madeira e o Algarve foram as únicas regiões a registar um aumento no número total de edifícios licenciados em comparação com o 3T de 2022, apresentando acréscimos de 12,1% e 8,2%, respetivamente. As maiores reduções ocorreram na Área Metropolitana de Lisboa (AML) e no Norte: 17,6% e 16,3%, respetivamente.

“Quanto aos tipos de construção, tanto os edifícios licenciados para construções novas como para reabilitação apresentaram decréscimos em relação ao 3T de 2022, com reduções de 10,6% e 8,3%, respetivamente. Comparativamente com o trimestre anterior, esses decréscimos foram de 8,2% e 11,6%”, indica o INE.

No contexto do licenciamento de edifícios para construções novas, apenas o Algarve e a Região Autónoma da Madeira apresentaram crescimento face ao período homólogo, registando aumentos de 15,1% e 6,8%, respetivamente. Já as maiores reduções deram-se na AML e no Norte (-19,0% e -16,5%, respetivamente).

Construção de casas em Portugal
Foto de Nicholas Lim on Pexels

Licenciados 7,6 mil fogos em construções de casas novas

No 3T de 2023, adianta o INE, foram licenciados 7,6 mil fogos em construções novas para habitação familiar, um valor que representa um aumento de 7,5% face ao mesmo período do ano anterior (+0,5% no 2T de 2023) e um crescimento mais expressivo em comparação com o mesmo trimestre de 2019 (+ 13,3%). 

“A região do Alentejo foi a única a registar decréscimos neste indicador, com uma redução de 16,6%. Todas as demais regiões observaram um crescimento, destacando-se a Região Autónoma da Madeira, que registou um crescimento expressivo de 114,6%”, indica o instituto, salientando que o crescimento mais acentuado nesta região foi motivado, sobretudo, pelo licenciamento de 104 novos fogos no município do Funchal (39,4% do total da região).

A nível nacional, verificou-se, no 3T de 2023, uma diminuição de 0,2% na área total licenciada em comparação com o mesmo período do ano anterior (+0,5% no 2T de 2023).

A nível nacional, verificou-se, no 3T de 2023, uma diminuição de 0,2% na área total licenciada em comparação com o mesmo período do ano anterior (+0,5% no 2T de 2023). A AML, o Algarve, o Centro e o Norte apresentaram variações negativas na área total, com descidas de - 8,0%, -6,7%, -4,9% e -0,6%, respetivamente.

“A região Norte manteve-se como a principal impulsionadora em todos os indicadores, destacando-se com 36,4% dos edifícios licenciados, 36,8% das construções novas, 35,1% dos edifícios destinados à reabilitação e 48,7% dos fogos licenciados em construções novas para habitação familiar. O Centro ocupa a segunda posição tanto no licenciamento de edifícios (28,6%), como nas construções novas (28,3%), e também nos edifícios destinados à reabilitação (29,8%). No que diz respeito aos fogos licenciados em construções novas para habitação familiar, a AML, com 18,8%, ocupa o segundo lugar, a seguir ao Norte”, esclarece o INE. 

Numa análise mensal, salienta o instituto, nota-se uma tendência de diminuição no licenciamento de edifícios, sobretudo a partir de 2021 e de forma mais vincada desde novembro de 2022. 

Licenciamentos e obras concluídas em Portugal
Foto de Nuno Silva na Unsplash

Raio-x às obras concluídas

Relativamente às obras concluídas, o INE estima que tenham sido concluídos, no 3T deste ano, 3,9 mil edifícios em Portugal, incluindo construções novas, ampliações, alterações e reconstruções. Um valor que representa uma redução de 1,2% em relação ao 3T de 2022 (-2,1% no 2T de 2023) e um aumento de 6,5% em comparação com o 3T de 2019. “A maioria dos edifícios concluídos correspondia a construções novas (84,0%), sendo que 80,6% destas eram destinadas à habitação familiar”, destaca.

Por regiões, na AML e nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, observou-se um aumento no número de edifícios concluídos (+15,3%, +13,5% e +10,4%, pela mesma ordem), sendo que em sentido inverso encontram-se o Algarve (-15,2%) e o Centro (-11,5%).

“Em comparação com o 3T de 2022, verificou-se um crescimento de 1,6% nas obras concluídas em construções novas, representando um aumento de 4,1 p.p. em relação ao trimestre anterior. O Algarve e o Centro registaram diminuições no número de construções novas concluídas (-14,0% e -9,6%, respetivamente). As restantes regiões apresentaram crescimentos neste indicador, com destaque para a AML (+20,2%) e para a Região Autónoma da Madeira (+10,1%)”, salienta o instituto. 

Entre julho e setembro de 2023, as obras concluídas para reabilitação diminuíram 13,7% (-9,0% face ao trimestre anterior). “Apenas as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira apresentaram uma variação positiva neste indicador (+30,0% e + 25,0%, respetivamente). Todas as restantes regiões registaram variações negativas, com destaque para a AML (-21,9%) e o Centro (-20,8%) que apresentaram o maior decréscimo.

Concluídos 5,6 mil fogos em construções novas de casas

No mesmo período, indica ainda o INE, foram concluídos 5,6 mil fogos em construções novas para habitação familiar, +9,9% em comparação com o 3T de 2022 (+11,1% no 2T de 2023). 

“A região do Algarve foi a única que apresentou um desempenho negativo neste indicador, registando uma diminuição de 40,0%, o que corresponde a -108 fogos. Nas restantes regiões, verificou-se um crescimento neste indicador, destacando-se a Região Autónoma da Madeira, a Região Autónoma dos Açores e o Alentejo, que registaram crescimentos de 118,0% (+118 fogos), 43,0% (+46 fogos) e 30,3% (+64 fogos), pela mesma ordem”, conclui o INE.

De acordo com a mesma fonte, o aumento mais significativo verificado na Região Autónoma da Madeira deve-se, sobretudo, a fogos declarados como concluídos nos municípios do Funchal e de Câmara de Lobos. 

 

Área total construída no país aumentou

Por fim, destaca o INE, no 3T de 2023, a área total construída em Portugal aumentou 1,1% em comparação com o mesmo período de 2022: “No entanto, merecem destaque os decréscimos significativos na região do Algarve (-63,4%) e na AML (-12,8%)”. 

No 3T de 2023, a área total construída em Portugal aumentou 1,1% em comparação com o mesmo período de 2022.

O gabinete de estatísticas nacional explica que o “decréscimo acentuado no Algarve está diretamente associado à redução do número de fogos concluídos em construções novas para habitação familiar, em comparação com o trimestre homólogo”, e que as “Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores destacaram-se com variações positivas mais expressivas neste indicador (+69,0% e +17,9%, respetivamente)”. Variações essas que estão diretamente relacionadas com o aumento do número de fogos concluídos em construções novas destinadas a habitação familiar.

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