Comércio de rua: Porto tem a rua mais movimentada do país

A rua de Santa Catarina, na Cidade Invicta, é a mais movimentada, recebendo uma média de 3.269 pessoas por hora.
Rua de Santa Catarina, Porto
Rua de Santa Catarina, Porto Wikimedia commons

O comércio de rua em Portugal foi alvo de um estudo que analisou a sua dinâmica, mais concretamente o comportamento pedonal e o posicionamento comercial de cinco das principais artérias de Lisboa e do Porto, onde se conclui que a Rua de Santa Catarina, na Cidade Invicta, é a mais movimentada, recebendo uma média de 3.269 pessoas por hora.

Esta foi a principal conclusão do estudo HighStreet Footfall, da CBRE. De acordo com a sua análise, as lisboetas Rua Garrett e Rua Augusta surgem logo depois da de Santa Catarina, recebendo 2.892 e 2.408 pessoas por hora, respetivamente. Longe desses números encontram-se a Avenida da Liberdade, também em Lisboa, com 1.267 pessoas por hora, e a zona dos Clérigos (Porto), com cerca de 850 pessoas por hora.

Publicidade

No que respeita a dinâmicas de utilização e vocação comercial das localizações, a Rua Augusta destaca-se com uma densidade constante durante todo o dia, graças ao seu equilibrado mix comercial que conjuga restauração e moda. Já a Rua Garrett, com uma oferta ‘premium’ e de ‘mass market’ e sendo um dos eixos de acesso a zonas com forte componente de lazer e entretenimento, tem a sua maior afluência ao final do dia, especialmente entre as 19 e as 20 horas. Também com um pico de afluência ao fim da tarde, entre as 18 e as 19 horas, e refletindo um crescente tráfego ao longo do dia, encontramos a Avenida da Liberdade, um polo de luxo em Lisboa com forte presença de alta joalharia.

Lisboa lidera em rendas prime 

Rua Augusta, Lisboa
Pexels

Apesar de a Rua de Santa Catarina ser a que regista a maior influência, a sua renda ronda os 90 euros por metro quadrado (m2) por mês (euros/m2/mês), bastante abaixo das da Rua Augusta e Rua Garrett, com 150 euros/m2/mês, ou da Avenida da Liberdade, com uma renda de 125 euros/m2/mês. Os Clérigos apresentam uma renda bastante inferior, na ordem dos 67,5 euros/m2/mês.

Relativamente aos níveis de crescimento das rendas por rua, a CBRE retira as seguintes conclusões: 

  • Maior concentração de tráfego em zonas especificas no Porto face a Lisboa; 
  • Diferenças entre a oferta de cada rua e o respetivo público que estas atraem; 
  • Diferentes poderes de compra da população local das duas cidades; 
  • Diferentes composições do ‘target’ turístico das duas cidades, sendo a principal distinção o maior peso que o segmento norte-americano representa no turismo de Lisboa ‘versus’ o que representa no turismo do Porto.

Portugal com bons desempenhos comerciais

Lisboa
Pexels

A CBRE demonstrou, no seu mais recente evento dedicado ao setor do retalho, que os conjuntos Comerciais têm registado performances muito positivas nos últimos quatro anos, nomeadamente em termos de ‘footfall’, volume de vendas e taxa de disponibilidade, em comparação com outros países europeus. 

O aumento da população no país, devido à dinâmica migratória, assim como o reforço da performance operacional dos ativos comerciais, explicam este bom desempenho. A receita por m2 cresceu em várias categorias de retalho, com o setor de ‘Groceries’ a liderar a evolução, com um aumento de 83% entre 2019 e 2025, seguindo-se os setores de ‘speciality retail’ (+60%) e moda (+35%).

Em comunicado, Carlos Récio, Head of Retail da CBRE Portugal, prevê que nos próximos três anos haja uma grande mudança nos projetos de retalho, com a maior parte dos novos desenvolvimentos a incidir nos retail parks, uma vez que este formato “ganhou um protagonismo sem precedentes por exigir áreas de influência mais reduzidas, apresentar custos de construção e operacionais inferiores e beneficiar de processos de licenciamento mais céleres”.

“A todos estes fatores acresce a entrada, no nosso mercado, de vários operadores que procuram este formato para abrir as suas lojas, o que tem potenciado a procura por esta classe de ativos. Até ao final de 2028, projetamos a construção e abertura de 180.000 m2 de nova área neste formato em todo o país. Este crescimento reflete-se na valorização estrutural das suas rendas e na crescente atração de operadores de diferentes áreas, como decoração, desporto, moda, mobiliário e eletrónica de consumo”, acrescenta Carlos Récio.

Segundo a consultora, este ano o investimento imobiliário no setor do retalho poderá ainda atingir os 850 milhões de euros.

Para poder comentar deves entrar na tua conta

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.