Terá três torres residenciais, uma zona de retalho e sete edifícios de escritórios, seis nos terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa.
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Projeto EntreCampos
Vista panorâmica das obras a decorrer no projeto EntreCampos Créditos: Gonçalo Lopes | idealista/news

Foi um antigo mercado do gado e ali nasceu, nos anos 60 do século passado, a Feira Popular de Lisboa, que esteve em funcionamento até meados de 2003. Agora, mais de 20 anos depois, nesses mesmos terrenos de Entrecampos – localizados numa zona central da capital –, está a nascer o projeto EntreCampos, pela mão da Fidelidade Property. Terá sete edifícios de escritórios, três residenciais e uma ampla zona de retalho. “Quisemos trazer uma nova centralidade urbana. Isto é cidade. Não é um projeto que tem portões, que tem portas”, enfatiza Miguel Santana, administrador da Fidelidade Property.

Os terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa foram comprados pela Fidelidade Property, braço imobiliário do grupo Fidelidade, em hasta pública, em 2018, por mais de 270 milhões de euros, tendo o projeto EntreCampos, como foi batizado, sido oficialmente apresentado esta quarta-feira (4 de fevereiro de 2026). As previsões apontam para que esteja concluído em 2028 – os edifícios de escritórios mais cedo, em 2027 – e Miguel Paiva Couceiro, Project Management da Fidelidade Property, avança com um número: 1,3 mil milhões de euros de valorização global do projeto, após estar terminado. 

Visita ao projeto EntreCampos, em Lisboa
Miguel Paiva Couceiro, Project Management da Fidelidade Property Créditos: Gonçalo Lopes | idealista/news

O projeto EntreCampos, recorde-se, é a componente de iniciativa privada da “Operação Integrada de Entrecampos” da Câmara Municipal de Lisboa. Uma operação que envolve um conjunto alargado de intervenções de iniciativa pública, incluindo cerca de 700 novos fogos de renda acessível (já em construção) e diversos equipamentos sociais e infraestruturas.

Projeto EntreCampos (a componente privada) em números:

  • 330.000 metros quadrados (m2) de área total de construção;
  • 7 edifícios de escritórios, que representam uma área total de 140.000 m2;
  • 17.000 m2 de espaços públicos;
  • 3 edifícios residenciais com 249 apartamentos (ao todo), que representam uma área total de 28.000 m2;
  • 20.000 m2 de comércio (retalho), com mais de 55 lojas.

Durante a sua intervenção, Miguel Santana recorda o processo de aquisição dos terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa – “Fui eu que levantei o braço [na hasta pública] mais de 300 e não sei quantas vezes” – e lamenta o facto de Lisboa ter tido “um buraco” na cidade durante mais de 20 anos.

“Em dezembro de 2019 começámos a mexer no terreno, com os trabalhos de arqueologia, que demoraram cerca de dois anos”, recorda, sublinhando que o masterplan final do projeto foi aprovado no verão de 2024. “[Atualmente] temos a empreitada dos edifícios de escritórios em construção e em breve vamos começar a ter edifícios a serem vistos. [E] temos a nossa nova sede praticamente concluída, contamos mudar-nos para lá até ao verão”, acrescenta.

Projeto EntreCampos em Lisboa
Miguel Santana, administrador da Fidelidade Property Créditos: Gonçalo Lopes | idealista/news

“O que nos espera agora, desde 2024 até ao final de 2028, é o desenvolvimento, a construção do projeto EntreCampos”, remata Miguel Santana, frisando que o objetivo é trazer uma nova centralidade urbana a Lisboa e que este é um projeto para ser vivido e experienciado por todas as pessoas, não apenas pelos futuros residentes e trabalhadores. “Isto é cidade. Não é um projeto que tem portões, que tem portas”.

O administrador da Fidelidade Property enaltece ainda o facto de estar em causa um conjunto de empreendimentos com várias certificações, nomeadamente energéticas, e com foco na sustentabilidade. “Seremos o primeiro bairro na Europa WiredScore, uma certificação virada para a conectividade do edifício. Asseguramos 100% conectividade em todo o espaço do projeto”, enaltece.  

Fidelidade ocupa 70% de um dos sete edifícios de escritórios

Maquete do projeto EntreCampos
A futura sede da Fidelidade (à esquerda) e os restantes edifícios do projeto EntreCampos nos terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa Créditos: Gonçalo Lopes | idealista/news

De recordar que a Fidelidade vai ocupar a quase totalidade (cerca de 70%) de um dos sete edifícios de escritórios do projeto EntreCampos, que terá oito pisos e 40.000 m2. Os restantes 30% “já estão comprometidos”, revela António Almeida Ribeiro, Head of Offices Investor Leasing da CBRE, que está a comercializar os ativos, em conjunto com a Cushman & Wakefield (C&W).

Ainda no segmento de escritórios, destaque também para o facto de o Banco de Portugal (BdP) ser o ocupante de dois dos edifícios de escritórios, totalizando cerca de 32.000 m2. Ainda sem inquilinos estão, para já, quatro dos imóveis – com 22.500 m2, 15.300 m2, 18.100 m2 e 17.000 m2 –, sendo que um deles estará em vias de ficar fora do mercado, adianta António Almeida Ribeiro, sem revelar mais detalhes. 

Segundo o Head of Offices Investor Leasing da CBRE, este é o “projeto mais emblemático da cidade de Lisboa”, sendo “uma oportunidade única para as empresas que procuram escritórios”. 

Escritórios do projeto EntreCampos
António Almeida Ribeiro, Head of Offices Investor Leasing da CBRE Créditos: Fidelidade Property

“O projeto EntreCampos surge como sendo o produto certo no momento certo. Não há nenhum outro projeto de escritórios que se assemelhe a este”, conta, antecipando que há uma “enorme probabilidade de estar totalmente arrendado até final de 2027”, ou seja, quando se prevê que terminem as obras de construção dos edifícios de escritórios.

Uma visão, de resto, partilhada por Pedro Salema Garção, Partner e Head of Offices da C&W em Portugal, que considera que este projeto vem transformar completamente o mercado de escritórios a nível nacional, indo ao encontro das exigências e necessidades atuais do setor.

“As empresas querem mudar a forma de trabalhar. O modelo híbrido veio destruir os escritórios e o método de trabalho antigo e veio criar os escritórios baseados na experiência para os colaboradores. O modelo híbrido veio para ficar. A ideia é que vir ao escritório seja uma boa experiência”, sustenta.

Três edifícios residenciais com assinatura

Projeto EntreCampos
Obras no projeto EntreCampos: aqui vão nascer os três edifícios residenciais Créditos: Gonçalo Lopes | idealista/news

O Projeto EntreCampos contempla também a construção de três edifícios residenciais: o Outubro (nove pisos/82 apartamentos), o Armadas (nove/73) e o República (16/94). Estes serão, aliás, os últimos a sair do papel, em 2028. 

Em causa estão três torres desenhadas pelos Prémios Pritzker da Arquitetura Siza Vieira e Souto de Moura e pela também arquiteta portuguesa Ana Costa
A comercialização ainda não arrancou, não sendo possível antecipar, para já, preços de venda.

A importância do retalho num projeto aberto a novas experiências 

Segmento de retalho no projeto EntreCampos
Filomena Conceição, Global Head of Business Development da Nhood Portugal Créditos: Fidelidade Property

A comercialização dos espaços de retalho do projeto EntreCampos está a cargo da Nhood Portugal, sendo este segmento (o comércio de rua, as lojas) um dos mais importantes do empreendimento, segundo os responsáveis presentes na apresentação oficial. 

Filomena Conceição, Global Head of Business Development da Nhood Portugal, destaca a importância e o desejo de se conseguir criar um “sentimento de bairro” e desta área da cidade deixar de ser de passagem para ser uma zona onde as pessoas querem estar durante toda a semana. “As pessoas que vão viver Entrecampos não são apenas as que vão habitar no empreendimento, são as que vão trabalhar, as que estudam aqui, etc.”.  

A responsável considera que este é um projeto aberto a novas experiências e diz que há marcas que querem vir para Portugal, deixando um aviso: “Estes são provavelmente os últimos 20.000 m2 de retalho curado no centro de Lisboa”.

Assim será o projeto EntreCampos (fotos/renders)

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