As taxas Euribor têm vindo a aumentar nos últimos tempos, na sequência da subida das taxas de juro diretoras por parte do Banco Central Europeu (BCE), o que está a ter impacto nos contratos de crédito habitação, ou seja, nas prestações a pagar ao banco todos os meses pelo empréstimo contraído para a compra da casa. Mas esta é uma despesa que está a afetar todos os mutuários da mesma maneira? Depende, entre outras coisas, do tipo de taxa associado ao teu financiamento: variável, fixa ou mista. Explicamos tudo sobre este tema no artigo desta semana da Deco Alerta.
A rubrica semanal Deco Alerta é assegurada pela Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor* para o idealista/news e destina-se a todos os consumidores em Portugal.
Tenho muita dificuldade em perceber a questão do aumento das prestações do crédito habitação. Um colega de trabalho tem um contrato de crédito no mesmo banco que nós e pediu o mesmo valor emprestado, mas paga um valor diferente. Não conheço mais detalhes do contrato dele, porém fico sempre a pensar que há algo errado com as minhas prestações, que são mais altas. Podem esclarecer-me?
A tua dúvida é muito pertinente e começamos por responder que nem todas as prestações aumentam da mesma forma. Vamos dizer-te o porquê.
Nos últimos tempos, e sobretudo quando nos aproximamos do final de cada mês, somos surpreendidos com notícias sobre a evolução da prestação do crédito habitação. É comum surgirem referências a aumentos de 60 euros, 125 euros ou outros valores, associados à revisão das taxas de juro.
Embora estes exemplos possam corresponder a determinados contratos, não significam que todas as famílias com crédito habitação venham a registar esse aumento. O impacto da revisão da prestação depende de vários fatores, como o capital em dívida, o prazo remanescente, a taxa de juro aplicável e, sobretudo, do tipo de taxa contratado.
Assim, antes de retirares conclusões, importa que conheças como é calculada a prestação e quais os elementos que realmente influenciam o valor a pagar ao banco.
Como não nos indicas mais detalhes, apresentamos-te dois exemplos meramente ilustrativos de crédito habitação* que podem ajudar-te a compreender a diferença que nos referes: dois casos de capital em dívida – um de 150.000 euros e outro de 300.000 euros;
- Prazo remanescente de 30 anos;
- Spread de 1%;
- Sem outros encargos incluídos na prestação.
*Simulação considerando as médias da Euribor apuradas em julho de 2026
Esta simulação demonstra que é possível, em determinados cenários, obter aumentos próximos dos 60 euros e 125 euros, frequentemente referidos nas notícias.
Contudo, este é apenas um exercício. Basta alterar uma das variáveis, como mencionado anteriormente, e o resultado será diferente.
O tipo de taxa faz toda a diferença
Antes de mais, deves informar-te bem sobre qual o tipo de taxa associado ao teu financiamento.
Taxa variável
Nos contratos com taxa variável, a taxa de juro resulta da soma do indexante (habitualmente a Euribor) com o spread contratado. A prestação apenas é revista na data prevista no contrato, de acordo com a periodicidade do indexante (três, seis ou 12 meses).
Taxa fixa
Nos contratos com taxa fixa, a prestação mantém-se inalterada durante o período em que vigorar a taxa fixa. Assim, a subida ou descida da Euribor não produz qualquer efeito imediato na prestação.
Taxa mista
Nos contratos com taxa mista existe um período inicial de taxa fixa, seguido de um período de taxa variável. Enquanto durar o período de taxa fixa, a prestação também não sofre alterações devido à evolução da Euribor.
Informa-te connosco.
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