Promotores e eurodeputados debatem crise da habitação em Portugal

Faltam 300 mil fogos no país, mas aumento dos custos limita capacidade de resposta do setor.
casas no Porto
Foto de Pascal Bernardon no Unsplash

A Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII) recebeu esta terça-feira, 31 de março de 2026, uma delegação de eurodeputados da Comissão Especial sobre a crise da habitação na União Europeia, no âmbito da deslocação que está a fazer esta semana a Portugal para analisar os desafios no acesso à habitação. O encontro permitiu debater sobre o contributo do setor privado para o desenvolvimento de soluções que tragam mais habitação acessível ao mercado.

A iniciativa, de resto, integra uma agenda de contactos institucionais em Lisboa, através da qual os eurodeputados procuram recolher diferentes perspetivas sobre a realidade habitacional em Portugal e os principais obstáculos à sua resolução.

Publicidade

Na reunião, a APPII apresentou o seu diagnóstico ao problema “através de um conjunto de contributos focados na resposta ao défice habitacional, atualmente estimado em cerca de 300 mil fogos, num contexto em que a produção de nova habitação continua aquém das necessidades, particularmente no segmento dirigido à classe média”, tal como se pode ler em comunicado. 

A associação alertou ainda para a crescente dificuldade em viabilizar economicamente novos projetos, num cenário em que o aumento dos custos, nomeadamente com licenciamento, fiscalidade e construção, limita a capacidade de resposta do setor.

“A presença desta delegação em Portugal constitui uma oportunidade importante para promover o alinhamento entre prioridades nacionais e europeias, contribuindo para uma aplicação eficaz das futuras iniciativas no domínio da habitação acessível”, disse Manuel Maria Gonçalves, CEO da APPII.

“Além da responsabilidade social que o setor tem, o mercado existe. A procura está lá. É óbvio que queremos construir a preços que as famílias portuguesas possam pagar”, frisou o CEO da associação. 

“É o somatório de custos, composto por (falta de solo urbanizável, preço dos terrenos, custos da construção, burocracia, tributação, falta de escala, pouca industrialização, e escassez de mão de obra, que compromete a viabilidade económica da construção para a classe média nos grandes centros urbanos. Sem viabilidade económica, não há investimento. E sem investimento, não há casas”, disse ainda.

Foi igualmente sublinhada a necessidade de reforçar a articulação entre o setor público e privado, como estratégia chave para ultrapassar esta crise. Na mesma conversa os eurodeputados foram sensibilizados para a necessidade de assegurar maior previsibilidade, celeridade e viabilidade nos processos de licenciamento e desenvolvimento imobiliário, considerados essenciais para aumentar a oferta de habitação a custos compatíveis com o rendimento das famílias.

Para poder comentar deves entrar na tua conta