Paraísos fiscais: fortuna dos mais ricos supera a da metade da Humanidade

Segundo a Oxfam, a fortuna que escapa a impostos escondida nos paraísos fiscais pelos 0,1% mais ricos é superior à riqueza total de 4,1 mil milhões de pessoas.
Panamá
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Lusa
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A fortuna dos mais ricos escondida em paraísos fiscais ultrapassa as posses da metade mais pobre da Humanidade, denunciou esta quarta-feira, dia 2 de abril de 2026 a Oxfam dez anos depois do escândalo dos 'Panama Papers', exigindo uma luta mais efetiva contra a evasão fiscal.

"A fortuna que escapa a impostos escondida nos paraísos fiscais pelos 0,1% mais ricos é superior à riqueza total da metade mais pobre da Humanidade (4,1 mil milhões de pessoas)", apontou a Oxfam, em comunicado.

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Dez anos depois dos 'Panama Papers', "os ultra-ricos continuam a recorrer aos sistemas offshore para escapar ao imposto e esconder os seus ativos", acrescentou.

A organização estima em 3,55 mil milhões de dólares em 2024 os montantes que escaparam aos impostos, escondidos em paraísos fiscais e contas não declaradas - o que equivale a uma verba que excede o valor da produção em França durante um ano.

Aqueles 0,1% deteriam 80% daquele montante, isto é, 2,84 mil milhões de dólares. De forma mais refinada, identifica-se que metade do montante em causa - 1,77 mil milhões de dólares - estaria nas mãos de 0,01%.

O caso 'Panama Papers' foi divulgado em 2016, depois da publicação de uma investigação realizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

Na altura, revelou o papel do Panamá, pequeno Estado da América Central, como santuário da evasão fiscal. Mais de 11,5 milhões de documentos confidenciais provenientes do gabinete de advogados Mossack Fonseca, com informações detalhadas sobre mais de 214 mil sociedades offshore, foram revelados.

Paraíso Fiscal
Fonte: Oxfam

Os nomes de cerca de 150 milionários, homens políticos, figuras públicas e chefes de Estado ou governo foram revelados por terem escondido ao fisco propriedades, empresas, capitais e lucros.

Uma década depois do escândalo, a Oxfam considera que foram feitos progressos insuficientes na luta contra a evasão fiscal.

A ONG reclama com urgência "uma ação internacional coordenada" no assunto, "a criação de um registo mundial de ativos", taxas de imposição efetivas mais elevadas para os milionários e multimilionários e a criação de impostos sobre a fortuna para o um por cento mais rico.

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