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Comércio de rua ganha terreno e já representa 71% do total das novas aberturas

Photo by Maclevison Silva on Unsplash
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Autor: Redação

O aumento do poder de compra das famílias portuguesas e a vitalidade do turismo nas cidades de Lisboa e Porto continuam a impulsionar o setor de retalho. Nos primeiros oito meses do ano foram registadas mais de 550 novas aberturas neste segmento, 71% das quais de comércio de rua, segundo os dados da última edição do Marketbeat Portugal Outono 2019, da consultora Cushman & Wakefield (C&W). Só na capital abriram 200 novas lojas de rua, e no Porto foram 55.

Em Lisboa, as Avenidas Novas lideram o ranking das zonas mais procuradas, seguindo-se o Chiado e o eixo Cais do Sodré/Santos, este último com a maior taxa de desocupação – fixada nos 15%. A procura foi maioritariamente protagonizada por operadores locais e independentes. “A oferta disponível tem vindo a corrigir de forma gradual nos principais destinos de comércio da cidade de Lisboa, sendo a Avenida de Roma a zona que apresenta a mais baixa taxa de desocupação: apenas 4% do stock disponível”, lê-se no estudo.

No Porto, a zona da Baixa continua a ser a mais dinâmica, com a Rua de Santa Catarina a concentrar o maior número de aberturas, em contraste com o eixo das Flores/Mouzinho da Silveira que exibe ainda uma taxa de desocupação significativa, na ordem dos 22%.

Em termos de atividades e considerando a totalidade das operações no mercado nacional, a restauração foi o setor mais ativo, representando 55% das novas aberturas mas apenas 13% da área contratada. Já os artigos de lar e as lojas de lazer e cultura são as que mais pesam em termos de área, com 24% cada.

A renovação e mudança de conceito do UBBO, antigo Dolce Vita Tejo, “é mais um exemplo da tendência de reposicionamento dos centros comerciais”, diz a C&W, referindo que há cada vez mais operadores a adotar uma “estratégia omnicanal que passa por tornar o e-commerce num aliado das lojas físicas”.

Outros indicadores de mercado

  • Investimento em imobiliário comercial deverá bater novos recordes

De acordo com os dados apurados pela consultora, no estudo agora divulgado, o volume de investimento em imobiliário comercial deverá ultrapassar no final do ano o valor recorde alcançado em 2018, que se fixou nos 3 mil milhões de euros.

“Ainda que o valor transacionado entre janeiro e agosto, próximo dos 1,6 mil milhões de euros, indique um decréscimo de 14% face ao período homólogo, existem boas expetativas até ao fecho de 2019”, lê-se no domcmento. Encontram-se, atualmente, em fase de negociação avançada cerca de 40 operações que rondam os 1,5 mil milhões de euros - caso estas operações se concretizem em 2019, Portugal atingirá um novo máximo histórico no volume de investimento imobiliário comercial.

Do volume de investimento concretizado nos primeiros oito meses do ano, os setores de retalho e escritórios lideram com, respetivamente, 34% e 33% dos capitais alocados ao imobiliário comercial. O setor hoteleiro foi responsável por 27% do volume transacionado, num total de 418 milhões de euros. Foi igualmente este setor que protagonizou a maior operação do ano, nomeadamente a venda do portfólio Tivoli, da Minor, à Invesco por 313 milhões de euros.  “O investimento em segmentos menos convencionais começa a despertar o interesse dos investidores e, na primeira metade do ano, a Xior adquiriu um portfólio de residências de estudantes em Lisboa e no Porto, pelo valor de 28 milhões de euros”, acrescenta o relatório.

O capital nacional está a ganhar peso face a 2018, mas o investimento estrangeiro continuou a ser o principal impulsionador da atividade, representando 89% do total, com os investidores de origem alemã responsáveis pela maior parcela, 43%.

  • Nova oferta de escritórios chega gradualmente 

A atividade no setor dos escritórios continua a evidenciar grande dinamismo, com a procura na Grande Lisboa a registar até agosto um crescimento de 6,6% face ao período homólogo de 2018. Entre janeiro e agosto foram transacionados cerca de 136.000 m2 de escritórios distribuídos por 116 negócios, sendo que as zonas 6 (Corredor Oeste) e 5 (Parque das Nações) lideram o volume de área contratada com 24% e 20%, respetivamente.

A disponibilidade de espaços na Grande Lisboa é de apenas 175.000 m2, “traduzindo uma taxa de desocupação historicamente baixa de 3,7%, embora a entrada de novos projetos no mercado tenha vindo a responder, de forma gradual, à escassez de espaços”, refere a C&W.  No crescimento da oferta destaca-se a zona 5, onde além da sede da Ageas, com 17.400 m2 e conclusão prevista para 2021, serão construídos dois projetos que, em conjunto, trarão ao mercado cerca de 45.000 m2: a K-Tower e o edifício Lumnia.

No Grande Porto, onde o mercado de escritórios tem vindo a demonstrar uma procura consistente ao longo dos últimos anos, “a atividade no primeiro semestre foi fortemente condicionada pela escassez de espaços de qualidade”, tendo ainda assim acumulado 22.300 mm2 de área contratada. Ao longo dos próximos anos deverão ser lançados no mercado da Invicta mais de 180.000 m2 de escritórios e já em 2020 deverão estar concluídos três destes projetos com um total superior a 59.000 m2: Palácio dos Correios, Porto Office Park e Porto Business Plaza.

  • Oferta hoteleira continua a crescer

Desde o início do ano, foram inauguradas em Portugal mais de 40 unidades hoteleiras, trazendo para o  mercado cerca de 3.000 novos quartos. Em fase de projeto e/ou construção somam-se mais 15.000 quartos com abertura prevista até 2021, uma oferta maioritariamente concentrada nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, segundo o estudo.

A cidade de Lisboa tem vindo a liderar o crescimento do mercado: na primeira metade do ano a cidade registou uma taxa de ocupação na ordem dos 77%. A oferta evoluiu em linha com este comportamento, tendo sido inaugurados na cidade, entre janeiro e agosto, seis hotéis com um total de 350 quartos.

No Porto, onde a taxa de ocupação média se aproxima dos 72%, estima-se que, até 2020, sejam inaugurados mais 23 hotéis com um total de 2.200 quartos.

  • Preços das casas abrandam em Lisboa

Os preços das casas começaram a dar sinais de abrandamento no decorrer do ano. Segundo informação do SIR- Sistema de Informação Residencial , relativa ao 2º trimestre de 2019, a cidade de Lisboa revela um crescimento médio homólogo de 12% nos preços de venda dos apartamentos novos, face aos 21% registados em igual período de 2018. A zona Ribeirinha apresenta o maior crescimento, na ordem dos 30%, com valores de venda acima dos 5.500 euros por m2, mas ainda longe dos preços praticados no Centro Histórico, a zona mais valorizada da capital portuguesa, que atinge os 6.601 euros por m2.

No Porto, os valores de mercado “mantêm ainda um crescimento acentuado”, na ordem dos 34% em termos médios, situando-se nos 3.438 m2. As zonas da Foz e Ribeirinha são as mais valorizadas, com preços compreendidos entre os 4.000 e 4.200 euros por m2 para os apartamentos novos.