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Deco Alerta: És jovem e queres comprar casa? Estes quatro conselhos podem ajudar-te

Autor: Redação

Os bancos estão mais disponíveis para emprestar dinheiro para comprar casa, mas todo o cuidado é pouco na hora de recorrer ao crédito à habitação, sobretudo se ainda és jovem. Explicamos-te tudo sobre este tema no artigo de hoje da Deco Alerta. Destinada a todos os consumidores em Portugal, esta rubrica semanal é assegurada pela Deco - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor para o idealista/news.

Envia a tua questão para a Deco, por email para gcabral@deco.pt ou por telefone para 00 351 21 371 02 20.

Somos um casal jovem e queremos comprar casa. Após conversa com amigos, apercebemo-nos que já não existe regime bonificado para jovens que pedem crédito à habitação. Podem confirmar esta informação e que cuidados devemos ter nesta relação com o banco?

É verdade. Confirmamos que o regime bonificado para jovens não pode ser contratado desde 30 de setembro de 2002. 

Juntar dinheiro suficiente para adquirir uma nova habitação pode demorar anos, pelo que o recurso ao crédito à habitação é a solução mais comum e adequada. Contudo, na hora de pedir o crédito à habitação não se esqueçam de avaliar bem a vossa situação financeira e pesar bem os encargos futuros, não só com a prestação bancária, mas também com o IMI e o condomínio. 

Para que possam aceder ao crédito com maior segurança, apontamos alguns conselhos:

1 – Procurar o melhor financiamento

comparar a oferta de crédito à habitação de, pelo menos, cinco entidades. E não basta olhar para os spreads, oferecidos. O indicador mais fiável que servirá de comparação é a TAE (Taxa Anual Efetiva). Isto porque esta taxa reflete, além do indexante e do spread praticado pelo banco, as comissões de entrada, as comissões de avaliação do processo e as comissões periódicas cobradas pelas instituições. Quanto mais baixa for a TAE, mais barato ficará o empréstimo.

2 – Negociar o spread

Com as instituições a aumentarem o valor dos spreads cobrados não será fácil, mas podem sempre tentar usar alguns argumentos para ter um spread mais simpático. O principal deles passa por subscrever outros produtos financeiros do banco (conta ordenado, com domiciliação do teu vencimento, contas poupança, cartões de crédito, etc.) A diferença entre ter um spread de 1% ou 1,5% poderá fazer-te poupar 40 euros mensais no caso de um empréstimo à habitação de 150 mil euros a pagar em 30 anos. Contas feitas, no fim do empréstimo terás poupado 14 mil euros.

3 – Qual o prazo ideal? 20, 30 ou 40 anos? 

Os prazos mais longos têm a vantagem de resultarem numa prestação mensal baixa, mas os encargos com juros aumentam significativamente. Tendo em conta um crédito de 100 mil euros, indexado à Euribor a seis meses, se este financiamento fosse feito a 20 anos, irias pagar uma prestação mensal de 504 euros (valor médio a título de exemplo), sendo que o custo final do empréstimo ficaria em 121 mil euros. Se o mesmo crédito fosse feito por um período de 40 anos a prestação mensal seria mais baixa (301 euros, valor médio a título de exemplo), mas o custo final do crédito com juros dispararia para os 145 mil euros.

4 – Taxa fixa ou variável?

As taxas variáveis (indexadas à Euribor) estão em níveis historicamente baixos e, apesar de admitirmos que a inversão desta trajetória acabará por acontecer, tal não se prevê no imediato. E, se não surgirem mudanças abruptas na economia, as taxas deverão continuar baixas durante alguns anos.  É claro que as contas também podem inverter-se se a Euribor entretanto subir em flecha. E em 20 anos tudo pode acontecer. É possível que, nesse cenário, a prestação com taxa variável acabe por tornar-se mais cara e, aí sim, poderás conseguir uma poupança considerável se tiveres um crédito de taxa fixa.