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Construção vive “período difícil e incerto”... mas resistiu ao primeiro impacto da pandemia

“Declaração de Estado de Emergência não determinou a suspensão das obras, a exemplo do que se passou” noutros países, diz AICCOPN.

Egor Kunovsky on Unsplash
Egor Kunovsky on Unsplash
Autor: Redação

A construção atravessa, à semelhança de outros setores, “um período difícil e incerto”, mas “regista um menor impacto imediato sobre a sua atividade, uma vez que a declaração de Estado de Emergência não determinou a suspensão das obras, a exemplo do que se passou na generalidade dos países”. A garantia é dada pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), que considera que o setor susteve o primeiro impacto causado pela pandemia do novo coronavírus. 

A associação alerta, agora, para a necessidade de haver uma retoma do investimento público. “A evolução dependerá, em absoluto, das medidas de recuperação económica que vierem a ser adotadas que, no caso da construção, tem de passar por um aumento significativo do investimento público”, refere, em comunicado.

Segundo a AICCOPN, que se apoia em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) – os resultados são relativos à semana de 20 a 24 de abril, em pleno estado de emergência –, 8,5% das empresas de construção suspenderam temporariamente a atividade ou encerraram definitivamente. 

“Do total das empresas, 62,9% registaram uma redução no volume de negócios, e num terço dessas essa diminuição foi superior a 50%. Ainda de referir que 45% das empresas viram reduzido o número de pessoas efetivamente a trabalhar, sendo que 24,1% dessas apontaram para uma diminuição superior a 50% no número de trabalhadores”, lê-se no documento.

No que diz respeito ao Índice de Produção da Construção, registou, no primeiro trimestre do ano, uma variação homóloga acumulada de -0,6%. “Ainda que esta queda não seja muito expressiva, este índice (...) não apresentava uma variação homóloga negativa desde o final de 2016, mostrando, desde então, uma recuperação sustentada, que se verificou até fevereiro de 2020”, conclui a entidade liderada por Manuel Reis Campos.

A AICCOPN revela ainda que, em março, registaram-se quebras significativas face à média dos dois meses anteriores, tanto nas licenças emitidas para fins residenciais como não residenciais. E mais: em abril, os valores dos concursos abertos e dos contratos celebrados, no mercado das obras públicas, caíram 49% no caso dos concursos lançados e 18% no caso dos contratos celebrados, quando comparados com os respetivos valores médios mensais apurados no primeiro trimestre do ano, apesar de, em termos homólogos acumulados, se manterem variações positivas: 30,2% e 10,5%, respetivamente.