Janeiro de 2023 foi marcado por uma menor procura de crédito habitação, maior peso das taxas mistas e subida das renegociações.
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Juros a subir nos créditos habitação
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Os efeitos da alta inflação e do aperto da política monetária pelo Banco Central Europeu (BCE) continuam a refletir-se no crédito habitação em Portugal, quer na subida de juros, quer no arrefecimento da procura. Segundo os dados do Banco de Portugal (BdP), publicados esta sexta-feira (dia 3 de março), os bancos emprestaram 1.385 milhões de euros em créditos habitação em janeiro de 2023, menos 11 milhões de euros do que em dezembro. E as taxas de juro nos novos contratos subiram para 3,32%, um valor máximo desde março de 2014. 

“A taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação subiu menos do que no mês anterior, passando de 3,24% [em dezembro] para 3,32%” em janeiro de 2023, aponta o BdP na nota publicada esta sexta-feira, dia 3 de março. Este é mesmo o maior valor registado desde março de 2014 (quando alcançou 3,39%).

Isto acontece porque a maioria das famílias continua a pedir créditos habitação de taxa variável e indexada à Euribor – embora o seu peso esteja a descer há já quatro meses. Recorde-se que as taxas Euribor continuam a subir à medida que o BCE aumenta as suas taxas de juro diretoras, tendo já atingido níveis de 2008.

O facto de as taxas de juro – quer variáveis, quer fixas – disponíveis pelos bancos estarem cada vez mais elevadas começa a retrair a procura por crédito habitação no nosso país. E isso refletiu-se em janeiro de 2023, já que os bancos emprestaram 1.385 milhões de euros em novos empréstimos habitação, menos 11 milhões de face a dezembro de 2022, revelam os dados.

Taxa mista ganha maior peso nos empréstimos habitação

O mercado hipotecário também tem revelado outras mudanças na procura. “Embora se mantenha a preferência por empréstimos à habitação a taxa variável [representando 69% do montante total], o peso dos novos empréstimos a taxa mista tem vindo a aumentar, atingindo 24% do montante de novos empréstimos realizados em janeiro”, destaca o BdP.

Esta tem sido uma opção mais atrativa para as famílias num momento de alta instabilidade económica e financeira, já que a taxa mista permite fixar os juros no início do contrato (durante 5, 10 ou 15 anos, por exemplo) e, depois, passar a taxas variáveis. Assim, durante pelo menos os primeiros anos do contrato, as famílias garantem que pagarão sempre a mesma prestação da casa.

Já os empréstimos habitação de taxa fixa – nos quais a prestação da casa não mexe desde o início ao fim do contrato – continuam a representar 7% do montante dos novos contratos, acordo com os mesmos dados. O peso dos créditos de taxa fixa mantem-se assim nos 7% há quatro meses consecutivos, sobretudo porque os bancos têm ajustado as ofertas ao preço do dinheiro, elevando – e muito – as taxas fixas (a média já é superior a 4%).

Renegociações dos créditos habitação ganham peso

O que os dados do BdP também revelam é que o peso das renegociações reguladores de empréstimos habitação tem vindo a subir há quatro meses, tendo mesmo dado o salto em janeiro. Importa recordar que entrou em vigor em novembro de 2022 o novo decreto-lei que vem estabelecer novas regras para renegociar os créditos habitação.

Apesar de os bancos terem admitido dificuldades em identificar os casos em que as novas regras de renegociação dos empréstimos da casa podem ser aplicadas, o número de renegociações do crédito habitação aumentou no final de 2022 e voltou a subir em janeiro.

“Em janeiro, as renegociações representaram 32% do montante de novos empréstimos à habitação, mantendo o aumento observado nos meses anteriores”, destaca o regulador liderado por Mário Centeno, dando nota que  “a renegociação não resultou de uma situação de incumprimento e na qual os clientes tiveram participação ativa”.

De notar que em dezembro do ano passado o peso das renegociações era de 22%, dando, portanto, um salto de 10 pontos percentuais em apenas um mês.

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